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14. POLIGAMIA
Passemos agora para a importante questão que é a poligamia. A
poligamia é uma prática muito antiga, encontrada em muitas
sociedades humanas. A Bíblia não condenou a poligamia. Pelo
contrário, o Velho Testamento e os escritos rabínicos freqüentemente
atestam a legalidade da poligamia. Dizem que o Rei Salomão teve 700
esposas e 300 concubinas (Reis 11:3). Também o Rei Davi teve muitas
esposas e concubinas (2 Samuel 5:13). O Velho Testamento tem algumas
injunções em como distribuir a propriedade de um homem entre seus
filhos de diferentes mulheres (Deuteronômio 22:7). A única restrição
com relação à poligamia é a proibição de tomar uma irmã da esposa
como uma esposa rival (Levítico 18:18). O Talmud aconselha a um
máximo de 4 esposas (51). Os judeus europeus continuaram a praticar
a poligamia até o século XVI.
Os judeus orientais praticavam a poligamia regularmente até a
chegada a Israel, onde ela foi proibida por lei. Contudo, na lei
religiosa, que sobrepuja a lei civil em tais casos, a poligamia é
permitida (52).
E com relação ao Novo Testamento? De acordo com o padre Eugene
Hilman, em seu penetrante livro, a poligamia é reconsiderada, "Em
parte alguma do Novo Testamento há uma orientação expressa de que o
casamento deve ser monogâmico ou qualquer orientação que proíba a
poligamia". (53). Além disso, Jesus não falou contra a poligamia,
embora ela fosse praticada pelos judeus de sua época. O padre Hilman
chama a atenção para o fato de que a Igreja de Roma proibiu a
poligamia, a fim de se adequar à cultura Greco-romana (que
prescrevia somente uma esposa legal, enquanto que tolerava o
concubinato e a prostituição). Ele citou Santo Agostinho, "Agora, em
nosso tempo, e de acordo com o costume romano, não é mais permitido
tomar uma outra esposa" (54). As igrejas africanas e os cristãos
africanos muitas vezes lembram a seus irmãos europeus que a
proibição da poligamia é mais uma tradição cultural do que uma
autêntica injunção cristã.
O Alcorão também permitiu a poligamia, mas não sem algumas
restrições: "Se vós temeis não serdes capazes de conviver justamente
com os órfãos, casai com mulheres de sua escolha, 2 ou 3 ou 4 vezes;
mas se temerdes que que não sereis capazes de conviver justamente
com elas, então casai somente com uma" (4:13). O Alcorão, ao
contrário da Bíblia, limitou o número de esposas a 4, sob a estrita
condição de que as esposas sejam tratadas igualmente. Isto não deve
ser entendido como uma exortação a que os crentes pratiquem a
poligamia, ou que a poligamia seja considerada como um ideal. Em
outras palavras, o Alcorão "tolera" ou "permite" a poligamia, e não
mais, mas por que? Por que a poligamia é permitida? A resposta é
simples: há lugares e épocas em que razões morais e sociais compelem
para a poligamia. Como os versos do Alcorão acima indicam, a questão
da poligamia no Islam não pode ser entendida como parte das
obrigações da comunidade com relação aos órfãos e viúvas. O Islam,
como uma religião universal, aplicável para todos os lugares e
tempos, não poderia ignorar essas pressões.
Em muitas sociedades humanas, as mulheres superam os homens em
quantidade. Em um país como a Guiné, há 122 mulheres para cada 100
homens. Na Tanzânia, há 95,1 homens para 100 mulheres (55). O que
uma sociedade deve fazer para resolver esse desequilíbrio? Existem
várias soluções, e alguns podem sugerir o celibato, outros preferem
o infanticídio feminino (que ainda acontece no mundo de hoje em
alguns lugares). Outros, ainda, podem achar que a única saída é a
sociedade tolerar todas as formas de permissividade sexual:
prostituição, sexo fora do casamento, homossexualismo, etc. Para
outras sociedades, como a maior parte das sociedades africanas de
hoje, a saída mais honrosa é permitir o casamento poligâmico, como
uma instituição culturalmente aceita e socialmente respeitada. A
questão, que é muitas vezes incompreendida no ocidente, é que muitas
mulheres de outras culturas necessariamente não vêm a poligamia como
um sinal de degradação da mulher. Por exemplo, muitas jovens noivas
africanas, sejam cristãs ou muçulmanas, prefeririam se casar com um
homem casado, que tenha provado a ele mesmo, ser um marido
responsável.
. Muitas esposas africanas persuadem seus maridos a tomar uma
segunda esposa e assim eles não se sentem sozinhos (56). Uma
pesquisa realizada na segunda maior cidade da Nigéria com 600
mulheres, com idades entre 15 e 59 anos, mostrou que 60% dessas
mulheres não se importariam que seus maridos tivessem uma outra
esposa. Somente 23% expressaram raiva ante a idéia de dividirem seus
maridos com outras mulheres. 76% das mulheres que se manifestaram
numa pesquisa realizada no Quênia, viram a poligamia positivamente.
