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Muhammad O Mensageiro de Deus!
Que Deus louve sua Menção
Abdurrahman al-Sheha
Tradução: Lic. Muhammad Isa García Revisão: Ana María Gonzalez Litardo
(Versão Brazil) Khadija Machado (Versão Portugal) Escritório de difusão do
Islã de Rabwah www.islamhouse.com
Primeira Edição, 1428/2007. Copyright © 2007 Abdurrahman al-Sheha. Todos
os direitos reservados. Este texto pode ser utilizado por qualquer pessoa
que cumpra com os seguintes requisitos: 1. O texto deve ser citado em seu
contexto, sem acréscimos e sem supressões. 2. Mencionar a fonte da citação
e seu autor. Deus é quem concede o êxito. Queremos expressar nosso sincero
apreço a todos os que contribuíram para a publicação deste livro. Que Deus
os recompense por seu esforço. Se há alguma correção, comentário ou
pergunta a ser feita sobre esta publicação, não hesite em comunicar-se
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[4616] Publicado por: Escritório de difusão do Islã em Rabwah. Tel.
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Índice
1. Introdução
2. Quem é o profeta
Muhammad ( )?
3. Sua linhagem
4. Nascimento e
infância
5. A descrição do
profeta
6. Atitudes e
características do Profeta ( )
7. A ética do Profeta
( )
8. Declarações de
justiça e equidade
9. As esposas do
Profeta ( )
10. Provas dos
textos bíblicos que confirmam Muhammad ( )
como Profeta
11. Provas do
Alcorão
12. Provas da Sunnah
13. Escrituras
Sagradas prévias
14. No Evangelho
15. Provas
intelectuais que confirmam o Profeta ( )
16. O que implica o Testemunho de Fé
17. Conclusão
Todos os louvores são para Deus, o
Senhor 1 dos mundos, e que Deus exalte a menção de Seu
Profeta, e que proteja a sua casa tornando-a segura de todo mal. Quando se
fala do Profeta Muhammad 2 deve ter-se em conta que se
está falando do maior indivíduo da historia. E [esta] não é uma frase sem
fundamento; quem lê a sua biografia e aprende suas atitudes e ética, e ao
mesmo tempo se mantém afastado de todos os preconceitos, seguramente
chegará a esta conclusão. Alguns não muçulmanos, que têm um caráter justo,
também chegaram a esta conclusão. O Professor Hassan Ali, que Deus tenha
piedade dele, disse em sua revista Nur al-Islam, que um colega seu de
religião Brâmane 3 disse lhe uma vez: Reconheço e creio
que o Mensageiro do Islã é o maior e mais prudente homem de toda a
história. O Professor Hassan Ali, que Deus tenha piedade dele,
perguntou-lhe: Por que o consideras o maior e mais prudente homem de toda
a história? Este lhe respondeu: Nenhum homem possuía as características,
as atitudes e a ética que ele tinha em conjunto. Ele era um rei, sob cujo
reinado a península estava unificada; mas era humilde. Ele acreditava que
o domínio era só de Deus. Chegavam-lhe grandes riquezas, mas vivia em
estado de pobreza; o fogo não ardia em sua casa durante muitos dias e ele
permanecia com fome. Era um grande líder; guiava uns poucos a lutar contra
milhares, e mesmo assim os derrotava de maneira decisiva. Amava os acordos
de paz, e os entabulava com firmeza de coração, se bem que tinha a seu
lado milhares de bravos e valentes Companheiros. Cada Companheiro era
muito valente e enfrentava sozinho milhares de inimigos, mas não se sentia
nem um pouco intimidado. Mas o Profeta tinha coração terno e piedoso; não
queria derramar uma gota de sangue. Estava profundamente preocupado com os
assuntos da Península Arábica, mas não descuidava os assuntos da sua
família, do seu lar e dos pobres e necessitados. Mostrava com prazer o
Islam àqueles que haviam perdido o rumo. Em geral, era um homem preocupado
com a melhoria e o bem estar da humanidade, mas não se interessava em
amealhar uma fortuna mundana. Ocupava-se em adorar a Deus e amava fazer
coisas que O compraziam. Nunca se vingava por razões pessoais. Rezava
inclusive pelo bem estar dos seus inimigos e os advertia do castigo de
Deus. Era ascético a respeito dos assuntos mundanos e adorava a Deus toda
a noite. Era o soldado bravo e valente que lutava com a espada, e o
infalível Profeta o conquistador que conquistava nações e paises. Dormia
em uma cama feita de palha e uma almofada feita com grossas fibras. O povo
o coroou como Sultão dos árabes, o Rei da Península Árabe, mas sua família
levava uma vida simples, mesmo depois de receber grandes fortunas; as
riquezas se acumulavam na mesquita. Fátima 4 se queixou,
certa vez, pelo árduo trabalho que fazia, pelo pilão e pela jarra de água
que costumava carregar e que deixavam marcas em seu corpo. O Mensageiro
não lhe deu um serviçal, nem lhe deu um pouco de sua riqueza; apenas lhe
ensinou umas palavras e súplicas. Seu Companheiro Ummar 5,
veio a sua casa, olhou seu quarto e não viu mais que uma cama de palha
onde estava sentado o Profeta, e que havia deixado marcas em seu corpo. Os
únicos víveres que havia em sua casa eram meio Saa 6 de
cevada em um recipiente, e uma pele para guardar água que pendurava na
parede isso era tudo que o Mensageiro de Deus possuía no momento em que
metade dos árabes estava sob seu controle. Quando Umar viu isto, não pôde
controlar-se e rompeu em pranto. O Mensageiro de Deus disse: Por que
choras Umar?. Ele respondeu: Por que não haveria de chorar? Cosroes e
César desfrutam deste mundo e o Mensageiro de Deus só possui o que posso
ver. Respondeu-lhe: Oh Umar, não te comprazeria saber que isso é o que
lhes toca a Cosroes e César neste mundo, e que no Além o prazer será
somente para nós? Quando o Profeta examinava suas tropas antes de ocupar
Meca, Abu Sufyan (um de seus inimigos) estava parado perto de Abbas, tio
do Profeta, e admirava os estandartes do exército muçulmano. Sufyan ainda
não era muçulmano. Surpreendeu-se ante o grande número de muçulmanos que
avançavam em direção a Meca, como uma torrente de água. Ninguém podia
detê-los e nada se interpunha em seu caminho. Abu Sufyan disse então a
Abbas: Oh Abbas, teu sobrinho se converteu num grande Rei! Abbas
respondeu, dizendo: Não é um rei, mas um profeta e transmite a Mensagem do
Islam. Adi at-Tai, que era um paradigma de generosidade, assistiu à
Assembléia do Profeta, enquanto ainda era cristão. Quando viu como os
Companheiros engrandeciam e respeitavam o Profeta, ficou confuso. Era
Profeta ou rei? Perguntou para si mesmo: É um rei ou um Mensageiro dos
Mensageiros de Deus? Enquanto procurava uma resposta para essa pergunta,
uma mulher pobre veio ao Profeta e lhe disse: Quero te contar um segredo.
Ele lhe disse: Em que caminho de Medina queres que nos encontremos? O
Profeta ( ) partiu
com a mulher e atendeu às suas necessidades. Quando Adi viu a humildade do
Profeta, deu-se conta da verdade; desfez-se das cruzes que levava consigo
e se converteu em muçulmano. Mencionaremos algumas frases dos
orientalistas a respeito de Muhammad, que Deus exalte sua menção. Como
muçulmanos, cremos no Profeta ( )
e na sua Mensagem, mas mencionamos estas frases pelas seguintes razões:
a. Para que sirvam de lembrança e
advertência aos supostos muçulmanos que abandonaram seu Profeta, para que
se apressem e regressem à sua religião 7.
b. Para que os que não são muçulmanos
saibam quem é o Profeta a partir das palavras de seu próprio povo e possam
assim ser guiados ao Islam.
Peço-lhes que não sejam preconceituosos
na hora de buscar a verdade, ou lendo algum outro material islâmico. Peço
a Deus que os faça abrir seus corações para que aceitem a verdade, que
lhes mostre o caminho correto e os inspire a segui-lo.
1 A palavra utilizada no Sagrado
Alcorão é Rabb. Não há nenhuma equivalente, apropriada para Rabb no idioma
português, já que este vocábulo inclui os seguintes significados: o
Criador, o Desenhista, o Provedor, de Quem todas as criaturas dependem
para sobreviver e o Que dá a vida e a morte. 2 Este termo
árabe significa, queira Deus honrá-lo e protegê-lo de todo mal.
3Brahmán: membro da mais alta das quatro castas hindus: a casta
sacerdotal. 4 Fátima era uma das filhas do Profeta.
5 Um dos companheiros próximos do Profeta, e o segundo Califa depois
de sua morte. 6 Saa’: É uma medida de capacidade
equivalente a quatro palmos. 7 A palavra traduzida como
religião é ’Din’ que em árabe normalmente se refere a um estilo de vida
que é privado e público. É um termo que significa: atos de culto, vida
cotidiana, prática e política.
Muhammad, O mensageiro de Deus ( )
Abdurrahman b. Abdul-Kareem al-Sheha
Riyadh, 11535
P.O. Box 59565
Email: alsheha@yahoo.com
http://www.islamland.org
Quem é
o Profeta Muhammad( )?
Sua linhagem:
Ele é Abul-Qasim (pai de Al-Qasim)
Muhammad, filho de Abdullah, filho de Abdul-Mutalib. Sua linhagem remonta
à tribo de Adnan, filho de Ismael [o Profeta de Deus, filho de Abraão] que
Deus exalte sua menção. Sua mãe foi Aminah, filha de Wahb.
O Profeta ( ) disse:
Certamente Deus escolheu a tribo de Kinanah entre todas as tribos dos
filhos de Ismael; Ele escolheu os Quraish entre todas as tribos de Kinanah;
Ele escolheu Banu Hashim entre todas as outras famílias dos Quraish; e me
escolheu que sou de Banu Hashim. (Muslim, 2276)
Assim, o Profeta ( )
tem a linhagem mais nobre deste mundo. Seus inimigos assim o afirmavam;
Abu Sufyan, que era arqui-inimigo do Islam, antes de converter-se em
muçulmano, afirmou-o frente a Heraclio 8.
Abdullah b. Abbas, que Deus seja
complacente com ele, narrou que o Mensageiro de Deus ( )
escreveu a César e o convidou a entrar no Islam. Escreveu-lhe uma carta
que foi entregue ao Governador de Busra, que por sua vez a reenviou a
César.
César, em agradecimento a Deus, foi
caminhando de Hims a Ilya (Jerusalém), quando Deus lhe outorgou a vitória
sobre as forças persas. Então, quando chegou a carta do Mensageiro de
Deus, disse depois de lê-la : Busquem qualquer pessoa do seu povo (árabes
da tribo Quraish), para perguntar-lhe sobre o Mensageiro de Deus!
8 Imperador do Império bizantino
(610-641) que conquistou a Síria, Palestina e Egito à Pérsia (613-628).
Nesse momento, Abu Sufyan bin Harb se encontrava em Sham 9
com uns homens de Quraish que tinham vindo (a Sham) como mercadores,
durante a trégua que haviam concluído, entre o Mensageiro de Deus e os
incrédulos de Quraish. Abu Sufyan disse: O mensageiro de César nos
encontrou em algum lugar de Sham e nos levou, a mim e aos meus
companheiros a Ilya, ante a presença de César e o encontramos sentado em
seu trono real, com sua coroa e rodeado de altos dignitários bizantinos.
Ele disse ao seu tradutor: Pergunta-lhes quem de entre eles tem algum
parentesco com o homem que disse ser profeta. Abu Sufyan acrescentou:
Respondi-lhe: Sou seu parente mais próximo. Perguntou-me: Qual é teu
parentesco com ele? Respondi-lhe: É meu primo, e não havia ninguém na
caravana de Bani Abd Manaf, exceto eu.César disse: Que se aproxime. E logo
ordenou que meus companheiros permanecessem atrás de mim e disse ao
tradutor: Diga a seus companheiros que vou perguntar a este homem sobre o
homem que diz ser profeta. Se ele mentir, devem contradizê-lo
imediatamente. Abu Sufyan acrescentou:
Por Deus! Se não fosse uma vergonha que meus companheiros me chamassem de
mentiroso, não lhe teria dito a verdade quando me perguntou. Mas me
pareceu uma desonra que meus companheiros me chamassem de mentiroso, por
isso disse a verdade. Logo disse ao seu tradutor: Pergunta-lhe a que tipo
de família pertence. Respondi-lhe: Pertence a uma família nobre. Logo
disse: Alguma vez outra pessoa afirmou ser o mesmo que ele disse ser?
Respondi-lhe: Não. Logo disse: Alguma vez o acusaram de mentir?
Respondi-lhe: Não. Disse então: Algum dos seus ancestrais foi rei? Minha
resposta foi: Não. Logo acrescentou : Seguem-no os ricos ou os pobres?
