
A Mulher e suas Contribuições para o Islam e para a Ummah
Al hamdulillahi Rabi al’alamin, wa salatu wa salamu ála Rasulullah
|
Muitas são as controvérsias a respeito da conduta feminina, principalmente no que se refere ao seu papel nas atividades sociais. Mas tais controvérsias são resultado não apenas da falta de informação e desvios interpretativos, mas como também da intenção de proteção da mulher ante a corrupção e licenciosidade da humanidade sem uma sociedade islâmica. Os textos islâmicos, porém, são claros a respeito do assunto, determinando os direitos e deveres da mulher, assim como as diretrizes de seu comportamento a nível individual e social. A mulher é a maior vítima dessa desinformação, uma vez que é lesada em seus direitos, porém, a sociedade também sofre, uma vez que ela deixa de realizar atividades úteis para Ummah.
Nos
deparamos com dois tipos básicos de situação na atualidade: por um lado,
vemos mulheres que, por não terem uma educação islâmica adequada, e nem
acesso à informação, não compreendem a sabedoria das prescrições
islâmicas: inconformadas com restrições não são capazes de compreender,
acabam cedendo ao ilusório ideal de falsa liberdade, e se afastando dos
ideais islâmicos, negligenciando as ordens de Allah
O Rasulullah “Não deixei atrás de mim nenhuma fitna maior para os homens do que as mulheres.” Os cuidados com o comportamento feminino são muito importantes para saúde da família e da sociedade, por isso a shari’a al-islamiya tem uma preocupação especial em relação ao assunto.
Mas a
ausência de uma sociedade saudável, uma sociedade islâmica, associada à
falta de ensino adequado e, além do fato das mulheres serem mais
vulneráveis à pressão da colonização cultural, levou os homens, com a
intenção de protegeram as mulheres sob sua responsabilidade, à uma
radicalização das prescrições islâmicas, limitando as atividades sociais
da mulher além dos limites de Allah A instrução da mulher, que leva, através do conhecimento, ao amor pelo Islam e à consolidação de consciências, mentalidades e identidades islâmicas, é um assunto vital, que pode significar o sucesso ou o fracasso desta comunidade, uma vez que a mulher que não compreende os ideais islâmicos é mais vulnerável às armadilhas da colonização cultural da aliança cruzado-sionista , e acaba por se tornar uma aliada do inimigo no programa de distorção do Islam.
Hoje em dia, que
encontramos basicamente dois tipos de mulheres: as que imitam os kafireen,
negligenciando as prescrições islâmicas, e as que abandonam seus direitos,
conformadas com a obediência ignorante a limites que elas não compreendem.
Ainda que estas não tragam malefício para a Ummah, o fato delas deixarem
de nos beneficiar com sua ajuda já é em si um prejuízo, e ainda que elas
estejam agradando a Allah
O exemplo legado
pelas esposas do Profeta Buscando Conhecimento
O
primeiro e mais importante papel da mulher na sociedade é o de esposa e
mãe. A instrução e o conhecimento são indispensáveis para qualificação no
bom cumprimento deste papel: nossas mães são nossas primeiras professoras
de Islam e de vida, uma mulher que conhece sua religião e é consciente de
seus deveres islâmicos cria seus filhos numa atmosfera de amor e
obediência a Allah Por isso, a mulher, mesmo que apenas para cumprir seu papel primordial, de esposa e mãe, tem o dever de se instruir, para que seja capaz de compreender seu marido, incentivá-lo à prática das boas ações e criar seus filhos, num ambiente islâmico, ensinando e incentivando a aderência aos valores islâmicos e a prática do Islam. O papel vital da mãe na formação de seus filhos lhe incumbe tal responsabilidade, para que possa dar uma educação islâmica sólida, que formará bons muçulmanos que darão sua contribuição para nossa comunidade. A busca do conhecimento é uma obrigação para homens e mulheres, o Rasulullah(saws) disse: “Buscar conhecimento é um dever de todo muçulmano.” (hadiss hasan narrado por in Maajah)
As
mulheres da geração de ouro eram muito entusiasmadas na busca do
conhecimento, e o fato de serem mulheres não as impedia de ter aulas
direto com o Profeta
“Aponte
um dia especial para que venhamos aprender com você, porque os homens
tomam todo o seu tempo e não deixam nada para nós.” Ele As mulheres das primeiras gerações nunca deixavam que sua vergonha lhes impedisse de perguntar a respeito dos ensinamentos (ahkaan) do Islam, ainda que para homens, porque estavam perguntando pela verdade, e : “Allah não se envergonha (de dizer) a verdade” (TSQ, 33:53)
O fato de o Profeta