Em outra pesquisa realizada no campo, 25 de 27 mulheres consideraram
a poligamia melhor do que a monogamia.
Estas mulheres sentiram que a poligamia pode ser uma experiência
feliz e benéfica se as co-esposas cooperarem umas com as outras
(57). A poligamia, na maior parte das sociedades africanas é uma
instituição tão respeitada, que algumas igrejas protestantes
começaram a tolerá-la, "Embora a monogamia possa ser ideal para a
expressão do amor entre o marido e a esposa, a igreja deve
considerar que em certas culturas a poligamia é socialmente
aceitável e que a crença de que a poligamia é contrária ao
cristianismo não se sustenta por muito tempo". (58) Depois de um
cuidadoso estudo sobre a poligamia africana, o Reverendo David
Gitari, da Igreja Anglicana, concluiu que a poligamia, como
idealmente praticada, é mais cristã do que o divórcio e o novo
casamento, porque há uma preocupação com as esposas e crianças
abandonadas. (59) Eu pessoalmente conheço algumas esposas africanas,
finamente educadas, que apesar de terem vivido no Ocidente por
muitos anos, não fazem qualquer objeção à poligamia. Uma delas, que
mora nos USA, solenemente estimula seu marido a tomar uma segunda
esposa para ajudá-la na criação das crianças.
O problema do desequilíbrio entre os sexos começa na verdade nos
problemáticos tempos de guerra. Os índios nativos americanos
costumavam sofrer com essa desigualdade de número entre homens e
mulheres, principalmente após as perdas dos tempos de guerra. As
mulheres dessas tribos, que na verdade desfrutavam de uma alta
posição, aceitavam a poligamia como a melhor proteção contra a
tolerância por atividades indecentes. Os colonos europeus, sem
oferecerem qualquer outra alternativa, condenavam a poligamia
indiana como "incivilizada" (60).
Após a segunda guerra mundial, havia na Alemanha 7.300.000 mais
mulheres do que homens (3.3 milhões delas eram viúvas). Havia 100
homens na idade de 20 a 30 anos para cada 167 mulheres naquele mesmo
grupo de idade. (6l) Muitas dessas mulheres necessitavam de um
homem, não apenas como uma companhia mas, também, como um mantenedor
para a casa, num tempo de miséria e injustiça sem precedentes. Os
soldados do exército aliado vitorioso exploravam a vulnerabilidade
dessas mulheres. Muitas jovens e viúvas tinham ligações com membros
das forças de ocupação. Muitos soldados americanos e britânicos
pagavam por seus prazeres com cigarros, chocolates e pães. As
crianças ficavam felizes com os presentes que os estrangeiros
traziam. Um menino de 10 anos, vendo esses presentes com outras
crianças, desejava ardentemente um "inglês" para a sua mãe e assim,
ela não precisaria passar fome por tanto tempo (62). Devemos
perguntar para nossa consciência sobre esta questão: O que dignifica
mais uma mulher? Uma segunda esposa, aceita e respeitada, ou uma
prostituta virtual, como no caso da abordagem "civilizada" das
forças aliadas na Alemanha? Em outras palavras, o que dignifica mais
uma mulher, a prescrição alcorânica ou a teologia baseada na cultura
do império romano?