Respondi-lhe : Os pobres o seguem. Disse me logo: Seguem-no mais ou menos
pessoas, cada dia que passa? Respondi-lhe: Seguem-no, cada dia, mais
pessoas. Disse-me: Alguns dos que adotam sua religião se desiludem e logo
deixam de lado sua religião? Respondi-lhe: Não quebra suas promessas?
perguntou-me. Respondi-lhe: Não, mas neste momento estamos em uma trégua
com ele e temos medo de que nos traia. Abu Sufyan acrescentou:
Fora sua última oração, nada pude dizer contra ele. Então César perguntou:
Alguma vez tiveram uma guerra contra ele? Sim,
respondi-lhe. Disse-me: Qual foi o resultado dessas batalhas com ele? Ás
vezes ele ganha, às vezes, nós ganhamos, foi minha resposta. Disse então:
Que coisas lhes ordena?. Disse-lhe: Mandamos que adoremos somente a Deus,
que não adoremos a outros além d Ele, e que deixemos de lado tudo que
adoravam nossos ancestrais. Ordena-nos que oremos, que façamos caridade,
que mantenhamos a castidade conjugal , que cumpramos nossas promessas e
que devolvamos aquilo que nos emprestam. Quando disse isso, César disse ao
seu tradutor: Diga-lhe: Perguntei-te sobre sua linhagem e tua resposta foi
que pertencia a uma família nobre. De fato, todos os Mensageiros vinham da
mais nobre das linhagens dos seus respectivos povos. Logo, te perguntei se
alguém mais dizia ser o que ele diz ser, e tua resposta foi negativa. Se a
resposta tivesse sido afirmativa, pensaria que este homem diz ser algo que
já foi dito antes dele. Quando te perguntei se alguma vez o acusaram de
mentir, tua resposta foi negativa; eu considero sensato que uma pessoa que
não mente para as pessoas também não minta sobre Deus. Logo te perguntei
se algum dos seus ancestrais foi rei. Tua resposta foi negativa, e se
houvesse sido afirmativa teria pensado que este homem pretendia recuperar
seu passado real. Quando te perguntei se o seguem os ricos ou os pobres,
me respondeste que são os pobres que os seguem.
De fato, eles são os seguidores dos
Mensageiros. Logo te perguntei se seus seguidores são mais ou menos a cada
dia. Respondeste que cada vez são mais. De fato, isso é resultado da
verdadeira fé, até que esteja completa (em todos os sentidos). Perguntei
te se havia alguém, que logo após adotar sua religião, desiludiu-se e
descartou sua religião; tua resposta foi negativa. De fato, é um sinal da
verdadeira fé, pois quando seu prazer entra e se mistura completamente nos
corações, ninguém se desilude. Perguntei-te se alguma vez tinha quebrado
uma promessa. Tua resposta foi negativa. E assim são os Mensageiros; nunca
rompem suas promessas. Quando te perguntei se alguma vez combateram, me
respondeste que às vezes o fizeram, e que em algumas ocasiões ele saía
vitorioso, em outras vezes, vocês. De fato, assim são os Mensageiros; são
postos à prova e a vitória final sempre é deles. Logo te perguntei que
coisas lhes ordenava. Respondeste-me que lhes ordenava adorar somente a
Deus e não adorar a outros, junto com Ele ; deixar de lado o que seus
ancestrais costumavam adorar, suplicar, dizer a verdade, ser casto,
cumprir as promessas, e devolver aquilo que lhes é confiado. Essas são em
realidade as qualidades de um profeta que eu sabia que viria (segundo as
Escrituras anteriores), mas não imaginava que seria um de vocês. Se o que
dizes é verdade, logo ele ocupará o solo que está sob meus pés, e se
pudesse iria até ele imediatamente para conhecê-lo e lavaria seus pés. Abu
Sufyan acrescentou:
César pediu a carta do Mensageiro, que foi lida. A mesma dizia: "Em nome
de Deus, o Misericordioso, o Compassivo. De Muhammad, o servo de Deus e
Seu Mensageiro a Heraclio, Soberano dos bizantinos: Paz para quem segue a
guia. Convido-te ao Islam; torna-te muçulmano e estarás a salvo e Deus te
recompensará duas vezes. Mas se Lhe viras as costas, sobre ti recairá o
pecado de teus súditos.
"Gente do Livro! Sejamos unânimes: Que
não adoreis senão a Deus e não o associeis a nada nem vos tomeis uns aos
outros
por senhores, distantes de Deus; e se derem as costas, dizei: Testemunhai
que somos muçulmanos." (Alcorão 3: 64) Abu Sufyan acrescentou:
Quando Heraclio terminou seu discurso, produziu-se um enorme clamor e um
grito por parte dos dignitários bizantinos que o rodeavam, e havia tanto
ruído que não se entendia o que diziam. Então, ordenaram-nos que saíssemos
da corte. Quando saí com meus companheiros e estávamos sozinhos, disse
lhes: Certamente, o assunto do Profeta ganhou poder. O Rei dos bizantinos
o teme. Abu Sufyan acrescentou:
Por Deus, cada vez estava mais seguro de que sua religião obteria a
vitória até que terminei por aceitar o Islã. (Bujari, 2782)
9 Esta é uma região histórica do Médio
Oriente que circunda o Mediterrâneo. Inclui os estados modernos da Síria,
Líbano, Palestina e Jordânia.
Nascimento e
Infância
O Profeta ( )
nasceu no ano 571 (segundo o calendário gregoriano), na tribo de Quraish,
[considerada nobre por todos os árabes] em Meca [considerada a capital
religiosa da Península Árabe.]
Os árabes realizavam a peregrinação a
Meca, e caminhavam ao redor da Kabah construída pelo Profeta Abraão e seu
filho o Profeta Ismael, que Deus exalte sua menção. O Profeta ( )
era órfão. Seu pai faleceu antes de ele ter nascido e sua mãe morreu
quando tinha seis anos. Seu avô, Abdul-Mutalib cuidou dele e quando
morreu, seu tio Abu Talib assumiu essa função. Sua tribo e as outras da
época adoravam ídolos de pedra, madeira e inclusive de ouro. Alguns destes
ídolos foram colocados em volta da Kabah. As pessoas acreditavam que esses
ídolos podiam afastar o mal ou provocar o bem.
O Profeta ( )
foi um homem honesto e confiável. Nunca teve um comportamento traiçoeiro,
nem mentia nem enganava; era conhecido entre sua gente como Al-Amin, ou O
Confiável. As pessoas lhe confiavam seus objetos de valor quando iam
viajar. Também era conhecido como As-Sadiq, ou O Sincero, pois nunca
mentia. Tinha bons modos, era bem falante e amava ajudar as pessoas . Sua
gente o amava e o reverenciava. Deus, o Altíssimo, disse;
Certamente és de uma natureza e moral
grandiosas. [68:4]
Thomas Carlyle disse o seguinte em seu
livro ’Heroes, Hero-Worship and the Heroic in History’:
... desde uma tenra idade, se destacou como um homem inteligente. Seus
companheiros o chamavam Al Amin, O Fiel. Foi um homem fiel e verdadeiro;
sincero em suas ações, em suas palavras, e em seus pensamentos. Sempre
havia um significado no que fazia e dizia. Ainda que taciturno ao falar e
calado quando não havia nada a dizer, era pertinente, sábio e sincero
quando falava e sempre colocava um manto de luz sobre o assunto. E essas
são as únicas palavras que de verdade vale a pena pronunciar! Na vida,
descobrimos que era considerado um homem sólido, fraternal e genuíno.
Personagem sério e sincero, mas ao mesmo tempo simpático, cordial,
companheiro e inclusive jocoso apesar de tudo, sempre ria: Há homens cujo
riso é falso, como tudo o que sai deles; homens que não podem rir. Ele era
um homem espontâneo, apaixonado, mas, ao mesmo tempo, justo e sincero.
O Profeta
gostava de se enclausurar na caverna de Hira, antes de se tornar profeta.
Ficava ali muitas noites seguidas.
Jamais enganou; não ingeria bebidas embriagantes, nem se inclinava ante um
ídolo ou uma estátua; tampouco jurava ante eles nem lhes fazia oferendas.
Foi pastor de um rebanho de ovelhas que pertencia ao seu povo. O Profeta
disse: Todo Profeta encomendado por Deus foi pastor de um rebanho de
ovelhas. Seus companheiros lhe perguntaram: Inclusive tu, Mensageiro de
Deus? Ele respondeu: Sim, eu cuidei de um rebanho de ovelhas para o povo
de Meca. (Bujari 2143)
Quando o Profeta Muhammad
cumpriu quarenta anos, recebeu uma revelação divina; encontrava-se na
caverna de Hira. Aishah(esposa do profeta), que Deus esteja comprazido com
ela, disse: O que primeiro recebeu o Mensageiro de Deus ,
enquanto se encontrava na Caverna de Hira em Meca, foram visões boas
[sonhos]. Cada vez que tinha um sonho, fazia-se realidade e ficava claro
como o alvorecer. Mais tarde, o Mensageiro de Deus
começou a amar o estar sozinho, meditando. Passava dias e noites inteiras
para cumprir com seu propósito, na caverna, antes de regressar para sua
família. Levava uma ração de alimentos para sua estadia. Quando voltava
para sua esposa khadijah(foi a primeira esposa do profeta) que Deus esteja
comprazido com ela, buscava mais alimentos frescos y regressava à Caverna
para continuar meditando.
A verdade chegou-lhe quando se
encontrava na Caverna de Hira. O anjo Gabriel se aproximou de Muhammad
e ordenou-lhe que lesse. Muhammad
respondeu-lhe: Não sei ler!. Gabriel abraçou Muhammad
até que este não pôde mais respirar, e o soltou:
Oh Muhammad ! Leia!. Novamente, Muhammad
respondeu: Não sei ler!. Gabriel abraçou Muhammad
pela segunda
vez. Logo, ordenou-lhe que lesse pela terceira vez, e o abraçou fortemente
até que não pôde mais respirar, e o soltou dizendo: Oh, Muhammad! Leia! Em
nome do teu Senhor, Quem criou todas as coisas. Criou o homem de um
zigoto. Leia! Que teu Senhor é o mais Generoso. [96:1-3]
O Mensageiro de Deus
regressou tremendo a sua casa. Entrou e disse a Kadijah: Cobre-me,
cobre-me ! Khadijah, que Deus esteja comprazido com ela, cobriu Muhammad
até que ele se sentiu melhor. Logo contou a sua esposa o que lhe havia
sucedido na Caverna de Hira. Disse: Temi por minha vida. Khadijah, que
Deus esteja comprazido com ela, tranqüilizou Muhammad
dizendo: Por Deus! Não deves te preocupar! Deus, o Exaltado, nunca te
humilharia! És bom com os teus pares. Ajudas aos pobres e necessitados. És
generoso e hospitaleiro com os teus hóspedes. Ajudas aqueles que
necessitam.
Khadijah, que Deus esteja comprazido com
ela, levou seu esposo Muhammad
à casa de um primo seu, chamado Waraqah bin Nawfal bin Asad bin Abdul Uzza.
Esse homem havia se convertido ao cristianismo durante a era pagã. Era
escriba de Escrituras hebraicas. Era um ancião que havia perdido a vista
nos últimos anos de sua vida. khadijah, que Deus esteja comprazido com
ela, disse a seu primo: Oh primo meu, escuta o que teu sobrinho [quer
dizer, Muhammad , que Deus exalte sua menção] está a ponto de contar-te!
Waraqah disse: O que viste, querido sobrinho?. O Mensageiro de Deus
contou-lhe o sucedido na Caverna de Hira. Ao ouvir o relato, Waraqah
disse: Por Deus! É o anjo Gabriel quem apareceu ante o Profeta Moisés, que
Deus exalte sua menção. Oxalá pudesse eu estar com vida quando teu povo te
tire de Meca. O Mensageiro de Deus
perguntou: Vão expulsar-me de Meca?. Waraqah respondeu afirmativamente
dizendo: Nunca um homem transmitiu uma Mensagem semelhante à que levas
contigo, sem que seu povo haja entabulado guerra contra ele se chego a ser
testemunha disso, dar-te-ei meu apoio. Waraqah faleceu pouco tempo depois
desse incidente. As revelações também cessaram logo. (Bujari, 3).
O versículo do Alcorão citado no hadiss
12 anterior marca quando começou sua missão profética.
Logo Deus, o Exaltado, revelou-lhe: Oh, tu [Muhammad] que te envolves no
manto! Levanta-te e adverte [aos homens]. Proclama a grandeza de teu
Senhor, purifica tuas vestimentas. [74:1-4]
Este versículo do Alcorão marca o começo
de sua missão como Mensageiro. Com a revelação deste capítulo do Alcorão,
o Profeta começou
abertamente a convocar seu povo ao Islã. Começou com seu próprio povo.
Alguns se negaram a escutá-lo porque os convidava para algo que nunca
haviam visto antes.
O Islam é uma forma de vida completa,
que trata de temas religiosos, políticos, econômicos e sociais. Além
disso, a religião do Islã não os convocava apenas para que adorassem
somente a Deus e que deixassem de lado todos os ídolos e coisas que
adoravam; também proibia coisas que considerava prazerosas, como a usura
ou o consumo de bebidas alcoólicas, a fornicação e os jogos de azar.
Também convocava as pessoas a serem justas entre si, e a conhecer que não
há diferença entre elas salvo através de uma correção na forma de vida.