“Quando o
período de uma mulher terminar, ela deve pegar água e se purificar
apropriadamente, lavando-se, deve pegar um pedaço de tecido que tenha sido
perfumado com almíscar e limpar-se com ele.” Asma’ perguntou: “Como
devemos nos limpar com ele?” O Profeta
Num outro hadiss, no qual Asma’ pergunta sobre o banho
em estado de janaba, depois do Profeta “Como são boas as mulheres dos ansar! A vergonha não as impede de procurar compreender a religião de maneira apropriada!” (Fath al Baari) As mulheres da primeira geração nunca hesitavam em se empenhar na compreensão dos ensinamentos do Islam, e perguntavam tudo o que não entendiam, até que o assunto ficasse esclarecido. Dentre as mulheres que se destacaram por sua inteligência e conhecimento, o nome de Aisha bint Abu Bakr(ra) é sempre o primeiro a ser mencionado. Além de ser a narradora de inúmeros ahadiss, ela foi a primeira faqeeha(mulher jurisprudente) do Islam, contando apenas com dezenove anos de idade. Era comum os Sahaba(ra) submeterem os assuntos a sua apreciação, e aderirem a sua opinião como palavra final. Seu conhecimento e compreensão não estavam limitados aos assuntos referentes à religião, ela se distinguia nos campos da poesia, história, medicina , literatura, gramática, astronomia, entre outras áreas do conhecimento. Ibn Hishaan, conta de seu pai Urwah ibn az-Zubayr, que disse: “Eu nunca conheci ninguém mais versado em fiqh ou medicina ou poesia do que Aisha’(ra).” (Taarikh at Tabari) Aisha(ra) também era muito eloqüente em suas palestras, e não as resumia a platéias exclusivamente femininas, ensinado também homens, permitindo que eles se beneficiassem de seu vasto conhecimento, tendo levado al-Ahnaf ibn Qays a dizer: “Eu ouvi as palestras de Abu Bakr, Umar, Uthman e Ali(ra), e dos khulafaah que vieram depois deles, mas jamais ouvi uma palestra mais eloqüente que as de Aisha’(ra)”. Musa ibn Talha disse: “Eu nunca vi ninguém mais eloqüente e puro na fala do que Aisha(ra).”(Tirmidhi) Assim, fica claro que a mulher não apenas pode aprender com os homens mas também pode ensinar a eles.
Mesmo após a geração
do Profeta Muitas mulheres se destacaram campo do conhecimento, não só como alunas mas também como professoras. Haafiz ibn Asaakir (morto em 571H, por volta de 1193 ad), um dos mais confiáveis narradores de ahadith, conhecido como “haafiz al-ummah”, conta oitenta mulheres entre seus professores e shaikhs. Como narradoras de ahadith, contam-se centenas de mulheres, que se destacam por sua sinceridade e lealdade à verdade, isto foi comentado pelo Iman al-Haafiz adh-Dhahabi, em seu Mizaan al-I’tidaal, no qual ele declara que encontrou centenas de homens cujos relatos são duvidosos, e comentou: “Eu não soube de nenhuma mulher que foi acusada de faltar com a verdade numa narrativa, ou cujo hadiss foi rejeitado.” Hoje em dia, poucas são as mulheres que se preocupam em buscar pelo conhecimento, e ainda mais raras são as que se empenham em aplicá-lo, agindo de acordo com ele, ou ensinando-o. As mulheres muçulmanas da atualidade devem seguir o exemplo de suas predecessoras, e se empenharem em adquirir conhecimento, qualificando-se como muçulmanas, cidadãs, esposas e mães, aprendendo e ensinando, atendendo a todas as demandas que esta Ummah requer delas, contribuindo com sua comunidade, uma contribuição fundamental, que vem faltando a Ummah há muito tempo. Os homens, por sua vez, também devem seguir os exemplo de seus predecessores, e reconhecer o valor das mulheres de conhecimento, sejam suas filhas, esposas, irmãs ou mães, aprendendo com elas e lhes designando o status que lhes é devido. E também vencendo a barreira do preconceito, que não encontramos nas gerações passadas, e aprendendo com as mulheres de conhecimento, que por certos não são fonte de fitna, uma vez que, enquanto possuidoras de intelecto e conhecimento, sabem se comportar adequadamente, respeitando os limites de Allah(swt) sem, no entanto, privarem-se de aprender ou privarem a sociedade de se beneficiar de seu conhecimento. Um bom entendimento da religião leva homens e mulheres a buscar o conhecimento. Um profundo conhecimento da religião os leva a agir conforme o que sabem. Um deve aprender com o outro, dentro dos limites estabelecidos por Allah(swt), a Ummah conta com a colaboração de ambos: apenas quanto cada membro desta sociedade realizar da da melhor maneira possível seus deveres individuais, como faziam nossos predecessores, esta Ummah voltará a ser o que deve ser, a melhor nação que já surgiu na humanidade.