É interessante notar que, em uma conferência da juventude
internacional, acontecida em Munique, em 1948, o problema alemão do
desequilíbrio no número de homens e mulheres foi discutido. Quando
ficou claro que não havia solução consensual, alguns participantes
sugeriram a poligamia. A reação inicial da reunião foi uma mistura
de choque e repugnância. Contudo, após um estudo cuidadoso da
proposta, os participantes concordaram que a poligamia era a única
solução possível. Conseqüentemente, a poligamia estava incluída
entre as recomendações finais da conferência. (63)
Atualmente, o mundo possui mais armas de destruição em massa do que
jamais houve em qualquer tempo e as igrejas européias podem, mais
cedo ou mais tarde, se ver obrigadas a aceitar a poligamia como o
único caminho. O Padre Hillman, após muito pensar, admitiu este
fato, "É quase concebível que aquelas técnicas genocidas (nuclear,
biológica, química...) podem produzir um desequilíbrio tão drástico
entre os sexos que o casamento plural poderia ser um meio necessário
de sobrevivência... Em tal situação, os teólogos e os líderes das
igrejas deveriam rapidamente produzir razões importantes e textos
bíblicos que justifiquem um novo conceito de casamento". (64)
Nos dias atuais, a poligamia continua a ser a solução viável para
alguns males das sociedades modernas. As obrigações comunitárias a
que o Alcorão se refere, juntamente com a permissão da poligamia,
são mais perceptíveis atualmente nas sociedades ocidentais do que na
África. Por exemplo, nos USA de hoje, há uma séria crise na
comunidade negra. Um em cada 20 jovens rapazes negros podem morrer
antes de atingir a idade de 2l anos. Para aqueles que estão entre os
20 e 35 anos, o homicídio lidera a causa da morte (65). Além disso,
muitos rapazes negros estão desempregados, na prisão ou são viciados
(66). Como conseqüência, um em 4 mulheres negras, na idade de 40
anos, nunca se casaram, enquanto que este número é de 1 para 10
mulheres brancas (67). Além do mais, muitas jovens negras se tornam
mães solteiras antes dos 20 anos e se encontram na situação de serem
mantidas. O resultado final dessas trágicas circunstâncias é que há
um aumento no número de mulheres negras comprometidas com
"homem-partilhado" (68). Isto é, muitas dessas infelizes mulheres
negras solteiras estão envolvidas em casos com homens casados. As
esposas muitas vezes não têm consciência do fato de que outras
mulheres estão dividindo seus maridos com elas. Alguns observadores
da crise do "homem-partilhado" na comunidade africana na América têm
recomendado a poligamia consensual, como uma resposta temporária
para a diminuição do número de homens negros, até que reformas mais
abrangentes na sociedade americana sejam tomadas (69). Esses
observadores entendem poligamia consensual como a poligamia
sancionada pela comunidade e na qual todas as partes envolvidas
concordem, em oposição ao segredo dos casos com homens casados, os
quais sempre prejudicam tanto a esposa como a comunidade em geral.
O problema do "homem-partilhado" na comunidade africana da América
foi ponto de discussão em um painel realizado na Universidade de
Temple, na Filadélfia, em 27.01.93 (70). Alguns dos palestrantes
recomendaram a poligamia como um remédio potencial para a crise.
Eles também sugeriram que a poligamia não podia ser banida por lei,
particularmente em uma sociedade que tolera a prostituição e o
concubinato.. O comentário de uma das mulheres participantes, de que
os negros americanos precisavam aprender com a África, onde a
poligamia era praticada responsavelmente, conseguiu entusiásticos
aplausos.
Philip Kilbride, um antropólogo americano, de tradição católica
romana, em seu livro provocativo, "Casamento Plural para o Nosso
Tempo", propõe a poligamia como solução para alguns dos males da
sociedade americana. Ele argumenta que o casamento plural pode
servir como uma alternativa potencial para o divórcio em muitos
casos,a fim de eliminar o impacto danoso do divórcio sobre as
crianças. Ele afirma que muitos divórcios foram causados pelo
excessivo número de casos extraconjugais ocorridos na sociedade
americana. De acordo com Kilbride, transformar um caso extraconjugal
em um casamento poligâmico, ao invés do divórcio, é melhor para as
crianças. Além disso, ele sugere que outros grupos também se
beneficiarão do casamento plural, tais como: mulheres mais velhas,
que enfrentam uma crônica diminuição de homens e os negros
americanos, que estão envolvidos com o "homem-partilhado". (7l)
Em 1987, uma votação conduzida por um estudante de jornalismo da
Universidade de Berkeley, perguntava aos estudantes se eles
concordavam que os homens poderiam ser autorizados, por lei, a terem
mais de uma esposa, tendo em vista a visível diminuição do número de
candidatos masculinos para o casamento na Califórnia. Quase todos os
votantes aprovaram a idéia. Uma estudante chegou a declarar que o
casamento poligâmico preencheria suas necessidades físicas e
emocionais, porque lhe daria maior liberdade do que uma união
monogâmica (72). Na verdade, o mesmo argumento foi usado por alguns
poucos remanescentes das mulheres fundamentalistas Mormom, que ainda
praticam a poligamia nos USA.
Elas acreditam que a poligamia é um caminho ideal para a mulher ter,
tanto profissão como crianças, uma vez que as esposas se ajudam umas
às outras no cuidado com os filhos.
Deve-se acrescentar que a poligamia no Islam é questão de consenso
mútuo. Ninguém pode forçar a mulher a se casar com um homem casado.
Além disso, a esposa tem o direito de estipular que seu marido não
deve se casar com outra mulher (74). A Bíblia, pôr outro lado,
algumas vezes vale-se da poligamia forçada. Uma viúva sem filhos
deve se casar com o seu cunhado, mesmo que ele já seja casado (ver a
seção "A condição das Viúvas") e independente de seu consentimento
(Gênesis 38:8/10).
Deve-se notar que, em muitas sociedades muçulmanas de hoje, a
prática da poligamia é rara, uma vez que a diferença entre os sexos
não é grande. Pode-se dizer que o número de casamentos poligâmicos
no mundo muçulmano é muito menor do que o de casos extraconjugais no
ocidente. Em outras palavras, os homens no mundo muçulmano são muito
mais monogâmicos do que os homens no mundo ocidental.