Como podiam os de Quraish [a tribo mais nobre dos árabes] serem tratados
de igual maneira que os escravos! Não somente se negaram totalmente a
aceitar o Islam, como também culpavam e magoavam o Profeta
dizendo que estava louco, que era um feiticeiro e mentiroso. Culpavam-no
por coisas que não o haviam culpado antes da chegada ao Islã. Incitavam as
massas e os ignorantes a que se pusessem contra ele e também torturaram
seus companheiros. Abdullah b. Masud, que Deus esteja comprazido com ele,
disse :
Enquanto o Profeta
se encontrava de pé orando perto da Kabah, um grupo de Quraish estava
sentado, e um deles disse: Vêem esse homem? Quem pode trazer a sujeira e
as fezes dos camelos, esperar que ele se incline para jogá-las sobre suas
costas? Os piores se ofereceram para fazê-lo e quando o Profeta
se prostrou, puseram as fezes sobre suas costas, mas o Profeta
continuou prostrado. Riram tanto que quase caíram. Alguém foi buscar
Fátima, que Deus esteja comprazido com ela, que era apenas uma jovenzinha,
e lhe informaram o que havia acontecido. Ela correu até o Profeta ,
limpou-lhe a sujeira das espáduas, e logo se voltou e amaldiçoou os da
tribo Quraish que se encontravam sentados ali. (Bujari,498)
Munib al-Azdi disse : Vi o Mensageiro de
Deus dizer ao povo durante a era pagã: Testemunhem que não existe deus
digno de louvor exceto Deus, se querem alcançar êxito. Alguns cuspiram em
sua cara, outros lhe atiraram terra no rosto, e outros o insultaram até ao
meio-dia. Cada vez que uma menina se aproximava com uma vasilha de água,
ele lavava as mãos e o rosto e dizia: Oh filha, não tenhas medo de que teu
pai seja humilhado ou atormentado pela pobreza. (Muyam al-Kabir, 805)
Urwah b. az-Zubair disse: Pedi a
Abdullah b. Amr al-Aas que me contasse a pior coisa que os pagãos haviam
feito ao Profeta e
ele me disse:
Uqbah b. Muait se aproximou do Profeta
enquanto ele orava perto da Kabah, e lhe retorceu sua túnica em volta do
pescoço. Abu Bakr (O companheiro mais íntimo do
Profeta e o primeiro Califa do Islam depois de sua morte)
que Deus esteja comprazido com ele, aproximou-se rapidamente, agarrou
Uqbah pelo ombro e o afastou dizendo: vais matar um homem só porque
proclama a Deus como seu Senhor e tem claros sinais do teu Senhor? (Bujari,
3643)
Estes incidentes não detiveram o Profeta
em sua prédica. Convocou ao Islã muitas tribos que vinham a Meca realizar
a Peregrinação(a Meca) Alguns eram do povoado de Yazrib, conhecido hoje
como Medina, e juraram ser-lhe leais e ajudar-lhe se optasse por ir a
Medina. Ele enviou Musab b. Umair, que Deus esteja comprazido com ele,
para que lhes mostrasse o Islam. Depois de todas as dificuldades que os
muçulmanos tiveram que enfrentar por parte de seu próprio povo, Deus lhes
permitiu emigrar de sua cidade para Medina. O povo de Medina os recebeu de
uma maneira extraordinária. Medina se converteu na capital do estado
islâmico, e o ponto do qual começou a expandir-se a prédica do Islã. O
Profeta instalou-se
ali e mostrou ao povo a recitação alcorânica e a jurisprudência islâmica.
Os habitantes de Medina se comoveram muito com os modos do Profeta.
Amavam-no mais que a si mesmos; esmeravam-se por servi-lo e gastavam tudo
o que tinham, em sua homenagem. A sociedade era forte, seu povo era rico
em termos de Fé e eram muito felizes. O povo se amava e reinava uma
verdadeira fraternidade entre as pessoas. Todos eram iguais; ricos, nobres
e pobres, brancos e negros, árabes e não árabes todos eram considerados
iguais para a religião de Deus, não havia nenhuma distinção entre as
pessoas, salvo através da piedade. Assim que a prédica do Profeta se
expandira em Medina, os mecanos(povo de Meca) atacaram o Profeta
na primeira batalha do Islã, a Batalha de Badr. Esta batalha teve lugar
entre dois grupos desiguais em armamento e preparação. Os muçulmanos eram
314, enquanto os pagãos somavam 1000 homens apetrechados. Deus deu a
vitória ao Profeta e
seus Companheiros. Depois desta batalha aconteceram muitas outras entre os
muçulmanos e os pagãos. Depois de oito anos,
o Profeta pôde
preparar um exército de 10.000 homens. Empreenderam a marcha para Meca e a
conquistaram, derrotando assim seu povo, que o havia perseguido e
torturado. Muitos muçulmanos, inclusive, haviam sido obrigados a abandonar
suas propriedades e riquezas, e fugir para salvar suas vidas. Derrotou-os
de maneira decisiva, e esse ano foi chamado O Ano da Conquista. Deus, o
Exaltado, diz no Alcorão:
[Oh, Muhammad! Quando chegarem o socorro
de Deus e a vitória [a conquista de Meca] e vires os homens em tropéis na
religião de Deus, Glorifica e louva teu Senhor por isso, e pede Seu
perdão; é certo que Ele é indulgente. [110:1-3]
Logo convocou o povo de Meca e lhe
disse: Que pensam que vou fazer-lhes?. Eles responderam: Só farás algo
favorável; és um irmão e um sobrinho bom e generoso! Profeta
disse: Ide, sois livres para fazer o que desejardes. (Baihaqi, 18055)
Essa foi uma das tantas razões pelas
quais muitos deles aceitaram o Islam. O Profeta
regressou logo a Medina. Depois de um tempo, o Profeta
realizou a peregrinação e dirigiu-se a Meca com 114.000 seguidores. Esta
Peregrinação é conhecida como A Peregrinação de Despedida uma vez que o
Profeta nunca
realizou outra Peregrinação, e morreu pouco depois de completá-la. Durante
sua Peregrinação pronunciou o seguinte discurso:
Oh gente! Escutai minhas palavras, uma
vez que não sei se voltarei a encontrar-vos de novo, aqui, depois deste
ano. Vossa vida e vossos bens são sagrados, como também são sagrados o dia
de hoje, este mês e esta cidade. Todas as práticas pagãs ficam agora sob
meus pés. Todo ato de vingança dos dias do paganismo fica abolido. A usura
da época do paganismo fica abolida, começando pelo interesse que se deve a
Abbas bin Abdul Muttalib (seu tio).
Temam a Deus no trato com vossas mulheres. Vós as assumistes sob a
proteção de Deus legalmente, pela palavra de Deus. Elas não devem permitir
que ninguém se aproxime de vosso leito nem entrar em vossa casa sem vossa
permissão. Tendes o dever de alimentá-las e vesti-las adequadamente.
Deixei-vos o Livro de Deus e meus ensinamentos, e se vos agarrardes a
ambos nunca vos desviareis.
Oh gente, não haverá nenhum profeta depois de mim e nenhuma nação depois
da vossa. Assim, vos recomendo adorar ao vosso Senhor, rezar as cinco
orações, jejuar no mês do Ramadã e dar o Zakat (direito dos pobres) de
vossos bens, com agrado.Recomendo lhes fazer a peregrinação à Sagrada Casa
de vosso Senhor e obedecer àqueles que estão encarregados de vossos
assuntos; se fizerem tudo isto entrarão no Paraíso de vosso Senhor. Se
lhes perguntarem sobre mim, que dirão? Responderam: Testemunharemos que
transmitiste e nos entregaste a mensagem, e nos aconselhaste. Então
levantou seu dedo indicador para o céu enquanto dizia: Deus, seja
testemunha.
O Profeta
morreu em Medina, em 12 do mês lunar Rabi as-sani, no ano 11 da Hégira. O
Profeta foi
sepultado também em Medina.
Os muçulmanos ficaram chocados ao tomar
conhecimento de sua morte; alguns companheiros não acreditavam no que
ouviam. Umar, que Deus esteja comprazido com ele, disse: Quem disser que
Muhammad morreu, eu o decapitarei! Abu Bakr, que Deus esteja comprazido
com ele , fez um discurso e recitou as palavras de Deus:
Muhammad não é senão um Mensageiro, a quem precederam outros. Se morresse
ou se o matassem, voltarias à incredulidade? Mas quem voltar à
incredulidade, em nada prejudicará a Deus. Deus retribuirá aos
agradecidos. [3:144] Quando Umar, que Deus esteja comprazido com ele,
ouviu este versículo, compreendeu que o Profeta
havia morrido.
O Profeta
tinha 63 anos de idade quando morreu. Permaneceu em Meca durante 40 anos ,
antes de ser indicado como
profeta. Depois viveu ali outros 13 anos, durante os quais conclamou as
pessoas ao monoteísmo. Depois emigrou para Medina, onde viveu dez anos.
Ali recebeu revelações constantemente, até que o Alcorão e a religião do
Islam ficassem completos.
George Bernard Shaw disse:
Sempre tive um grande apreço pela religião de Muhammad, devido à sua
maravilhosa vitalidade. É a única religião que parece ter essa capacidade
de assimilar as fases mutantes da existência e que a fazem atrativa para
qualquer época e idade eu predisse que a fé de Muhammad seria aceite
amanhã e já está sendo aceite na Europa de hoje. Os eclesiásticos
medievais, por ignorância ou fanatismo, pintaram o maometismo com as cores
mais escuras. De fato, foram treinados para odiar, tanto a Muhammad como à
sua religião. Para eles, Muhammad era o anticristo. Eu estudei este homem
maravilhoso e em minha opinião, longe de ser chamado o anticristo, deveria
ser chamado de o Salvador da humanidade.(Enciclopédia
de Sirah, por Afzalur Rahman)
12 A narração de uma declaração, fato, aprovação
tácita ou característica do Profeta.
Descrição do
Profeta
O Mensageiro de Deus
foi um homem sensacional, respeitado por todos os que o conheciam. Seu
rosto brilhava como a lua cheia. Era um homem de estatura mediana, nem
muito alto nem muito baixo. Tinha uma cabeça grande e seu cabelo era
ondulado. Se o cabelo estivesse comprido, dividia-o, do contrário, seu
cabelo não ultrapassava os lóbulos das orelhas em circunstâncias normais.
Tinha uma cor rosada e saudável. Sua frente era larga. Suas sobrancelhas
eram fartas naturalmente, e não eram unidas. Havia uma veia entre suas
sobrancelhas que se inchava quando se aborrecia. Seu nariz era reto e
tinha um brilho especial. Tinha uma barba cerrada e uma face suave.
Sua boca era grande. Tinha bigode. Seus dentes eram separados. Seu pescoço
era semelhante ao de um boneco e tinha uma cor branca, prateada. Sua
compleição era moderada e forte. Seu abdome e seu peito estavam no mesmo
nível. Seu peito e seus ombros eram largos.
Suas articulações eram de bom tamanho. Sua pele era branca. Tinha pêlos
desde o esterno até o umbigo. Não tinha pêlos no peito, mas seus braços e
ombros eram peludos. Seus antebraços eram grandes assim como as palmas de
suas mãos. Suas mãos e pés eram curtos e seus dedos tinham uma largura
discreta. Seus pés eram planos e suaves; devido à suavidade dos seus pés,
não acumulavam água. Caminhava com passos largos e elegantes; levantava os
pés em vez de arrastá-los. Cada vez que se virava, fazia-o com o corpo
inteiro, [em vez de virar somente a cabeça]. Era sempre recatado no olhar.
Olhava mais para o chão do que para o céu. Frequentemente passava os olhos
rapidamente sobre as coisas [em vez de olhá-las fixamente] Oferecia suas
saudações antes mesmo de ser saudado.
O Profeta ,
quase sempre, parecia estar triste e meditava profundamente. Nunca
descansava completamente, e nunca falava quando não fosse necessário. Cada
vez que falava, começava e terminava suas frases com o nome de Deus.
Falava com clareza e com coerência, pronunciando somente frases precisas e
corretas. Suas frases eram muito exatas; ninguém podia distorcer suas
palavras. Era muito amável e carinhoso. Nunca insultava outras pessoas.
Era agradecido por todas as bênçãos que Deus lhe havia outorgado, por
menor que parecessem; nunca menosprezava nada. Não criticava a comida.
Nunca se preocupava com assuntos mundanos. Se uma pessoa sofria uma
injustiça, aborrecia-se muito. Seu aborrecimento não passava até que se
restituísse seu direito a essa pessoa. Não se aborrecia se a vítima da
injustiça era ele, nem tampouco buscava vingança. Quando apontava, fazia-o
com a mão inteira; quando se surpreendia, virava rapidamente a mão. Quando
o Profeta
falava, dava pequenos golpes em sua mão direita com o polegar esquerdo.
Quando se aborrecia, virava o rosto, e quando estava satisfeito e feliz,
baixava o olhar.
Seu riso, na verdade, era sorriso. Quando sorria, seus dentes pareciam
pérolas.
O Profeta
repartia seu tempo em três partes; uma parte para Deus, a outra para sua
família e a terceira para si mesmo e sua gente.
A parte dedicada ao seu povo era dedicada a atender às necessidades das
pessoas. Mantinha-as ocupadas, ensinando-lhes o que as beneficiaria.
Costumava dizer: Aqueles que estejam presentes, transmitam(o que
aprenderam) àqueles que estejam ausentes, e informem-me das necessidades
dos que não puderam vir. Aquele que informa ao governante sobre os pedidos
de uma pessoa, Deus o firmará na ponte no Dia da Ressurreição.
O Profeta
cuidava da sua língua [evitava dizer palavras vãs], dava conselhos
sinceros e falava com bondade para assim reunir e unir as pessoas.
Respeitava os generosos, amáveis e nobres de cada povo, e lhes recomendava
os assuntos de sua gente. Advertia as pessoas dos males e cuidava delas,
embora nunca tivesse um gesto agressivo com ninguém. Perguntava-lhes sobre
sua situação e lhes ordenava que fizessem o bem e proibissem o mal. Era
moderado em todos seus assuntos. Nunca deixava passar a oportunidade de
recordar e dar sinceros conselhos a seus companheiros. Estava preparado
para toda
situação; mantinha a verdade e não era ocioso. Os que se sentavam ao seu
lado eram os melhores do seu povo.