Ajudando na Causa de
Allah
O
empenho pelo estabelecimento da Lei de Allah
As
primeiras muçulmanas compreendiam seu dever de ajudar na luta pela causa
de Allah
Dentre os mais
importantes exemplos de perseverança e amor pela fé , está Sumaya, a mãe
de Amr ibn Yassir: sua história é uma das mais famosas do Islam, e é o
exemplo do crente que dá pouco valor à vida terrena e se entrega ao
sacrifício pela causa de Allah Nos primeiros tempos do Islam em Makka, Sumaya, seu marido Yassir e seu filho Amr, foram submetidos às mais terríveis torturas por parte dos Quraishitas. Eles eram expostos ao ar livre no deserto árabe no calor do meio-dia, e areia quente era jogada sobre eles, e eram apedrejados. Seu filho Amr, tentando evitar a morte, acabou cedendo, e dizendo as palavras que os mushrikeen desejavam, com o coração cheio de remorso. Concernente a tal episódio, como um consolo para Amr, Allah(swt) colocou uma ressalva no versículo referente à apostasia: “Aqueles dentre vocês que descrerem após terem aceitado a fé, exceto aqueles que o fizeram sob compulsão, permanecendo seus corações firmes na fé...” (TSQ 16:106)
Mas
Sumaya permaneceu firme, paciente, confiante na recompensa de Allah(swt),
recusando-se a ceder às pressões dos mushrikeen, até que Abu Jahl a
trespassou com sua lança, matando-a, dando-lhe a insuperável honra de se
tornar, a primeira mártir do Islam: ela e seu marido Yassir foram os
primeiros muçulmanos que morreram pela causa de Allah
Dentre as
mulheres cujo papel foi essencial na história do Islam destaca-se Asma’
bint Abu Bakr(ra), que ficou responsável por levar água e comida para o
Profeta
Duas
mulheres estavam presentes no Tratado de 'Aqabah, que posteriormente
tiveram oportunidade de provar sua coragem e fé participando de batalhas
junto com o Profeta
Umm Kalthoom bint Uqbah ibn Abi Um’ayt foi um exemplo de força e coragem
quando migrou sozinha de Makka para Madeena, no tempo do Tratado de
Hudaybiyah. Quando ela chegou a Madeena, disse ao Profeta
“Allah
Allah “Oh crentes! Quando as mulheres crentes se apresentarem a vocês, refugiadas, examinam-nas e testem-nas: Allah conhece melhor a fé delas, se você estiver seguro de que elas são crentes, não as mande de volta para os descrentes. Elas não são esposas lícitas para os descrentes, e eles não são maridos lícitos para elas.” (TSQ, 60:10)
Muitas
mulheres também participaram de batalhas junto com o Profeta
O Profeta
“Eu fui a sete campanhas militares como Profeta Bukhari e Muslim transmitiram de Anas(ra);
“No dia
de Uhud, algumas pessoas se dispersaram do Profeta Que grande serviço dar água aos combatentes no calor do Hidjaz numa batalha exaustiva! Que importante papel elas desempenhavam.
Fátima
az-Zahra(ra) também estava presente em Uhud, ela cuidou dos ferimentos de
seu pai
Mas as
mulheres também contribuíram no combate. Uma das mulheres que mais se
destacaram como combatente é Naseebah bint Ka’b al-Maaziniyah, Umm Umara(ra).