Billy Grahan, o eminente evangélico cristão, reconheceu este fato:
"O cristianismo não pode se comprometer com a questão da poligamia.
Se hoje o cristianismo não pode fazer isso, é em seu próprio
detrimento. O Islam permitiu a poligamia como uma solução para os
males sociais e reconheceu um certo grau de latitude da natureza
humana, mas, somente dentro da estrutura estritamente definida na
lei.
Os países cristãos fazem um estardalhaço sobre a monogamia, mas, na
verdade, eles praticam a poligamia. Ninguém ignora a existência das
amantes na sociedade ocidental. A esse respeito, o Islam é
fundamentalmente uma religião honesta, que permite a um muçulmano se
casar uma segunda vez se ele precisa, mas proíbe rigorosamente todas
as associações clandestinas, a fim de salvaguardar a probidade moral
da comunidade". (75)
Releva notar que muitos países no mundo de hoje, muçulmanos ou não,
proibiram a poligamia. Tomar uma segunda esposa, ainda que com o
livre consentimento da primeira, é uma violação da lei. Por outro
lado, trair a esposa, com ou sem o seu conhecimento e/ou
consentimento, é perfeitamente legitimada. Qual é a sabedoria legal
por detrás de tal contradição? A lei foi feita para premiar a
decepção e punir a honestidade? Este é um dos paradoxos fantásticos
de nosso mundo "civilizado".
15. HIJAB
Finalmente, vamos esclarecer o que é considerado no ocidente como o
maior símbolo de opressão e servidão da mulher, o véu, ou a cabeça
coberta. É verdade que não existe algo como o véu na tradição
judaico-cristã? Façamos o registro correto. De acordo com o Rabino
Dr. Menachem M. Brayer (Professor de Literatura Bíblica na
Universidade de Yeshiva) em seu livro, "A Mulher Judia na Literatura
Rabínica", era um costume judeu a mulher ir aos lugares públicos com
a cabeça coberta, e, em alguns casos, com todo o rosto coberto,
deixando apenas um olho de fora (76). Ele cita alguns famosos ditos
rabinícos antigos, "Não é bom para as filhas de Israel andarem na
rua com suas cabeças descobertas" e "Amaldiçoado seja o homem que
permite que o cabelo de sua esposa seja visto... uma mulher que
expõe seus cabelos como adorno traz a pobreza". A lei rabínica
proibe a recitação de bênçãos e orações na presença de mulheres
casadas com a cabeça descoberta, uma vez que o cabelo é considerado
"nudez" (77). O Dr. Brayer também menciona que "Durante o período
Tannaitic a mulher judia com sua cabeça descoberta era considerada
uma afronta à sua modéstia. Quando sua cabeça estava descoberta ela
podia ser multada em 400 zuzim por esta ofensa". O Dr. Brayer também
explica que o véu da mulher judia nem sempre era considerado como um
sinal de modéstia. Algumas vezes, o véu simbolizava mais um estado
de distinção e de luxúria do que modéstia. O véu personificava a
dignidade e superioridade das mulheres nobres. Também podia
representar a inacessibilidade da mulher, como posse santificada de
seu marido (78),
O véu significava o auto-respeito de uma mulher e um status social.
As mulheres das classes mais baixas vestiam o véu para dar a
impressão de uma posição mais elevada. O fato de o véu significar
sinal de nobreza foi a razão de não se permitir às prostitutas
cobrirem seus cabelos, na antiga sociedade judaica. Contudo, as
prostitutas muitas vezes usavam um lenço especial, a fim de
parecerem respeitáveis (79). As mulheres judias na Europa
continuaram a usar o véu até o século XIX, quando suas vidas se
tornaram inter-relacionadas com o meio cultural. As pressões
externas da vida européia no século XIX, obrigaram as mulheres a
saírem com as cabeças descobertas. Algumas judias achavam mais
conveniente substituir o tradicional véu por peruca, como uma outra
forma de cobrir a cabeça. Atualmente, muitas mulheres judias
piedosas não cobrem mais suas cabeças, exceto quando se encontram
nas sinagogas (80). Algumas delas, tais como as da citada Hasidic,
ainda usam peruca (81).
O que dizer a respeito da tradição cristã? É sabido que as freiras
católicas usaram suas cabeças cobertas por centenas de anos, mas
isto não é tudo. São Paulo, no Novo Testamento, fez algumas
declarações muito interessantes a respeito do véu: "Agora eu quero
que vocês percebam que a cabeça de cada homem é o Cristo e a cabeça
da mulher é o homem e a cabeça do Cristo é Deus. Cada homem que reza
ou vaticina com a cabeça coberta desonra a sua cabeça. Cada mulher
que ora ou vaticina com a cabeça descoberta desonra sua cabeça - é
como se sua cabeça estivesse raspada. Se a mulher não cobrir sua
cabeça, ela deve ter os seus cabelos cortados: e para não cair na
desgraça de ter os cabelos cortados ou raspados ela deve cobri-los.