O Mensageiro de Deus
nunca se levantava nem se sentava sem mencionar o nome de Deus. Tinha
proibido que lhe destinassem um lugar só para ele. Sentava-se onde
encontrasse um lugar vazio. Também ordenava aos demais que fizessem o
mesmo ao chegar a uma reunião. Repartia seu tempo de maneira eqüitativa
entre os Companheiros que se sentavam junto dele. Quem se sentasse perto
do Profeta
pensaria que era o mais importante e querido por ele. Se uma pessoa se
aproximasse pedindo alguma coisa, não o apressava, mas deixava que
terminasse seu pedido e se fosse, quando desejasse. O
Profeta
sempre dava uma resposta a quem lhe pedisse algo; presenteava-lhe palavras
agradáveis, ainda que não pudesse atender seu pedido. Tinha um coração e
uma mente abertos. Era considerado por todos um pai carinhoso e atento;
para ele, todos eram iguais. Suas reuniões eram reuniões de conhecimento,
perseverança, paciência, modéstia e confiança. Ninguém levantava a voz na
presença do Mensageiro de Deus, que Deus exalte sua menção. Ninguém falava
de coisas más na sua presença. Aqueles que assistiam à reunião se tratavam
de maneira humilde, respeitavam os mais velhos, eram misericordiosos
com os jovens e respeitavam o diferente.
O mensageiro de Deus
estava sempre alegre. Era extremamente amável e carinhoso. Nunca era rude.
Não levantava sua voz em público nem dizia grosserias. Não falava mal de
ninguém, nem espalhava boatos. Jamais adulava alguém. Não desiludia
ninguém. Evitava três coisas: discutir, falar demasiado e interferir
naquilo que não era importante. Também evitava outras três coisas: nunca
falava mal de ninguém, nunca burlava ninguém nem falava de suas falhas na
frente dos outros; tampouco criticava alguém. Só falava daquelas coisas
que merecem ser recompensadas. Quando falava com seus Companheiros, estes
olhavam para o chão [em sinal de respeito e atenção] e era como se
pássaros tivessem posado em suas cabeças.
Quando o Mensageiro de Deus
acabava de falar, então falavam seus Companheiros. Nunca o contradiziam em
sua presença. Quando falava um dos seus Companheiros, os outros escutavam
atentamente até que tivesse completado o que pretendia dizer.
O Mensageiro de Deus
demonstrava uma extrema paciência quando escutava um estrangeiro com um
acento ou dialeto difícil de entender. Não lhe fazia nenhuma pergunta até
que tivesse completado o que queria dizer. De fato, o Mensageiro de Deus
ordenava a seus Companheiros que assistissem a pessoa que buscasse sua
ajuda.
Nunca interrompia a quem falava, até que a pessoa tivesse terminado sua
idéia, se detivesse ou se levantasse para ir-se. (Baihaqi).
Modos
e características do Profeta
1. Intelecto destacável: O Mensageiro
tinha um intelecto excelente, completo e destacável. Nenhum homem teve um
intelecto tão completo e perfeito como ele. Qadhi Iyaadh(erudito) que Deus
tenha piedade dele, disse:
Isto se faz evidente quando o pesquisador lê a biografia do Profeta e
entende sua situação, suas significativas e compreensivas palavras, suas
tradições, seus bons modos, sua ética e sua moral; seu conhecimento da
Tora, do Evangelho, das Divinas Escrituras; seu conhecimento das palavras
dos sábios e dos povos antepassados, sua capacidade de mostrar exemplos e
de implementar políticas e comportamentos corretos . Foi um exemplo e um
paradigma que sua gente procurava em todos os ramos do conhecimento; atos
de adoração, medicina, leis de sucessão, linhagem e outros temas. Conhecia
e aprendia tudo sem ler nem examinar as Escrituras daqueles que nos
antecederam; também não se sentava com especialistas. O Profeta não teve
uma educação formal, e ainda assim, sabia todo o conhecimento passado; foi
designado como Profeta, sem saber ler nem escrever.
O Profeta
era sábio no máximo de sua capacidade. Deus, o Altíssimo, informou-lhe do
que havia acontecido, (no passado) e do que aconteceria no futuro. É um
sinal de que o Domínio pertence a Deus, e de que ele é capaz de tudo.’(Qadhi
Eiyadh, Al-Shifa bitarifi Hoquqil-Mostafa)
2. Fazer coisas em Nome de Deus: O
Profeta
sempre realizava ações através das quais buscava agradar a Deus. Foi
atacado e perseguido quando convidava o povo para o Islã; ainda assim teve
paciência e tolerou, e sempre teve esperanças na recompensa de Deus.
Abdullah b. Masud, que Deus esteja comprazido com ele, disse:
É como se estivesse olhando o Profeta
, falando sobre um Profeta que foi magoado pelo seu povo. Limpou o sangue
do rosto e disse: Oh Deus ! Perdoa meu povo, pois não sabe o que faz! (Bujari,
3290) Yundub b. Sufyaan, que Deus esteja comprazido com ele, disse que o
Mensageiro
tinha um dedo sangrando durante uma das batalhas, e disse: Não és mais do
que um dedo que sangra; que sofre no caminho de Deus. (Bujari, 2648).
3. Sinceridade: O Profeta
era sincero e honesto em todos os aspectos, tal como lhe havia ordenado
Deus. O Altíssimo disse no Alcorão: Diga-lhes: Por certo que minha oração,
minha oblação, minha vida e minha morte pertencem a Deus , Senhor do
Universo, Quem não tem co-participantes . Isto é o que me ordenaram crer,
e sou o primeiro, desta nação, a submeter-se a Deus. [6:162-163]
4. Boa moral, ética e companheirismo:
Aishah, sua esposa, ao ser questionada sobre o comportamento do Profeta
disse: Seus modos eram o Alcorão. Isto significa que o Profeta
se regia pelas leis e mandamentos corânicos e se abstinha do que o Alcorão
proibia. Cumpria com todos os seus atos virtuosos. O Profeta
disse: Deus me enviou para aperfeiçoar os bons costumes e completar as
boas ações. (Bujari y Ahmad). Deus, o Altíssimo, descreveu o Profeta da
seguinte maneira: Certamente és de uma natureza e moral grandiosas. [68:4]
Anas b. Malik, que Deus esteja comprazido com ele, foi o serviçal do
Profeta
durante dez anos, dia após dia, durante suas viagens e também quando
residia em Medina. Durante esse tempo, conheceu os modos do Profeta. A
esse respeito, disse: O Profeta
não insultava ninguém, também não era grosseiro nem maldizia. Quando
acusava alguém, dizia: Que lhe sucede! Que seu rosto se encha de pó. (Bujari,
5684)
5. Amabilidade e bons modos: Sahl b. Sad,
que Deus esteja comprazido com ele, narrou: Trouxeram-lhe algo para o
Profeta
beber e ele bebeu. À sua direita havia um menino e à sua esquerda uns
anciões. Perguntou ao menino: Te incomoda se lhes dou de beber? O menino
respondeu: Oh Profeta de Deus! Por Deus! Não queria que ninguém, antes de
mim, bebesse de onde tu bebeste. É meu direito fazê-lo, por estar sentado
à tua direita(o muçulmano deve-se começar sempre
pela direita). Então o Mensageiro de Deus
deu de beber ao menino. (Bujari, 2319).
6. Amor pela reforma e pela
reconciliação: Sahl b. Sad, que Deus esteja comprazido com ele , narrou
que, numa ocasião os do povo de Qubaa(povoado nas
proximidades de Medina) lutaram entre eles e se
apedrejaram. O Profeta
disse: Vamos resolver a situação e fazer com que façam as pazes.
(Bujari,2547).
7. Ordenar fazer o bem e proibir fazer o
mal: O Mensageiro de Deus viu um homem com um anel de ouro(homem
muçulmano não usa ouro), tirou-o e jogou-o fora.
Logo disse: Acaso colocarias uma brasa quente em tua mão? Quando o Profeta
se foi, disseram ao homem que pegasse o anel e o vendesse para obter algum
lucro. O homem disse: Não Deus! Jamais o pegaria depois que o Mensageiro
de Deus
o tivesse jogado fora. (Muslim, 2090).
8. Amor pela Purificação: Muhaayir b.
Qunfudz, que Deus esteja comprazido com ele, narrou que passou pelo
Profeta
quando este estava urinando, e o saudou com a paz (Salam), mas o Profeta
não lhe retribuiu a saudação até que se higienizou e fez a ablução;
desculpou-se dizendo: Não gosto de mencionar o nome de Deus quando não
estou em estado de pureza. (Ibn Juzaimah, 206).
9. Cuidar das palavras: Abdullah b. Abi
Ofaa, que Deus esteja comprazido com ele , disse que o Mensageiro de Deus
se ocupava com a lembrança de Deus e não falava em vão. Fazia extensas
suas orações e breves seus discursos; não duvidava em ajudar e
encarregar-se das necessidades dos que mais precisavam, fossem pobres ou
viúvas. (Ibn Hibban, 6423).
10. Destacar- se em atos de adoração:
Aishah, que Deus esteja comprazido com ela, disse que o Profeta de Deus
costumava orar durante a noite até que lhe inchavam os pés. Aishah, que
Deus esteja comprazido com ela, disse: Por que fazes isto, Oh Mensageiro
de Deus, sendo que Deus já perdoou teus pecados, passados e futuros?. O
Profeta
disse: Acaso não devo ser um servo agradecido?. (Bujari, 4557)
11. Tolerância e bondade: Abu Hurairah,
que Deus esteja comprazido com ele, disse que At-Tufail b. Amr ad-Dawsi e
seus companheiros vieram saudar o Profeta
Disseram: Oh Mensageiro de Deus, a tribo dos Daws, se negou a aceitar o
Islam; suplica a Deus contra eles. Alguém disse: A tribo dos Daws está
condenada e será destruída!. O Profeta
levantou suas mãos e contrariamente ao solicitado disse: Oh Deus, guia a
tribo dos Daws e trá-la para nós!
12. Bom aspecto: Al-Baraab b. Aazib, que
Deus esteja comprazido com ele , disse: O Profeta
era uma pessoa de estatura média. Suas costas eram largas. Seu cabelo
chegava aos lóbulos das orelhas. Uma vez o vi usando uma vestimenta
vermelha; nunca vi alguém mais belo do que ele. (Bujari, 2358)
13. Ascetismo e assuntos mundanos:
Abdullah b. Masud, que Deus esteja comprazido com ele, disse: O Mensageiro
de Deus
dormiu uma vez sobre um tapete. Levantou-se e tinha as marcas do tapete em
seu corpo. Perguntamos: Mensageiro de Deus, queres que te façamos uma
cama?. Ele respondeu: Que tenho eu a ver com este mundo? Não sou mais que
um viajante que viaja com sua montaria e se detém à sombra de uma árvore e
logo retoma sua viagem. (Tirmizi, 2377)
Amr b. al-Haariz, que Deus esteja comprazido com ele, disse que o
Mensageiro de Deus
não deixou riquezas depois da sua morte. Só deixou sua mula branca, suas
armas e um pedaço de terra que doou para caridade. (Bujari, 2588)
14. Altruísmo: Sahl b. Sad, que Deus
esteja comprazido com ele, disse: Uma mulher presenteou o Mensageiro de
Deus
com uma túnica. O Profeta
perguntou aos seus companheiros: Sabeis o que é uma túnica?. Eles
responderam: Sim, Oh Profeta de Deus! É uma peça tecida. A mulher disse:
Profeta de Deus! Teci esta túnica com minhas próprias mãos para que
tu a uses. O Mensageiro de Deus
a tomou, pois precisava dela tremendamente. Depois de um momento, o
Mensageiro de Deus
saiu de sua casa com a túnica posta e um Companheiro lhe disse: Profeta de
Deus! Dá-me essa túnica para que eu possa usá-la. O Mensageiro de Deus
lhe disse: Sim. Ficou sentado um pouco e voltou a sua casa; dobrou-a e
deu-a à pessoa que a havia pedido. Os Companheiros, que Deus esteja
comprazido com eles, repreenderam esta pessoa dizendo-lhe: Não foi correto
que tenhas pedido sua túnica; especialmente se sabes que ele não negaria
nada a ninguém, nem deixaria que ninguém saísse com as mãos vazias . O
homem disse: Por Deus! Somente a pedi porque quero que me envolvam com
essa túnica quando eu morra. Sahl, o narrador do Hadiss, que Deus esteja
comprazido com ele, disse: A túnica foi utilizada como mortalha quando
esse homem morreu. (Bujari, 1987)
15. Firme fé e entrega a Deus: Abu Bakr,
Deus esteja comprazido com ele, disse: Olhei os pés dos pagãos enquanto
estávamos na caverna. [fugindo de seus perseguidores durante a emigração].
Disse: Oh Profeta de Deus! Se algum deles olhasse para baixo nos veria!. O
Mensageiro de Deus
disse: Abu Bakr! Que pensas de dois quando o Terceiro é Deus, o Altíssimo?
(Muslim, 1854)
16. Bondade e compaixão: Abu Qatada, que
Deus esteja comprazido com ele , disse: O Mensageiro de Deus
realizava a oração enquanto levava uma menina chamada Umamah, filha de
Abul-Aas. Quando se inclinava, punha-a no solo; logo parava e a carregava
nos braços novamente . (Bujari, 5650)
17. Simplificação e facilidade: Anas,
que Deus esteja comprazido com ele , contou que o Mensageiro de Deus
disse: Começo a pregação com a intenção de estendê-la, mas quando ouço uma
criança chorar, encurto-a pois sei que a mãe dessa criança sofre por seu
pranto.
