Satanás nas Nossas Casas

 

Por: Sheik Aminuddin Muhammad

Não há qualquer exagero da minha parte quando digo que o diabo habita em muitas das nossas casas, pois penetrou nelas com o nosso consentimento, e nós próprios o introduzimos nos aposentos dos nossos filhos.

Enganamo-nos a nós mesmos quando adquirimos o “Play Station” e os CDs de jogos sem antes observarmos o seu conteúdo. A ninguém ocorre sentar-se com o seu filho para ver o conteúdo de muitos dos CDs que os nossos filhos adquirem ou trocam com os amigos. Ficamos convencidos que são “Jogos de Crianças” e não imaginamos nunca que na verdade se trata de “Jogos Satânicos”.

Muitos dos jogos que se jogam em “Play Station” e também em computadores vulgares, ensinam imoralidades, induzindo as nossas crianças à prática de criminalidade.

E a sua popularidade nas crianças começa a ser maior que o futebol ou o basquetebol. Nesses jogos as crianças aprendem o nudismo, a arte de assaltar, de roubar, e até mesmo de matar.

E nós os pais, pensamos que não há problema nenhum, pois são apenas jogos que entretêm as nossas crianças, quando na verdade elas já caíram na armadilha de Satanás.

Uma ocasião, estava eu frente a uma escola aguardando a saída das minhas filhas das aulas, quando um jovem me abordou tentando vender-me desses CDs e também cassetes de conteúdo pornográfico. Que degradante se tornou a nossa sociedade!

Afigura-se-me ser já altura de se legislar contra a venda pública de dispositivos (CDs, DVDs e Cassetes) que promovam a imoralidade e a pornografia no seio das nossas crianças. Não só se deve banir a sua venda como se deve punir os prevaricadores com pesadas multas. Já é altura de o nosso Gabinete de Informação (Gabinfo) criar brigadas de fiscalização que façam a verificação e triagem do material disponível ao público não só nos videoclubes e lojas da especialidade, mas também nos programas e dispositivos das estações televisivas da nossa praça. É imperioso que se verifique o conteúdo desses instrumentos de diversão, e caso se detecte algo que atente contra os nossos valores morais e culturais, esse material deve de imediato ser confiscado e destruído, aplicando-se pesadas multas aos transgressores.

E o cidadão comum deve colaborar, denunciando os promotores de tais atos. Aliás, as brigadas de fiscalização, depois da triagem aos CDs DVDs e Cassetes devem apor em cada exemplar um selo de verificação que seja inviolável e de difícil, senão impossível falsificação.

A obrigação de proteger as novas gerações cabe a todos nós, pelo que devemos ser ativos, não esmorecendo nem recuando perante este fenômeno.

A situação apresenta-se-nos tão grave que há jovens e crianças que acham ser difícil viver sem o “Play Station” ou jogos similares, pois estão tão viciados que não se apercebem dos prejuízos que a dependência a tais formas de diversão causam, com prejuízos não só em relação ao tempo que se perde, mas também em relação à sua saúde, pois afeta de alguma forma o seu sistema nervoso.

Quando têm em mãos cassetes que promovem atos criminosos, eles aprendem tal “arte”, achando que matar é algo tão normal quanto divertido.

Pelo contrário, os pais devem encorajar seus filhos a jogar ou a ver dispositivos que sejam educativos e que incentivem à prática de boas ações. Devem ajudá-los a gerir o seu tempo da melhor forma, assistindo ou jogando apenas quando tiverem observado todas as suas obrigações. Não é aconselhável que as crianças passem mais de hora e meia ou duas horas diárias em frente ao “Play Station”, pois de contrário tal prática se revelará prejudicial a outras obrigações.

Peritos em saúde mental e psicológica aconselham que a criança deve passar 75% do seu tempo livre em atividades úteis com movimentação física, e 25% em atividades sem movimentação física.

Infelizmente os nossos filhos postam-se em frente a um televisor, ou a um computador com programas de jogos, particularmente quando estão de férias, e aí consomem quase 80% do seu tempo, o que se revela mau para a sua saúde, pois dessa inatividade resulta a obesidade que também constitui preocupação.

Devemos dar algum do nosso tempo às nossas crianças, conversando com elas, falando-lhes do nosso glorioso passado, incentivando-as a serem criativas, ajudando-as a planificarem o seu tempo, saindo com elas para passear, etc. Esta seria a melhor forma de as ajudar a preparem o seu futuro, ao invés de deixar que elas se dediquem àquilo que apenas servirá para destruir suas vidas.

Para sairmos desta situação devemos em primeiro lugar reconhecer a gravidade do problema que se nos apresenta. De seguida devemos procurar soluções e formas práticas da sua aplicação. De contrário, lamentar-nos-emos para o resto da vida.