Um homem não deve cobrir sua cabeça uma vez que ele é a imagem e
glória de Deus; mas a mulher é oriunda do homem; o homem não foi
criado da mulher, mas a mulher foi criada do homem. Por esta razão,
e por causa dos anjos, a mulher deve ter um símbolo da autoridade
sobre sua cabeça" (I Coríntios 11:3/10.
As razões apresentadas por São Paulo, para que a mulher se cubra, é
que o véu significa um sinal de autoridade do homem, o qual é a
imagem e glória de Deus sobre a mulher, que foi criada dele e para
ele. São Tertuliano, em seu famoso tratado "Sobre o véu das
virgens", escreveu "jovens mulheres, vocês se cobrem quando nas
ruas, assim, vocês devem se cobrir quando na igreja, vocês se cobrem
quando estão entre pessoas estranhas, portanto vocês devem se cobrir
quando estiverem entre seus irmãos..." Entre as leis canônicas da
Igreja Católica de hoje, há uma lei que exige que as mulheres cubram
suas cabeças quando estiverem na igreja (82). Algumas denominações
cristãs, tais como os Amish e os Menonitas, por exemplo, matem suas
mulheres cobertas até hoje. A razão para o véu, conforme explicado
pelos líderes da Igreja, é que "a cabeça coberta é um símbolo da
sujeição feminina ao homem e a Deus", o que, no final, significa a
mesma lógica apresentada por São Paulo no Novo Testamento (83).
De todas as evidências acima, é óbvio que o Islam não inventou a
cabeça coberta. Contudo, o Islam endossa a tese. O Alcorão obriga
homens e mulheres a baixarem seus olhos e guardarem suas modéstias
e, com relação às mulheres, determina que suas cabeças sejam
cobertas, além do pescoço e seios:
"Diga às crentes que elas devem baixar seus olhos e guardar sua
modéstia; que elas não devem exibir sua beleza e adornos, exceto o
que comumente aparece; que elas devem puxar seus véus sobre os
seios... " (24:30/3l)
O Alcorão é bem claro no que se refere ao véu como essencial para a
modéstia. Mas, por que a modéstia é importante? O Alcorão é ainda
mais claro: "Ó Profeta, dize às tuas esposas e filhas, e às crentes,
que elas devem se cobrir com suas mantas (quando na rua) a fim de
que elas se distingam das demais e não sejam molestadas" (33:59).
Esta é a questão principal, a modéstia é prescrita para proteger as
mulheres de serem molestadas, isto é, a modéstia é proteção.
Assim, a única proposta do véu no Islam é a proteção. O véu
islâmico, diferentemente do véu na tradição cristã, não é sinal da
autoridade do homem sobre a mulher, nem é um sinal de sua sujeição
ao homem. O véu islâmico, diferentemente da tradição judaica, não é
um sinal de luxúria ou de distinção de algumas mulheres casadas
nobres. O véu islâmico é simplesmente um sinal de modéstia, com a
proposta de proteger as mulheres, todas as mulheres. A filosofia
islâmica é que é sempre melhor prevenir do que remediar. Realmente,
o Alcorão é tão preocupado com a proteção dos corpos das mulheres e
sua reputação, que um homem que se atrever a acusar falsamente uma
mulher de não ser casta, será severamente punido:
"E aqueles que difamarem as mulheres castas, sem apresentarem 4
testemunhas, infligí-lhes oitenta chibatadas e nunca mais aceiteis
os seus testemunhos por que tais homens são transgressores".
Compare-se esta posição alcorânica com a punição extremamente branda
da Bíblia para os casos de estupro: Se um homem encontra uma virgem,
que está na condição de casar e a estupra e eles são descobertos,
ele deve pagar ao pais da moça 50 shekels de prata. Ele deve se
casar com a moça por que ele a violou. Ele não poderá nunca se
divorciar dela enquanto viver (Deuteronômio 22:38/30). Podemos
simplesmente perguntar: Quem é punido realmente? O homem que somente
pagou uma multa pelo estupro ou a moça que se viu forçada a se casar
com o homem que a violentou e a ficar com ele até que ele morra?
Outra questão que se apresenta é: quem proteje mais as mulheres, o
Alcorão com sua postura rigorosa, ou a Bíblia com sua posição mais
branda?