18. Temor a Deus, ter cuidado de não
ultrapassar Seus limites e ser devoto: Abu Hurairah, que Deus esteja
comprazido com ele, narrou que o Mensageiro de Deus
disse: Ás vezes, quando regresso com minha família, encontro um dátil(tâmara)
em minha cama. Pego-o para comer; mas tenho medo de que tenha sido dado
por caridade(Foi proibido por Deus, para o Profeta e
sua família, aceitar qualquer forma de caridade);
por isso, deixo-o no mesmolugar. (Bujari, 2300)
19. Ser generoso: Anas bin Malik, que
Deus esteja comprazido com ele, disse: Cada vez que uma pessoa aceitava o
Islam, o Mensageiro de Deus
concedia-lhe o que pedia. A um homem, o Profeta
lhe deu um rebanho de ovelhas que estavam pastando entre as montanhas. O
homem regressou ao seu povoado e disse: Oh minha gente! Aceitai o Islam!
Muhammad dá tão generosamente como quem não teme a pobreza. (Muslim, 2312)
20. Cooperação: A Aishah, que Deus
esteja comprazido com ela, perguntaram-lhe certa vez como se comportava o
Profeta
com sua família. Ela respondeu: Ajudava a todos os membros de sua família
com suas tarefas; mas quando chamavam para a oração, retirava-se para
realizar suas orações (na mesquita). Al-Baraa bin Azib, que Deus esteja
comprazido com ele, disse: Vi o Mensageiro de Deus
no Dia da batalha da Trincheira levando terra [que haviam tirado de uma
trincheira] até que seu peito estava coberto de pó. Era um homem peludo.
Ouvi-o repetir uns versos da poesia composta por Abdullah b. Rawaahah: Oh
Deus! Se não fosse por Ti, nunca tínhamos sido guiados, nem teríamos
oferecido orações, nem feito caridade.Oh Deus! Que a tranqüilidade desça
sobre nós e faça-nos firmes ao enfrentar nossos inimigos. Certamente
transgrediram contra nós! E se desejam uma rebelião, nós a rechaçaremos! E
levantava a voz ao recitar esses versos. (Bujari, 2780)
21. Honestidade: Aishah, que Deus esteja
comprazido com ela, disse: Um traço característico do Profeta
era que detestava a mentira. Se um homem mentia na sua presença, o Profeta
lutava até saber que o mesmo havia se arrependido da mentira. (Tirmidhi,
1973). Até seus inimigos reconheciam sua honestidade. Abu Yahl , um dos
seus mais acirrados inimigos, disse: Oh Muhammad! Não digo que és um
mentiroso! Somente nego a mensagem que pregas e aquilo para o que convocas
as pessoas. Deus, o Altíssimo, diz: Por certo que sabemos que te causa
pena o que dizem [sobre ti]. Não é a ti que desmentem, mas o que os
iníquos rechaçam são os símbolos de Deus. [6:33]
22. Honrar os limites e fronteiras de
Deus: Aishah, que Deus esteja comprazido com ela, disse: O Profeta
sempre escolhia a mais fácil das opções, desde que não implicasse um
pecado. Se o ato era pecado, afastava-se o mais que podia. Por Deus! Nunca
se vingava. Só se aborrecia quando o povo transgredia os limites e
fronteiras de Deus; nesse caso, fazia justiça. (Bujari, 6404)
23. Expressão facial plácida: Abdullah
bin al-Hariz, que Deus esteja comprazido com ele, disse: Nunca vi um homem
que sorrisse tanto como o Mensageiro de Deus .
(Tirmidhi, 2641)
24. Honestidade e lealdade: O Profeta
era bem conhecido por sua honestidade. Os pagãos de Meca que tinham uma
hostilidade declarada por ele confiavam-lhe seus objetos de valor. Sua
honestidade e lealdade foram postas à prova quando os pagãos de Meca
perseguiram e torturaram seus companheiros e os expulsaram de seus lares.
Ele ordenou a seu sobrinho, Ali b. Abi Talib, que Deus esteja comprazido
com ele , que adiasse por três dias sua emigração, para devolver às
pessoas os objetos que estavam sob sua custódia. Outro exemplo de sua
honestidade e lealdade fica demonstrado na Trégua de Hudaibiyah, através
da qual ele esteve de acordo com o artigo do tratado que dizia que todo
homem que abandonasse o Profeta
não seria devolvido, e todo homem que abandonasse Meca para unir-se ao
Profeta, seria devolvido a eles. Antes de concluir o tratado, um homem
chamado Abu Yandal b. Amr havia logrado escapar dos pagãos de Meca e
correu a juntar-se a Muhammad .
Os pagãos pediram a Muhammad que cumprisse sua promessa e lhes devolvesse
o fugitivo. O Mensageiro de Deus
disse: Abu Yandal! Tem paciência e pede a Deus que te conceda. Deus,
seguramente, ajudará a ti e aos que são perseguidos, e te facilitará uma
saída. Firmamos um acordo com eles e certamente haveremos de cumpri-lo;
não nos comportaremos de forma traiçoeira. (Baihaqui, 18611)
25. Valentia e coragem: Ali, que Deus
esteja comprazido com ele, disse: Deveriam ter-me visto no Dia de Badr!
Refugiámo-nos com o Mensageiro de Deus .
De todos nós, ele era o que estava mais perto do inimigo. Esse dia, o
Mensageiro de Deus
foi o mais forte de todos nós. (Ahmad, 654) Sobre a sua valentia e coragem
em circunstâncias normais, Anas b. Malik, que Deus esteja comprazido com
ele, disse: O Mensageiro de Deus
era o melhor dos homens e o mais valente. Uma noite, o povo de Medina teve
medo e enviou alguns ginetes em direção aos ruídos que se ouviam. O
Mensageiro de Deus
os encontrou quando regressava de onde provinha o ruído, depois de
assegurar-se de que não havia nenhum problema. Vinha sobre o lombo de um
cavalo que pertencia a Abu Talhah, que Deus esteja comprazido com ele, sem
arreios, e tinha uma espada consigo. Disse às pessoas: Não temam! Não
temam. Encontrou-se com os ginetes enquanto ia a cavalo, sem arreios , e
levava sua espada, pois poderia ser necessária. Não esperava que os demais
verificassem a origem dos problemas. Na Batalha de Uhud, o Mensageiro de
Deus
consultou seus Companheiros. Eles resolveram combater, enquanto ele não
via necessidade de fazê-lo. Não obstante, aceitou seu conselho. Os
Companheiros, ao saber o que sentia o Profeta, lamentaram-se pelo que
haviam feito. Os Ansar disseram-lhe: Oh Profeta de Deus! Faz o que te
pareça melhor. Mas ele respondeu: Não é digno de um Profeta tirar sua
indumentária de combate sem lutar. (Ahmad, 14829).
26. Generosidade e hospitalidade: Ibn
Abbas, que Deus esteja comprazido com ele , disse: O Profeta
era o mais generoso dos homens. Era ainda mais generoso no Ramadãn, quando
se encontrava com o anjo Gabriel; encontrava-se com ele todas as noites
durante o Ramadan para praticar e rever o Alcorão. O Mensageiro de Deus
era tão generoso, como os ventos bondosos. (Bujari, 6) Abu Dharr, que Deus
esteja comprazido com ele, disse: Ia caminhando com o Profeta
na Harrah, região vulcânica de Medina, e nos encontramos frente ao monte
Uhud; o Profeta
disse: Abu Zharr! Disse-lhe: Aqui estou, Oh
Mensageiro de Deus! Ele respondeu: Não me comprazeria ter uma quantidade
de ouro igual ao peso do Monte Uhud até que não o gaste e o entregue (em
nome de Deus) em uma ou três noites. Guardaria um dinar para ajudar a quem
tem dívidas. (Bujari, 2312) Yabir b. Abdullah, que Deus esteja comprazido
com ele ,disse: O Profeta
não se negava a dar nada do que tinha se alguém lhe pedisse. (Bujari,
5687)
27. Timidez e modéstia: Abu Said
al-Judri, que Deus esteja comprazido com ele, disse: O Profeta
era mais modesto e tímido que uma virgem. Se algo não lhe agradava,
notava-se nas suas expressões faciais. (Bujari, 5751)
28. Humildade: O Mensageiro de Deus
era a pessoa mais humilde. Era tão humilde que se um estranho entrava na
mesquita e se aproximava de onde o Profeta
estava sentado com seus Companheiros, não podia distingui-lo de seus
Companheiros. Anas bin Malik, que Deus esteja comprazido com ele, disse:
Uma vez, enquanto estávamos sentados com o Mensageiro de Deus
na mesquita, aproximou-se um homem em seu camelo, amarrou o com uma corda
e perguntou: Quem dos senhores é Muhammad? O Mensageiro de Deus
encontrava-se sentado no chão, com seus Companheiros. Nós o indicamos ao
beduíno: Este homem branco, que está sentado no chão, porque o Profeta
não se distinguia de seus Companheiros. O Profeta
não duvidava em ajudar aos pobres, necessitados ou viúvas, em suas
necessidades. Anas b. Malik, que Deus esteja comprazido com ele, disse:
Uma mulher de Medina que estava um pouco demente disse ao Profeta :
Tenho que te pedir algo. Ele a ajudou e atendeu às suas necessidades. (Bujari,
670)
29. Misericórdia e Compaixão : Abu Masud
al-Ansari disse: Um homem veio até o Profeta
e disse: Mensageiro de Deus! Por Deus! Eu não rezo a oração da alvorada
(na mesquita) porque fulano a alonga Disse o narrador: Nunca vi o
Mensageiro de Deus
pronunciar um discurso com tanto enfado. Disse: Gente! Na verdade há entre
os senhores, aqueles que perseguem as pessoas! Se vos dirigirdes às
pessoas em oração, sede breves. Há pessoas anciãs e frágeis, e outras com
necessidades especiais, atrás de vocês nas orações . (Bujari, 670) Osama
bin Zaid disse: Estávamos sentados com o Mensageiro de Deus
Uma de suas filhas enviou uma pessoa para chamá-lo, para que a visitasse e
ao seu filho, que estava agonizando. O Mensageiro de Deus
disse à pessoa, que lhe dissesse: A Deus pertence o que toma. Ele deu um
limite de tempo. Ordenou-lhe que fosse paciente e que buscasse recompensa
em Deus, o Altíssimo. Sua filha enviou de volta a mesma pessoa dizendo:
Profeta de Deus! Sua filha jura que deve vir. O Mensageiro de Deus
parou; Sa’d bin Ubaadah e Muadth
bin Yabal acompanharam-no. O Mensageiro de Deus
sentou-se junto ao menino que agonizava. Os olhos do menino se congelaram
como pedras. Ao ver isso o Mensageiro de Deus
chorou. Sad perguntou-lhe: Que é isto, Profeta de Deus? Ele disse: É a
misericórdia que Deus, o Altíssimo, coloca nos corações de seus servos.
Deus é misericordioso com aqueles que são misericordiosos com os outros. (Bujari,
6942)
30. Perseverança e Perdão: Anas bin
Malik disse: Uma vez, estava caminhando com o Mensageiro de Deus
quando usava uma túnica Yemenita, com uma gola de bordas ásperas. Um
beduíno agarrou-o fortemente. Olhei seu pescoço por trás e vi que a gola
da túnica havia lhe deixado uma marca. O beduíno disse: Oh Muhammad! Dá-me
um pouco da riqueza de Deus que tu tens.O mensageiro de Deus
virou-se para o beduíno, riu e ordenou que lhe entregassem algum dinheiro.
(Bujari, 2980) Outro exemplo de sua perseverança é a historia do Rabino
Judeu, Zaid bin Sa’nah. Zaid emprestou algo ao Mensageiro de Deus .
Zaid disse: Dois ou três dias antes da devolução da dívida, o Mensageiro
de Deus
assistia ao funeral de um homem dos Ansar. Abu Bakr, Umar, Uzman e alguns
outros Companheiros, estavam com o Profeta .
Depois de rezar a oração fúnebre sentou-se junto a uma parede; eu fui até
ele, agarrei-o pelo colarinho, olhei-o de maneira severa e disse-lhe:
Muhammad! Não me pagarás a dívida do empréstimo? Eu não conheci a família
de Abdul-Mutalib para que se demore a devolução da minha dívida! Olhei
Umar b. al-Jattaab. Seus olhos estavam cheios de raiva! Olhou-me e disse:
Inimigo de Deus, falas ao Mensageiro de Deus e te diriges a ele desta
maneira? Por aquele que me enviou com a verdade, se não fosse o medo de
perder a entrada no Paraíso, ter-te-ia decapitado com a minha espada! O
Profeta de Deus
olhando para Umar de forma calma e pacífica, disse: Umar, deverias ter-nos
dado um conselho sincero em vez de fazer o que fizeste! Umar, vai e
paga-lhe a dívida; entrega-lhe vinte Saa (medida de peso) extras por o
teres assustado! Zaid disse: Umar partiu comigo e me pagou a dívida e me
entregou os vinte Saa extras. Eu lhe perguntei: Que é isto? Ele disse: O
Mensageiro de Deus
ordenou-me que te desse, porque eu te assustei. Zaid logo perguntou a Umar:
Umar, sabes quem sou eu? Umar disse: Não, não sei Quem és? Zaid disse: Eu
sou Zaid b. Sanah. Umar perguntou: O Rabino? Zaid respondeu: Sim, o
Rabino. Umar, a seguir, perguntou: Que te fez dizer o que disseste ao
Profeta? Zaid respondeu: Umar, vi todos os sinais de um profeta no rosto
do Mensageiro de Deus
exceto dois: sua paciência e perseverança antecedem a sua ignorância e, a
segunda, quanto mais duro és com ele, mais amável e paciente se torna, e
agora estou satisfeito. Umar, tenho-te como testemunha e testemunho que
não há Deus exceto Deus, minha Religião é o Islam e Muhammad
é o meu Profeta. Também te tomo como testemunha que a metade da minha
riqueza e eu hoje estou entre os mais ricos de Medina a entregarei pela
causa de Deus, a todos da comunidade. Umar disse: Não será possível
distribuir tua riqueza entre todos da comunidade. Terás que distribuí-la a
alguns
da Comunidade de Muhammad .