No começo da batalha de Uhud, ela, como as outras mulheres, atendia os
feridos e trazia água, mas quando os arqueiros desobedeceram o comando do
Profeta
“Sua mãe,
sua mãe! Veja seus ferimentos! Que Allah
A jihad de Umm Umara(ra) não se limitou a participação
em Uhud, ela também esteve presente no Tratado de Aqaba, em al-Hudaybiyah,
Khaibar e Hunayn, onde também teve uma conduta heróica. Durante o governo
de Abu Bakr(ra), ela participou da batalha de Yamamah, onde lutou
brilhantemente, recebeu onze ferimentos e perdeu uma das mãos. O Profeta
Outra mulher combatente foi Umm Sulaym bint Milhan, que assim
como as outras mulheres, costumava ir ao campo de batalha para atender os
feridos e dar água aos combatentes, mas ela se destaca pelo seu
comportamento na Batalha de Hunayin. Mesmo estando nos últimos meses de
gravidez, Umm Sulaym fez questão de acompanhar seu marido Abu Talha(ra) e
o Profeta
“No dia de Hunayin, Umm Sulaym empunhou uma adaga. Abu Tallha
a viu e disse: “ Oh Rasulullah, Umm Sulayim tem uma adaga!” Ele
Umm
Sulayim ficou firme ao lado do Profeta “Eu estava no Paraíso, e então vi al-Rumaysa(apelido de Umm Sulaym), esposa de Abu Talha!” (Bukhari e Muslim)
Ele Bukhari transmitiu de Anas(ra):
“O
Rasulullah(saws) visitou a filha de Milhan, e adormeceu um pouco. Então
ele Anas continua: “Ela se casou com Ubaada ibn as-Samit, e saiu para al-jihad com ele, e vijou pelo oceano junto com a filha de Qaraza(esposa de Mwuayia). Quando ela voltou, seu cavalo a derrubou, ela caiu e morreu.“ O túmulo de Umm Haram, no Chipre, permanece como o memorial da muçulmana que combateu pela causa de Allah(swt).
Asma’
bint Yazid ibn as-Sakan al-Ansaariya também escreveu seu nome entre as
mulheres combatentes. Ela participou da batalha de al-Khandaq com o
Profeta “As mulheres muçulmanas lutaram neste dia, e mataram um grande número de romanos. Elas acertavam todos os muçulmanos que tentavam fugir dizendo: ‘Onde vocês estão indo? Vão dos deixar a mercê dos infiéis?’, quando elas lhes falavam deste jeito, eles não tinham escolha senão voltar.” Neste dia, Asma’ bint Yazid lutou extremamente bem, demonstrando uma coragem que falta a muitos homens. Ela avançou com as linhas de ataque e acertou um grande numero de mushrikeen. Ibn Hajar narrou: “Umm Salamah al-Ansariya(Asma’bint Yazid) estava presente em Yarmuk. Naquele dia ela matou nove romanos.”
Muitas
são as histórias das mulheres que colaboraram, se empenharam e combateram
pela causa de Allah As mulheres devem resguardar-se da fitna, mas devem tirar os véus de suas mentes, percebendo o quanto podem colaborar com esta nação, disponibilizando suas habilidades a serviço da causa de Allah(swt), compreendendo que atuar na causa de Allah(swt) não implica em ultrapassar Seus limites.
Para
revitalizar esta comunidade, devemos seguir o exemplo de nossos
predecessores, as melhores gerações de muçulmanos, homens e mulheres, e
aprender com eles que recato não quer dizer inércia, que pureza não quer
dizer inatividade, e que o sucesso da Ummah depende de todos nós, depende
da realização de nossos deveres individuais, sendo o empenho pela causa de
Allah
A informação e
educação são os primeiros passos no caminho para uma melhor compreensão,
por parte de homens e mulheres, de seus direitos, deveres e limites,
assim como para que a mulher possa cumprir seu importante papel na
sociedade islâmica, colaborando tanto para restabelecimento do Estado
Islâmico, como para seu fortalecimento, estabilidade e manutenção. Assim,
as mulheres devem procurar o conhecimento islâmico, e os homens devem
incentivá-las e lhes ensinar os limites de Allah Ihya' Ulum ad-Din, Brasil Shawwal,1427/ outubro, 2006 aisha_aini@hotmail.com |