Algumas pessoas, sobretudo no ocidente, têm uma tendência a
ridicularizar a argumentação da modéstia para proteção. Elas dizem
que a melhor proteção é divulgar a educação, o comportamento
civilizado e o auto-controle. E nós dizemos: ótimo, mas
insuficiente. Se o processo de civilização fosse suficiente, então
por que mulheres nos USA não se atrevem a andar sozinhas em ruas
escuras, ou mesmo a cruzar um parque vazio? Se a Educação fosse a
solução, então por que é que uma respeitada universidade como a de
Queen tem um serviço de condução principalmente para as estudantes
no campus? Se o auto-controle fosse a resposta, então por que tantos
casos de molestamento sexual acontecem em locais de trabalho, como
relatados nos jornais a cada dia? Em uma amostra sobre os
molestadores, nos últimos anos, encontramos: marinheiros, diretores,
professores universitários, senadores, juízes da Suprema Corte e até
o Presidente dos Estados Unidos. Eu não posso acreditar em meus
olhos, quando leio sobre as seguintes estatísticas, elaboradas pelo
escritório das mulheres decanas da Universidade de Queens:
* No Canadá, uma mulher é atacada sexualmente a cada seis minutos;
* Uma, em cada três mulheres no Canada, será sexualmente assaltada
em alguma época de suas vidas;
* 1 em 4 mulheres corre o risco de ser estuprada alguma vez;
* 1 em 8 mulheres será atacada sexualmente enquanto estiver no
colégio ou universidade; e
* Um estudo concluiu que 60% dos estudantes universitários
canadenses cometeriam algum tipo de violência sexual se eles
estivessem seguros de não serem descobertos.
Alguma coisa está fundamentalmente errada na sociedade em que
vivemos. Uma mudança radical no modo de vida e na cultura da
sociedade se faz absolutamente necessária. Uma cultura de modéstia é
necessária, modéstia no vestir, no falar e nos modos, tanto de
homens como de mulheres. Caso contrário, as terríveis estatísticas
continuarão a crescer e, infelizmente, as mulheres, sozinhas,
pagarão o preço. Realmente, nós todos sofremos, mas K. Gibran disse
"... porque a pessoa que recebe os golpes não é como a que se
encontra entre elas" (84). Logo, uma sociedade como a francesa, que
expulsa uma jovem de sua escola por causa de suas roupas, acaba, no
final, por, simplesmente, se ferir a si mesma.
Uma das maiores ironias de nosso mundo atual é que, o mesmo véu que
é reverenciado como sinal de "santidade", quando usado pelas freiras
católicas como forma de exibir a autoridade do homem, é mostrado
como forma de "opressão" quando vestido com o objetivo de proteger a
mulher muçulmana.
EPÍLOGO
A questão que se apresenta àqueles não mulçumanos, que leram uma
versão inicial do presente estudo é: As mulheres muçulmanas no mundo
de hoje recebem este nobre tratamento tal como descrito aqui? A
resposta, infelizmente, é: Não. Uma vez que a questão é inevitável
em qualquer discussão referente à condição das mulheres no Islam,
temos que elaborar uma resposta, a fim de fornecer aos leitores um
quadro completo.
Devemos esclarecer, primeiro, que as enormes diferenças entre as
sociedades muçulmanas acabam por fazer generalizações muito
simplistas. Há um vasto espectro de posturas em relação à mulher no
mundo muçulmano atual. Estas posturas diferem de uma sociedade para
outra e dentro de sociedade individual. Contudo, podemos discernir
certos traços gerais. Quase todas as sociedades muçulmanas, em maior
ou menor grau, desviaram-se dos ideais do Islam, com respeito à
condição das mulheres. Estes desvios, na maior parte, se
direcionaram para uma ou duas direções. A primeira é mais
conservadora, restritiva e orientada pelas tradições, enquanto que a
segunda é mais liberal, orientada pelos costumes ocidentais.
As sociedades que se encaminharam para a primeira direção tratam as
mulheres de acordo com os costumes e tradições herdados de seus
ascendentes. Estas tradições, comumente, privam as mulheres de
muitos direitos garantidos a elas pelo Islam. Além disso, as
mulheres são tratadas de acordo com padrões diferentes daqueles
aplicados aos homens. Esta discriminação penetra a vida de qualquer
mulher: ela é recebida com menos alegria ao nascer do que um menino;
ela é menos incentivada a ir para a escola; ela pode ser privada de
qualquer participação na herança de sua família; ela está sob
contínua vigilância com relação a sua modéstia, enquanto que os atos
de imodéstia de seus irmãos são tolerados; ela pode até ser morta
por cometer o que os membros masculinos de sua família comumente se
vangloriam de praticar; ela tem pouca atuação nos assuntos
familiares ou nos interesses comunitários; ela pode não ter o
completo controle sobre suas posses e seus presentes de casamento;
e, finalmente, como mãe, ela preferiria gerar filhos homens a fim de
alcançar uma elevada posição em sua comunidade.