Zaid disse: Então distribuirei, em proporção, a riqueza a alguns da
comunidade de Muhammad. (Zaid e Umar viraram-se para o Mensageiro de
Deus). Zaid disse lhe: Testemunho que nada nem ninguém merece ser adorado
senão Deus, e que Muhammad
é servo e mensageiro de Deus. Assim foi como se tornou crédulo, morreu na
Batalha de Tabuk, quando se enfrentava com o inimigo - que Deus tenha
piedade de Zaid. (Ibn Hibban, 288) Um exemplo de perdão se faz evidente
quando oferece sua anistia total a todo o povo de Meca, depois da
conquista. Quando o Mensageiro de Deus
reuniu aqueles que o perseguiram, torturaram-no e abusaram dos seus
companheiros, levou-os para fora da cidade de Meca e lhes disse: Que crêem
que eu teria que lhes fazer ? Eles disseram: Tu és um irmão e sobrinho
bondoso e generoso Ele disse: Retirem-se são livres! (Baihaqi, 18055)
31. Paciência: O Mensageiro de Deus
era um modelo de paciência. Foi paciente com seu povo antes do Islã; eles
adoravam ídolos e agiam pecaminosamente. Ele foi paciente e tolerante com
a perseguição e o mal que os pagãos de Meca lhe causaram, assim como a
seus companheiros, e buscou a recompensa em Deus. Também foi paciente e
tolerante com o mau trato dos hipócritas em Medina. Foi um paradigma de
paciência quando perdeu seus parentes queridos; sua esposa Jadiyah, morreu
durante sua vida. Todos os seus filhos morreram durante sua vida, exceto
Fátima. Seu tio al-Abbas também morreu. O Profeta
foi paciente e buscou a recompensa em Deus. Anas b. Malik disse: Entramos
na casa de Abu Saif o ferreiro com o Profeta .
A esposa de Abu Saif era a encarregada de amamentar seu filho Ibrahim. O
Mensageiro de Deus
pegou seu filho Ibrahim no colo, abraçou-o e beijou-o. Um tempo depois,
foi ver novamente seu filho que estava agonizando. O Profeta
começou a chorar. Abdu-Rahmaan b. Auf disse: Profeta de Deus, tu também
choras! O Mensageiro de Deus
disse: Ibn Auf, isto é compaixão o Profeta
derramou mais lágrimas e disse: Os olhos derramam lágrimas, o coração se
entristece, mas somente dizemos o que agrada a nosso Criador. Estamos
tristes por tua morte, Oh Ibrahim! (Bujari, 1241)
32. Justiça e Equidade: O Mensageiro de
Deus
era justo e imparcial em todos os aspectos de sua vida e na aplicação da
Legislação Islâmica (Shari’ah). Aishah disse: As pessoas de Quraish
estavam muito preocupadas com a mulher Majzumi porque ela havia roubado.
Conversaram entre eles e disseram: Quem pode interceder por ela ante o
Mensageiro de Deus ?
Finalmente disseram: Quem melhor para conversar com o Mensageiro de Deus
sobre o assunto do que Usamah b. Zaid, o
rapaz mais apreciado pelo Mensageiro de Deus .
Então Usamah falou com o Mensageiro de Deus, sobre a mulher. O Mensageiro
de Deus
disse-lhe: Usamah! Intercedes, em seu beneficio para desatender um dos
castigos impostos por Deus! O Mensageiro de Deus
se levantou e pronunciou um discurso, no qual disse: Povos que os
precederam foram destruídos porque quando um nobre roubava, deixavam-no
livre; mas se um pobre o fazia, castigavam-no. Por Deus! Se Fátima, a
filha de Muhammad roubasse, eu ordenaria que sua mão fosse cortada. (Bujari,
3288) O mensageiro de Deus
era justo e imparcial, e permitia que os outros se vingassem ainda que ele
os machucasse. Usaid b. Hudhair disse: Um homem estava fazendo graça e
provocando o riso das pessoas; o Profeta
passou ao seu lado e o golpeou suavemente com um ramo que levava. O homem
exclamou: Profeta de Deus! Permita me vingar-me! O Profeta
disse: Avante! O homem disse: Mensageiro de Deus, tu usavas uma vestimenta
quando me golpeaste, eu não! O Mensageiro de Deus
levantou a parte superior de sua vestimenta, e o homem beijou seu dorso
dizendo: Eu só pretendia fazer isto, Mensageiro de Deus! (Abu Dawud, 5224)
33. Temer a Deus e ser Consciente d'Ele:
O Mensageiro de Deus
era a pessoa mais consciente de Deus. Abdullah bin Masud disse: Uma vez o
Mensageiro de Deus
me disse: Recita o Alcorão para que possa escutar-te! Abdullah b. Masud
disse: Recito-o para ti e a ti ele foi revelado! O Profeta
disse: Sim. Comecei a recitar Surat an-Nisaa, até que cheguei ao
versículo: Que acontecerá quando trouxermos uma testemunha de cada
comunidade e te trouxermos [Oh, Muhammad!] como testemunho contra estes os
incrédulos do teu povo ? [4:41] Ao escutar este versículo, o Mensageiro de
Deus
disse: Suficiente! Abdullah b. Masud disse: Me virei e vi o Mensageiro de
Deus
chorando. (Bujari, 4763) A’ishah disse: Se o Mensageiro de Deus
via nuvens escuras no céu, passeava inquieto para trás e para frente, saía
de sua casa e voltava a entrar. Quando começava a chuva, o Profeta
se relaxava. A’ishah disse: perguntei-lhe sobre isso e me respondeu: Não
sei; pode ser que seja como se diz: E quando viram uma nuvem que se
aproximava dos seus vales, disseram: Esta é uma nuvem que nos traz chuva
[Mas seu Mensageiro lhes disse:] Não, é o castigo que pedíeis que lhes
sobrevenha. Então um vento lhes infligiu um doloroso castigo, destruiu
tudo por ordem do seu Senhor. E quando amanheceu, somente se podiam ver
suas moradas [vazias]; assim castigamos aos transgressores.(Bujari #3034)
[46:24-25] 34. Satisfação e Riqueza de Coração: Umar b. al-Khattab disse:
Entrei na casa do Mensageiro
e o encontrei sentado em um tapete. Tinha uma almofada de couro feita de
fibras. Uma panela com água a seus pés, e havia alguma roupa pendurada na
parede. Suas costas estavam marcadas pelo tapete em que estava recostado.
Umar chorou quando viu esta realidade, mas o Mensageiro
lhe perguntou: Por que choras? Umar disse: Profeta de Deus! Cosroes e
César desfrutam do melhor deste mundo, e tu sofres na pobreza. Ele disse:
Não te dá prazer que eles desfrutem o melhor deste mundo, e que nós
desfrutemos no Além? (Bujari, 4629)
35. Desejos de bondade até com seus
inimigos A’ishah disse: Perguntei ao Mensageiro de Deus :
Enfrentaste um dia mais duro e difícil que o da Batalha de Uhud? Ele
respondeu: Sofri muito por tua gente ! O pior dia que sofri foi o dia de
al-Aqabah quando falei com Ali b. Abd Yalil b. Abd Kilaal (para receber
seu apoio e proteção) mas me abandonou. Quando deixei aquele lugar estava
muito preocupado; caminhei até que cheguei a uma área chamada Qarn ath-Za’alib.
Ergui meu olhar para o céu e notei que uma nuvem me sombreava. O anjo
Gabriel me chamou e disse: Muhammad! Deus, o Altíssimo, escutou o que tua
gente te disse e enviou o Anjo encarregado das montanhas, para que lhe
ordenes o que desejas. O profeta
disse: O Anjo encarregado das montanhas me chamou dizendo: Que a paz de
Deus esteja contigo! Muhammad, farei o que aches necessário. Se quiseres
posso juntar as montanhas Ajshabain e destruir tudo que há entre elas. O
Mensageiro de Deus
disse: Não, poderia ser que Deus tirasse de entre eles pessoas que creiam
em Deus e não o associem.
(Bujari, 3059)
A Ética
do Profeta com seus companheiros
1. As relações próximas do Profeta com
seus companheiros : Isto é sabido já que temos relatos detalhados da
biografia do Profeta. O Profeta é o exemplo que deveríamos emular em todos
nossos assuntos. Yarir b. Abdullah disse: O profeta
não me impediu que me sentasse com ele desde que eu aceitei o Islam.
Sempre sorria quando me olhava. Uma vez me queixei com ele, já que não
podia andar a cavalo e me deu um leve golpe no peito e suplicou a Deus,
dizendo Oh Deus! Segura-o e converte-o em uma pessoa que guie os demais e
que seja uma fonte de orientação. (Bujari, 5739)
2. O Profeta
costumava entreter seus companheiros e brincava com eles: Anas b. Malik
disse que o Mensageiro de Deus
era a pessoa mais educada. Tenho um irmão menor cujo nome é Abu Umair ele
costumava brincar com um pequeno pássaro chamado ’An-Nughair’. O Profeta
lhe disse: Abu Umair! Que foi que o Nughair te fez?. (Muslim, 2150) O
Profeta
não só entretinha seus companheiros com palavras, mas também os divertia
brincando. Anas b. Malik disse: Um beduíno chamado Zahir b. Haram dava
presentes ao Profeta
e ele também lhe dava presentes. O Profeta
disse: Zahir é nosso deserto, e nós somos sua cidade. O Profeta
se aproximou, enquanto ele estava vendendo suas mercadorias, abraçou-o por
trás, e este não o viu. Logo disse: Solta me! Quando percebeu que era o
Profeta
quem o estava abraçando, pressionou suas costas contra o peito do
Mensageiro! O Mensageiro de Deus
lhe disse: Quem compraria este escravo para mim? Zahir disse: Mensageiro
de Deus, não valho nada! O Mensageiro de Deus
então, disse-lhe: Deus não te considera sem valor! Tu és valioso e
precioso para Deus (Ibn Hibban, 5790)
3. Consultava seus companheiros
O Profeta
consultava seus companheiros e tinha em conta suas opiniões e pontos de
vista em assuntos e problemas nos quais não se revelavam os textos
sagrados. Abu Hurairah disse: Não vi uma pessoa mais entusiasta pelos
conselhos sinceros de seus companheiros que o Mensageiro de Deus .
(Tirmizi,1714).
4. Visitar os enfermos, fossem ou não
muçulmanos
O Profeta
se preocupava com seus companheiros e se assegurava que estivessem bem. Se
soubesse que alguém estava doente, corria para visitá-lo, com quem
estivesse com ele. Não só visitava os muçulmanos como também aqueles que
não eram muçulmanos e que estavam doentes. Anas b. Malik disse: Um rapaz
judeu prestava serviços ao Profeta
e adoeceu. Então o Profeta
disse: Vamos visitá-lo. Foram vê-lo e encontraram seu pai sentado ao seu
lado; o Mensageiro de Deus
disse: Testemunhe que não há outro verdadeiro deus merecedor de adoração
que não seja Deus e eu intercederei por ti no Dia da Ressurreição. O rapaz
olhou seu pai , que lhe disse: ’Obedece a Abul-Qasim!(sobre
nome do profeta)’ Então o rapaz disse: Não há outro
verdadeiro deus merecedor de adoração que Deus, e Muhammad é o último
Mensageiro. O Profeta
disse: Todos os louvores cabem a Deus, Quem o salvou do Fogo do Inferno. (Ibn
Hibban, 2960).
5. Era agradecido com a bondade das pessoas com ele, e as recompensava
generosamente. Abdullah b. Umar narrou que o Mensageiro de Deus
disse: Quem busque refugiar-se em Deus de seu demônio, não será
prejudicado. Quem te pede algo por Deus, entrega-lhe. Quem te convida,
aceita seu convite. Quem te faz um favor ou um ato de bondade, paga-lhe de
forma similar; mas se não encontras como recompensá-lo, então suplica a
Deus por ele continuamente, até que consideres que o hás recompensado. .
(Ahmad, 6106) A’ishah disse: O Mensageiro de Deus
aceitava presentes e os recompensava com generosidade. (Bujari, 2445)
6. O amor do Profeta por tudo que é bom
e bonito: Anas disse: A mão do Mensageiro de Deus
era mais suave que qualquer seda que jamais haja sido tocada, e o aroma de
sua pele era mais agradável que qualquer perfume que jamais foi sentido. (Bujari,
3368)
7. O Mensageiro de Deus
amava ajudar aos outros, intercedendo por eles: Abdullah b. Abbas disse: O
marido de Barirah era um escravo que se chamava Mugís Eu o vi caminhando
atrás dela, chorando pelas ruas de Medina, e suas lágrimas caiam de sua
barba. O Mensageiro de Deus
disse a Al-Abbas: Não te assombres com o quanto Mughiz ama a Barirah, e
quanto Barirah o despreza! O Profeta
disse a Barirah: Por que não voltas com ele? Ela lhe disse: Estás me
ordenando que o faça?
Ele disse: Não, estou intercedendo em seu favor. Ela disse: Não preciso
disso. (Bujari, 4875)
8. O Mensageiro de Deus
servia se a si mesmo: A’ishah disse: Perguntaram-me como o Mensageiro de
Deus
se comportava em sua casa. Ela disse: Ele era como qualquer homem; lavava
sua roupa, alimentava as suas ovelhas e se servia a si mesmo. (Ahmad
24998) Os excelentes modos do Profeta, não só faziam com que se servisse a
si mesmo, como também aos demais. A’ishah disse: Perguntaram-me como se
comportava em sua casa o Mensageiro de Deus .
Ela disse: Ele ajudava em casa com as tarefas diárias e quando ouvia o
chamado para a oração, dirigia-se para a mesquita. (Bujari 5048)
Declarações de Justiça e Equidade
1. O Poeta alemão, Göethe26,
disse: Procurei na história o paradigma do homem e o encontrei no profeta
árabe Muhammad.
2. O professor Keith Moore27,
disse em seu livro "The Developing Human: É evidente que estas declarações
devem ter sido
apresentadas a Muhammad através de Deus, o Alá, já que muito desses
conhecimentos só foram descobertos muitos séculos mais tarde. Isto prova
que Muhammad deve ter sido um Mensageiro de Deus ou Alá . Depois disse:
Não tenho dificuldades em aceitar que é uma inspiração ou revelação
divina, o que o levou a fazer essas declarações.
3. O Dr. Maurice Bucaille28,
disse em seu livro "The Qur’an and Modern Science": Um exame totalmente
objetivo do Alcorão à luz do conhecimento moderno, nos leva a reconhecer a
coincidência entre ambos, como já foi visto em repetidas ocasiões. Faz-nos
considerar impensável que um homem da época de Muhammad tenha sido o autor
dessas afirmações, tendo-se em conta o grau de conhecimento desses tempos.
Essas considerações são parte do que dá um lugar único à Revelação
Corânica e obriga ao Cientista imparcial a admitir sua incapacidade em
oferecer uma explicação baseada exclusivamente no racionalismo
materialista.
26 Escritor e cientista
alemão. Escreveu poesia, drama e romance. Também dirigiu investigação
científica em vários campos, como a botânica e ocupou várias posições
governamentais. 27 Foi Presidente da
Associação Canadense de Anatomia , do Departamento de anatomia y biologia
celular, da Universidade de Toronto. 28 Dr.
Maurice Bucaille cirurgião francês eminente, cientista. Estudioso e autor
de A Biblia, O Alcorão e a Ciência.
4. Annie Besant29 em The Life and Teachings
of Mohammad, disse: é impossível para qualquer um que estude a vida e
caráter do grande Profeta da Arábia, que sabia como ensinar e viver, sinta
não menos que veneração pelo poderoso Profeta, um dos grandes mensageiros
do Supremo. E ainda que muitas das coisas que expressei pareçam familiares
a muitos, ainda assim, sinto em cada ocasião que o releio, um novo modo de
admiração, um novo sentido de veneração ao grande Mestre árabe.
29 Teósofo inglês, filósofo e figura política
que defendeu a autonomia e as reformas educativas na Índia.
5. Dr. Gustav Weil em History of the
Islamic Peoples disse: Muhammad era um brilhante exemplo para sua gente.
Seu caráter era puro e imaculado. Seu lar, sua vestimenta, sua comida
estavam caracterizados por uma rara simplicidade. Tão poucas pretensões
tinha, que não aceitava receber nenhum tipo especial de reverências, nem
tampouco algum serviço de serviçais, que ele mesmo pudesse fazer. Era
acessível a todos, em todos os momentos. Visitava os enfermos e estava
repleto de solidariedade para com todos. Ilimitada era sua benevolência e
generosidade como também seu ansioso cuidado pelo bem-estar de sua
comunidade.30 30
Enciclopédia de Sirah, por Afzalur-Rahman.
6. Maurice Gaudefroy disse: Muhammad era
um Profeta, não um teólogo, um fato tão evidente que se resiste a
declará-lo. Os homens que o rodeavam e que constituíam a influente elite
da comunidade Muçulmana original, relutavam em ter que obedecer à lei que
ele havia proclamado em nome de Deus e em seguir seu conselho e exemplo.31
31 ibid.
7. Washington Irving32 disse: Seus triunfos
militares não despertaram nele nem orgulho nem vaidade como o teriam feito
se tivessem sido afetados com propósitos egoístas. No tempo de maior
poder, ele manteve a mesma simplicidade nos modos e aparência que nos dias
de adversidade. Muito longe de adotar um estado majestoso, incomodava-se
se, ao entrar em algum cômodo, fizessem alguma demonstração diferente de
respeito.33 32
Escritor famoso. Morreu em 1859. 33
Enciclopédia de Sirah, por Afzalur-Rahman.
8. O Marquês de Dufferin disse: É pela
ciência Muçulmana, pela arte e literatura Muçulmanas que a Europa tem uma
dívida por ter logrado sair da obscuridade da Idade Média.
As
Esposas do Profeta
Depois da morte de sua primeira esposa,
Khadijah, o Profeta
se casou com onze mulheres; todas elas divorciadas, exceto Aishah. Seis de
suas esposas eram da tribo de Quraish e cinco eram de diferentes tribos
árabes. O Profeta
se casou com essas mulheres por muitas razões:
1. Propósitos religiosos e legislativos:
O Profeta
se casou com Zainab b. Yahsh. Os árabes na Era Pagã pré-Islâmica proibiam
a um homem casar- se com a esposa de seu filho adotivo; eles criam que o
filho adotivo era como o filho biológico em todos os aspectos. O Profeta
se casou com ela, embora ela tenha sido casada com seu filho adotivo, Zaid
b. Harizah. O Mensageiro de Deus
casou-se com ela para abolir essa crença. Deus, o Altíssimo, disse: E
lembra [Oh, Muhammad!] quando disseste [a Zaid Ibn Hârizah] a quem Deus
tinha agraciado [com o Islam], e tu havias favorecido [libertando-o da
escravidão]: Fica com tua esposa, e teme a Deus; ocultaste assim o que
Deus manifestaria porque temeste o que diriam as pessoas, mas Deus é mais
digno de ser temido. Quando Zaid termine com o vínculo conjugal [e sua
ex-esposa haja concluído o tempo de espera depois do divórcio], a
concederemos a ti em matrimônio, para que os crentes não tenham nenhum
impedimento em casar-se com as ex-esposas de seus filhos adotivos, se é
que eles decidem separar-se delas, e saiba que este é um preceito de Deus
que deve ser acatado. Não comete falta alguma o Profeta porque Deus lhe
prescreveu [e permitiu contrair em matrimônio]; este é o desígnio de Deus,
tal como foi para os Profetas que lhe precederam; e o desígnio de Deus
deve cumprir-se. [33:37]
2. Razões políticas, para benefício da difusão do Islam e para ganhar a
aprovação das tribos árabes: O Mensageiro de Deus
se casou com mulheres das mais influentes tribos árabes. O Profeta
ordenou a seus Companheiros fazer o mesmo. O Profeta
disse a Abdurrahmaan b. Auf: Se te segue (e aceita o Islam), então casa
com a filha do chefe da tribo. O Dr. Cahan disse: Alguns dos aspectos de
sua vida podem parecer confusos devido à mentalidade atual. O Mensageiro é
criticado por sua obsessão de realização mundana e por suas nove esposas,
com as quais se casou depois da morte de sua primeira esposa, Khadijah. Já
ficou confirmado que a maioria desses matrimônios foram realizados por
razões políticas, com o propósito de obter lealdade de alguns nobres e
tribos.
3. Razões sociais: O Profeta
se casou com as esposas de alguns de seus Companheiros que morreram em
batalha. Casou-se com elas embora fossem mais velhas do que ele, e o fez
para honrá-las e para honrar seus defuntos maridos. Veccia Vaglieri35
35 Orientalista italiano
em seu livro In Defense of the Islam, disse: Durante os anos de sua
juventude, Muhammad
se casou só com uma mulher, embora a sexualidade masculina estivesse em
seu ponto mais alto durante esse período. Ainda que vivendo na sociedade
em que viveu, onde os matrimônios plurais eram considerados a regra geral,
e o divórcio era algo muito fácil ele só se casou com uma mulher, embora
sendo mais velha do que ele. Ele foi um marido fiel por vinte e cinco
anos, e não se casou com outra mulher, exceto depois de enviuvar. Tinha
então cinqüenta anos. Casou-se com suas esposas mais tarde por razões
sociais ou propósitos políticos; tanto por querer a honra da mulher
piedosa, ou por querer a lealdade de certas tribos para poder expandir o
Islã entre eles. Nenhuma das esposas com que Muhammad
se casou era virgem, nem jovem ou bela; exceto Aishah. Então, como pode
alguém proclamar que era um homem luxurioso? Ele era um homem e não um
deus. Seu desejo de ter um filho poderia também tê-lo levado a se casar,
já que todos os filhos que teve com Khadijah morreram. Por outro lado, foi
quem assumiu as responsabilidades financeiras de sua extensa família, sem
ter grandes recursos. Era justo e eqüitativo e não fazia distinção entre
eles. Seguiu a prática de antigos Profetas como Moisés, a quem ninguém se
opôs por seus múltiplos matrimônios. Será que a razão pela qual se objeta
pelos múltiplos matrimônios de Muhammad, é o fato de que conhecemos até o
mais íntimo detalhe de sua vida, e sabemos muito pouco da vida dos
Profetas anteriores? Thomas Carlyle disse: Muhammad mesmo, depois de tudo
que se pode dizer dele, não era um homem sensual. Erramos ao considerar
esse homem com intenções de desfrutar dos prazeres básicos, ou prazeres de
qualquer outro tipo.36
36 ’Heroes, Hero-Worship and the
Heroic in History’
Provas dos Textos
Bíblicos que confirmam Muhammad como o Profeta
Provas do Alcorão
1. Deus, o Altíssimo, diz: Muhammad não
é o pai de nenhum de vossos homens, mas sim o Mensageiro de Deus e o selo
dos Profetas; e Deus é Onisciente. [Alcorão 33:40]
2. Jesus
se alegrou com o advento do Profeta Muhammad no Evangelho. Deus, o
Altíssimo diz: E quando Jesus, filho de Maria, disse: Oh, filhos de
Israel! Eu sou o Mensageiro de Deus, enviado a vós para corroborar a Tora
e anunciar um Mensageiro que virá depois de mim, chamado Ahmad [Este era
um dos nomes do Profeta Muhammad]. Mas quando lhes apresentou as
evidências, disseram : Isto é pura magia! [Alcorão 61:6]
Provas da Sunnah(Sunnah: toda narração de
palavra, ação, características ou aprovações tácitas do Profeta):
O Profeta
disse: Meu exemplo e o dos Profetas anteriores, para mim, são como um
homem que construiu uma casa, com grande perfeição, exceto pelo espaço de
um tijolo; as pessoas a rodeariam e a olhariam com respeito por sua
perfeição e diriam: Se não fosse por este espaço! O Profeta
disse: Eu sou esse tijolo, eu sou o último dos Profetas. (Bujari, 3342)
Escrituras
sagradas prévias:
Ataa’ b. Yasaar disse: Conheci Abdullah
b. Amr b. al-Aas e perguntei-lhe: Conta-me sobre a descrição do Mensageiro
de Deus
na Tora. Ele disse: Ele é descrito na Tora como é descrito no Alcorão:
Enviamos a ti como testemunha (para toda a humanidade) para alegrar, para
advertir, para proteger e resguardar os humildes. Tu és Meu servo e
mensageiro, te chamo Mutawakki (O leal). Não tens maus modos, não és rude
nem levantas a voz. Não pagas o mal com o mal; em troca, perdoas e
desculpas. Não tomarei tua alma até que guies as Nações, até que digam:
Não há outro verdadeiro deus merecedor de adoração exceto Deus até que
eles vejam claramente a verdade. Ata disse: Conheci Kab, o Rabino, e
perguntei-lhe sobre sua narração, e ele não contradisse Abdullah b. Amr b.
Al-Aas, exceto por uma pequena diferença de palavras. (Baihaqi, 13079)
Abdul-Ahad Dawud38
38 Rev. David Benjamín Keldani, B.D.
sacerdote católico romano da seita de Uniate-Chaldean. Nasceu em 1867 em
Urmia, Pérsia disse: Tratei de fundamentar meus argumentos
em citações da Bíblia, que escassamente permite discussões lingüísticas.