Por outro lado, há sociedades muçulmanas (ou certas classes dentro
de algumas sociedades) que foram varridas pela cultura e modo de
vida do ocidente. Estas sociedades, muitas vezes, imitam, de forma
inimaginável, tudo o que receberam do ocidente e, finalmente, acabam
por adotar os piores frutos da civilização ocidental. Nestas
sociedades, a prioridade máxima na vida de uma típica mulher
"moderna" é realçar sua beleza física. Em razão disso, seu esforço é
mais para compreender sua feminilidade do que preencher sua
humanidade.
Por que as sociedades muçulmanas se desviaram dos ideais do Islam?
Não há uma resposta fácil. Uma explicação penetrante, das razões
pelas quais muçulmanos não aderiram aos preceitos alcorânicos com
relação às mulheres, está além do objetivo deste estudo. Contudo,
deve ser esclarecido que as sociedades muçulmanas também se
desviaram, há muito tempo, dos preceitos islâmicos concernentes a
muitos aspectos de suas vidas. Há uma grande diferença entre o que
os muçulmanos supõem acreditar e o que eles realmente praticam. Esta
diferença não é um fenômeno recente. Tem sido assim por séculos e
continuará aumentando dia após dia. Esta diferença sempre crescente
tem tido conseqüências desastrosas sobre o mundo muçulmano e se
manifestam em quase todos os aspectos da vida: tirania e
fragmentação política, economia, injustiça social, falência
científica, estagnação intelectual, etc. O status não islâmico das
mulheres no mundo muçulmano atual é simplesmente um sintoma de
doença mais profunda. Qualquer reforma no atual status das mulheres
muçulmanas não terá sucesso se não for acompanhada de reformas mais
amplas em todo o modo de vida das sociedades islâmicas. O mundo
muçulmano está necessitando de um renascimento que o aproxime dos
ideais do Islam e não que o afaste deles. Para resumir, a noção,
hoje em dia, de que há um pobre status das mulheres muçulmanas se
deve a uma total incompreensão. Os problemas dos muçulmanos em geral
não são devidos ao fato de eles estarem muito presos ao Islam. Na
verdade, eles se originam exatamente por um longo e profundo
afastamento do Islam.
Deve-se também enfatizar que a proposta deste estudo comparativo não
é, em qualquer hipótese, difamar o judaísmo ou o cristianismo. A
posição das mulheres nas tradições judaico-cristãs pode parecer
retrógrada, se comparada com nossos padrões de final de século XX,
contudo, deve ser encaradas dentro de seu próprio contexto
histórico. Em outras palavras, qualquer avaliação da posição das
mulheres na tradição judaico-cristã tem que levar em conta as
circunstâncias históricas nas quais essas tradições se
desenvolveram. Não pode haver dúvida de que as opiniões dos rabinos
e pastores da Igreja, em relação às mulheres, foram influenciadas
por posturas prevalecentes em suas respectivas sociedades. A própria
Bíblia foi escrita por diversos autores em diversas épocas. Estes
autores não podiam ser imparciais aos valores e modo de vida das
pessoas à volta deles. As leis do adultério no Velho Testamento, por
exemplo, eram tão desfavoráveis às mulheres que elas desafiam
qualquer explicação racional por parte de nossa mentalidade.
Contudo, se nós considerarmos o fato de que as primeiras tribos
judias eram obcecadas pela sua homogeneidade genética e extremamente
desejosas de se distinguirem das outras tribos, e que somente a má
conduta sexual das mulheres casadas podia ameaçar essas caras
aspirações, nós podemos entender, mas não necessariamente nos
simpatizarmos com elas, as razões de tal obsessão. Também, as
ranzinzeis dos padres da Igreja contra as mulheres devem ser
encaradas dentro do contexto da misoginia da cultura greco-romana,
na qual eles viviam. Não seria correto avaliar o legado
judaico-cristão, sem levar em consideração o relevante contexto
histórico.
De fato, a compreensão adequada do contexto histórico também é
crucial para o entendimento do significado das contribuições do
Islam para a história mundial e a civilização humana. A tradição
judaico-cristão foi influenciada e moldada pelo meio ambiente,
condições e culturas existentes à época. No século VII, esta
influência distorceu a mensagem divina revelada a Moisés e Jesus,
muito além do reconhecimento. O pobre status das mulheres no mundo
judaico-cristão no séc. VII é apenas um caso em questão. Em razão
disso, havia uma grande necessidade de uma nova mensagem, que
levasse a humanidade de volta para o camino reto. O Alcorão
descreveu a missão do novo mensageiro como uma libertação para
judeus e cristãos do peso que havia sobre eles:
"São aqueles que seguem o Mensageiro, o Profeta iletrado, o qual
encontram mencionado em suas próprias escrituras - Tora e Evangelho
- o qual lhes recomenda todo o bem e lhes veda o que é mal; ele lhes
alivia de seus pesados fardos e dos grilhões que estão sobre eles"
(7:157)
Portanto, o Islam não deve ser visto como uma tradição rival para o
judaísmo e cristianismo. Ele deve ser encarado como uma consumação,
complementação e aperfeiçoamento das mensagens divinas que foram
reveladas anteriormente.
Ao final desse estudo, gostaria de oferecer o seguinte conselho para
a comunidade muçulmana global. Nega-se a muitas mulheres muçulmanas
os direitos islâmicos básicos. Os erros do passado devem ser
corrigidos. Fazer isto não é um favor, mas sim uma obrigação para
todos os muçulmanos. A comunidade muçulmana mundial deve elaborar um
quadro com as instruções do Alcorão e os ensinamentos do Profeta do
Islam. Este quadro deve garantir a elas todos os direitos doados
pelo Criador. Então, todos os meios necessários têm de ser
desenvolvidos, a fim de assegurar a implementação adequada deste
quadro, o qual se faz necessário há muito tempo. Mas, melhor tarde
do que nunca. Se o mundo muçulmano não garantir os direitos
islâmicos plenos a suas mães, esposas, irmãs, filhas, quem o fará?
Temos que ter a coragem de confrontar nosso passado e rejeitar
completamente as tradições e costumes de nossos ascendentes, sempre
que essas tradições e costumes se contraponham aos preceitos do
Islam. O Alcorão não criticou severamente os árabes pagãos por
seguirem cegamente as tradições de seus ancestrais? Por outro lado,
temos que desenvolver uma atitude crítica em relação a tudo que
recebemos do ocidente ou de qualquer outra cultura. A interação com
e o aprendizado de, são experiências válidas. O Alcorão sucintamente
considerou esta interação como uma das propostas da criação:
``Oh! homens, em verdade Nós vos criamos de um único casal e vos
dividimos em povos e tribos, para reconhecerdes uns aos outros``
(49.13).
Pode-se dizer, contudo, que a imitação cega dos outros é um sinal
certo de uma completa falta de auto-estima. Estas palavras finais
são dedicadas aos leitores não muçulmanos, judeus, cristãos, ou
quaisquer outros. É desorientador o fato de uma religião, que
revolucionou a condição da mulher, estar sendo tachada e denegrida
como sendo uma religião que reprime a mulher. Esta percepção sobre o
Islam é um dos mitos mais difundidos em nosso mundo de hoje. Este
mito está sendo perpetuado por uma enxurrada de livros
sensacionalistas, artigos e imagens na mídia, e filmes de Hollywood.
O resultado inevitável dessas incessantes imagens errôneas tem sido
a incompreensão e o medo a tudo que se refere ao Islam. Este retrato
negativo do Islam na mídia mundial tem que acabar se quisermos viver
em um mundo livre de todos os traços de discriminação, preconceito e
equívoco. Os não muçulmanos devem perceber a existência de uma
imensa diferença entre a crença e a prática muçulmanas e o simples
fato de que as ações dos muçulmanos não representam necessariamente
o Islam. Rotular a condição da mulher no mundo muçulmano de hoje
como "islâmica" está tão longe da verdade quanto rotular a posição
da mulher de hoje, no ocidente, como "judaico-cristã". Com isto em
mente, muçulmanos e não muçulmanos devem começar o processo de
comunicação e diálogo, a fim de remover todos os preconceitos,
suspeitas e medos. Um futuro pacífico para a família humana
necessita de tal diálogo.
O Islam deve ser visto como uma religião que melhorou
consideravelmente a condição da mulher e lhe garantiu muitos
direitos que o mundo moderno só veio a reconhecer neste século. O
Islam ainda tem muito a oferecer à mulher de hoje, dignidade,
respeito e proteção em todos os aspectos e estágios de sua vida,
desde o nascimento até a morte, além do reconhecimento, equilíbrio e
meios para a satisfação de todas as suas necessidades espirituais,
intelectuais, físicas e emocionais. Não espanta que muitos daqueles
que escolhem ser muçulmanos em países como a Inglaterra sejam
mulheres. Nos USA, as mulheres se convertem ao Islam, numa proporção
de 4 para cada homem. O Islam tem muito a oferecer ao mundo de hoje,
que está em grande necessidade de um guia e uma liderança moral. O
embaixador Herman Eilts, testemunhando frente ao comitê de Negócios
Estrangeiros do Congresso americano, em junho de 1985, disse que "a
comunidade muçulmana de hoje está perto de um bilhão. Este é um
número expressivo. Mas, para mim, é igualmente expressivo que o
Islam hoje seja a religião monoteísta que mais cresce no mundo.
Devemos ter isto em conta. Alguma coisa está certa acerca do Islam.
Ele está atraindo uma boa quantidade de pessoas". Sim, alguma coisa
está certa acerca do Islam, e está na hora de encontrá-la. Espero
que este estudo seja um passo nesta direção.
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