Não o farei em Latim, Grego ou Aramaico, porque não teria sentido: só
farei a seguinte anotação, com as palavras da Versão Corrigida publicada
pela Sociedade Bíblica britânica. Podemos ler as seguintes palavras no
Livro do Deuteronômio 18:18: Eu farei que se levante do meio de seus
irmãos um profeta, o mesmo que fiz contigo. Eu porei minhas palavras em
sua boca e ele lhes dirá tudo o que eu mande. Se estas palavras não se
aplicam ao Profeta Muhammad, ainda permanecem não cumpridas. O próprio
profeta Jesus nunca afirmou ser o Profeta a que se aludia. Até seus
discípulos pensavam o mesmo: esperaram a segunda aparição de Jesus para o
cumprimento da Profecia. Até agora é evidente que a primeira aparição de
Jesus não foi o advento do Profeta, e sua segunda chegada pode
dificilmente cumprir essas palavras. Jesus, como se crê na Igreja,
aparecerá como um juiz e não como um legislador; mas o prometido virá com
uma lei de fogo em sua mão direita. Comprovando a personalidade do Profeta
prometido, a outra profecia de Moisés é, no entanto, de muita ajuda porque
fala de iluminada marcha desde Parán, a montanha de Meca. As palavras no
Livro de Deuteronômio, capítulo 13:2, diz o seguinte: O Senhor saiu do
Sinai; para eles, levantou-se sobre o horizonte de Seir; resplandeceu
desde o monte Parán; para eles chegou a Meriba de Cadés acompanhado de
seus santos. Com estas palavras o Senhor foi comparado com o sol. Ele vem
do Sinai, ilumina-os desde Seir, mas resplandece cheio de glória desde
Parán, onde aparece com dez mil santos com uma lei de fogo em sua mão
direita.
Nenhum dos israelitas, incluindo-se Jesus, tem alguma relação com Parán.
Hagar, com seu filho Ismael, perambularam pelo deserto de Beersheba; mais
tarde morou no deserto de Parán. (Gen. XXI.21). Casou-se com uma mulher
egípcia, e através do nascimento de seu primeiro filho, deu descendência
aos árabes que desde então são os moradores do deserto de Parán. Se o
Profeta Muhammad tem ascendência de Ismael a Cedar, aparece como o Profeta
do deserto de Parán, entra em Meca com dez mil santos e dá ao povo uma lei
de fogo, não está cumprida na totalidade a profecia mencionada
anteriormente?
As palavras da profecia em Habakkuk são dignas de atenção. Sua (o santo de
Parán) glória cobriu os céus e a terra se encheu de louvores. A palavra
louvor tem um significado importante, porque o nome Muhammad significa o
louvado. Além dos árabes, aos habitantes do deserto de Parán também lhes
foi prometido uma Revelação: permitam que os desertos e as cidades
levantem sua voz; os povos que Cedar habitou: permitam que os habitantes
das pedras cantem, permitam lhes gritar de cima das montanhas.
Permitam-lhes brindar glória ao Senhor, e clamem seus louvores nas ilhas.
O Senhor resplandecerá como um
homem poderoso, removerá os ciúmes como um homem de guerra, chorará,
gritará, rugirá, ele triunfará sobre seus inimigos (Isaías).
Há outras duas profecias em conexão com esta, onde se menciona Cedar. Uma
se apresenta desta maneira no capítulo IX de Isaías: Levanta-te e brilha ,
que chegou tua luz e a Glória de Jeová amanheceu sobre ti. Enquanto as
trevas cobriam a terra e os povos estavam na noite, sobre ti se levantou
Jeová, e sobre ti apareceu sua Glória. Os povos se dirigem à tua luz e os
reis, ao resplendor da tua aurora. Levanta os olhos ao teu redor e
contempla: todos se reúnem e te vêem; teus filhos chegam de longe e tuas
filhas são trazidas ao colo. Tu então, ao vê-lo, ficarás radiante,
palpitará teu coração muito emocionado; hão-de trazer-te tesouros do outro
lado do mar e chegarão a ti as riquezas das nações. Inundar-te-á uma
multidão de camelos: chegarão os de Madián e Efá. Os de Sabá virão todos
trazendo ouro e incenso, e proclamando os louvores de Jeová. Todos os
rebanhos de Cedar se reunirão junto a ti, e os carneiros de Nebayot serão
teus para serem oferecidos em meu altar, pois quero dar esplendor ao
templo de minha Glória (1- 7). A outra profecia está também em Isaías,
Profecia sobre Edom: Alguém me grita desde Seír: «Sentinela, que hora é da
noite? «Sentinela, que hora é da noite? O sentinela responde: «Chega a
manhã, mas também a noite; se vocês querem perguntar, perguntem, mas
voltem outra vez.» Profecia sobre a Arábia: Entre as matas da estepe
passam a noite as caravanas dos dedanitas. Saiam ao encontro do sedento,
habitantes do país de Tema, levando-lhe água; acolham o fugitivo e
dêem-lhe pão. Pois eles vêm fugindo das espadas, das espadas afiadas, do
arco pronto para disparar, da violência da guerra. Sim, assim me disse o
Senhor: «Dentro de um ano, o mesmo que dura o contrato de um soldado, toda
a riqueza de Quedar terá terminado e não sobrará quase nada dos arqueiros
valentes de Quedar, - isto é palavra de Jeová, o Deus de Israel.; se podem
entender estas profecias em Isaías à luz de uma mencionada no
Deuteronômio, que fala da iluminada marcha de Deus desde Parán. Se Ismael
habitou o deserto de Parán, onde deu vida a Cedar, quem é o antecessor dos
árabes; e se os filhos de Cedar receberam revelações do Senhor, se os
carneiros de Cedar foram oferecidos com agrado sobre o Divino altar para
glorificar A casa de minha gloria onde a escuridão cobriu a terra por
alguns séculos, para que logo essa terra recebesse luz Divina; e se por
glória de Cedar a quantidade de arqueiros e os poderosos filhos de Cedar,
diminuíssem um ano depois de fugir das espadas e da inclinação dos arcos O
Bendito de Parán (Habakkuk III 3) não é outro mais que o profeta Muhammad.
O profeta Muhammad é a Bendita prole de Ismael através de Cedar, que se
instalou no deserto de Parán.
Muhammad é o único Profeta do qual os árabes receberam revelações nos
tempos em que a escuridão havia coberto a terra.
Através dele Deus resplandeceu desde Parán, e Meca é o único lugar de onde
A Casa de Deus é glorificada e os carneiros de Cedar foram oferecidos com
agrado sobre o altar. O Profeta Muhammad foi perseguido por sua gente e
teve que deixar Meca. Ele estava sedento e fugiu das espadas e dos arcos;
e depois de um ano de sua fuga, os descendentes de Cedar o encontraram em
Badr, o lugar da primeira batalha dos Mecanos e o Profeta, os filhos de
Cedar, e sua quantidade de arqueiros diminuíram e toda a glória de Cedar
se consumou. Se o Profeta não é aceite como o cumprimento de todas essas
profecias, estas não foram cumpridas. A casa de minha glória a que se
refere Isaías 1X , é a casa de Deus em Meca e não a Igreja de Cristo como
clamam os Cristãos. Os carneiros de Cedar, como se menciona no verso 7,
nunca chegaram à Igreja de Cristo, e é um fato que os povoados de Cedar e
seus habitantes são os únicos no mundo que permaneceram impenetráveis à
Igreja de Cristo.
Outra vez, a menção dos dez mil santos em Deuteronômio 30:3 tem muito
significado. Ele (Deus) resplandeceu desde Parán, e chegou com dez mil
santos. Lendo a história completa do deserto de Parán não se encontra
outro evento além daquele em que Meca foi conquistada pelo Profeta. Ele
chegou com dez mil seguidores de Medina e entrou em A casa de minha
glória. Entregou a lei de fogo ao mundo, que reduziu a cinzas todas as
demais leis. O Confortador O Espírito da Verdade - de que falou o Profeta
Jesus não foi outro mais que o Profeta Muhammad. Não pode ser tomado como
o Espírito Santo como diz a Igreja. É necessário para vocês, que eu
desapareça, diz Jesus, já que se eu não me for o Confortador não virá. As
palavras mostram claramente que o Confortador virá depois da partida de
Jesus, e não estava com ele quando pronunciou estas palavras.
Podemos supor que Jesus estava desprovido do Espírito Santo se sua chegada
dependia da partida de Jesus: além disso a forma como Jesus o descreve faz
com que ele pareça um homem e não um espírito. Ele não falará por si
mesmo, falará por inspiração. Temos que supor que o Espírito Santo e Deus
são duas entidades diferentes, que o Espírito Santo fala por si e também o
que escuta de Deus? As palavras de Jesus se referem claramente a um
Mensageiro de Deus. Chama-o O Espírito da Verdade, e então o Alcorão fala
do Profeta Muhammad: Por certo que ele se apresentou com a Verdade, e
corroborou a Mensagem dos Profetas que o precederam. Alcorão 37:37
39 39
Muhammad na Biblia, Abdul-Ahad Dawud.
No Novo Testamento:
Há várias passagens no Novo Testamento
que claramente anunciam a vinda de Muhammad pela contradição de sua
natureza e suas ações.
João , o Batista: Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram
sacerdotes e levitas de Jerusalém para perguntar-lhe: Quem és tu? João
declarou e não ocultou a verdade: Eu não sou o Messias. Perguntaram-lhe:
Então, quem és ? Elias? Respondeu: Não sou. Disseram-lhe : És o Profeta?
Respondeu: Não. Então lhe disseram? Quem és, então? Pois temos que levar
uma resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo? João respondeu:
Eu sou, como disse o profeta Isaías, a voz que grita no deserto: Tomem o
caminho do Senhor.Os enviados eram do grupo dos fariseus, e lhe fizeram
outra pergunta: Por que batizas então, se não és o Messias, nem Elias, nem
o Profeta? (João 1:20-25)
Esse Profeta não era Jesus, mas sim Muhammad, porque João Batista
continuou pregando, batizando e anunciando a vinda desse Profeta durante a
vida de Jesus. Jesus: O Profeta Jesus predisse a vinda de outro Profeta
cujo nome seria ’Periqlytos’, ou ’Paráclito’, ou ’Paracalon’. Diz: e eu
rogarei ao Pai e lhes darei outro Protetor (Paráclito) que permanecerá
sempre com
vocês. (João XIV, 16)
A palavra Paráclito significa ’ilustre, renomado e louvado’ e isto é
exatamente o que significa o nome ’Ahmad’. No Sagrado Alcorão são
mencionadas as Profecias feitas por Jesus sobre o advento de um profeta
chamado ’Ahmad’. Deus, o Altíssimo, diz: E quando Jesus, filho de Maria,
disse: Oh, filhos de Israel! Eu sou o Mensageiro de Deus, enviado a vós
para corroborar
a Tora e anunciar um Mensageiro que virá depois de mim, chamado Ahmad
[Este era um dos nomes do Profeta Muhammad].[Alcorão 61:6]
Provas
intelectuais que confirmam o Profeta
1. O Profeta
era iletrado. Não sabia ler nem escrever. Viveu entre pessoas iletradas
como ele. Portanto não se pode afirmar que Muhammad
foi o autor do Alcorão. Deus, o Altíssimo, diz:
E tu não sabias ler nenhum tipo de escritura antes que te fora revelado [o
Alcorão] nem tampouco transcrevê-la com tua direita; porque se assim
fosse, poderiam ter semeado dúvidas [sobre ti] os que inventam mentiras.
[29:48]
2. Os árabes foram desafiados a escrever
algo similar ao Alcorão, e não o puderam fazer! A formosura de sua
estrutura e o profundo significado do Alcorão assombravam aos árabes. O
Alcorão é o eterno milagre de Muhammad. O Mensageiro de Deus
disse: Os milagres dos Profetas (antes de mim) estavam restritos a suas
épocas. O milagre que me foi dado é o Alcorão que é eterno, e por ele
espero ter muitos seguidores. (Bujari 4598) Ainda que sua gente tenha sido
eloqüente e conhecida por sua imponente poesia, Deus os desafiou a
produzir algo similar ao Alcorão, mas não o conseguiram. Deus diz:
Se duvidardes do que revelamos ao Nosso servo [Muhammad] trazei um
capítulo similar, e recorrei a ele, a quem pedis socorro em lugar de Deus,
se é que dizeis a verdade. [2:23] Deus desafia os homens a produzir algo
similar ao Alcorão. Deus diz: Diga-lhes: Se os homens e os gênios se
unissem para fazer um Alcorão similar, não lograriam, ainda que se
ajudassem mutuamente. [17:88]
3. O Profeta
continuou rezando e convocando as pessoas ao Islam, embora tenha passado
por muitas dificuldades e tenha sido contestado por sua gente, que
planejou inclusive assassiná-lo. Ainda assim o Profeta
continuou pregando e foi paciente. Se fosse um impostor teria parado de
pregar e teria temido por sua vida.
W. Montgomery Watt disse: Sua disposição para sofrer perseguições por suas
crenças, a alta moral dos homens que creram nele e o respeitaram como
líder, e a grandeza do seu último resultado tudo sustenta sua integridade
fundamental. Supor que Muhammad foi um impostor traz mais problemas do que
os resolve. Além disso, nenhuma das figuras da história é tão pobremente
apreciada no Ocidente como Muhammad... Portanto, não só devemos dar
crédito a Muhammad por sua honestidade essencial e propósitos íntegros. Se
é que o vamos a entender, se queremos corrigir os erros que herdamos do
passado, não devemos esquecer que uma prova conclusiva é um requerimento
mais estrito que uma demonstração de plausibilidade e, em um caso como
este, só se consegue com dificuldade.
4. Todas as pessoas gostam dos
ornamentos e belezas, e poderiam ser influenciados por eles . Deus, o
Altíssimo, diz: Foi arraigada no coração dos homens a inclinação pelos
prazeres: as mulheres, os filhos, o acúmulo de riquezas em ouro e prata,
os cavalos de raça, os rebanhos e os campos agrícolas. Esse é o gozo da
vida mundana, mas Deus lhes tem reservado algo mais belo. [3:14] O homem,
por natureza, se entusiasma por adquirir ornamentos e belezas deste mundo.
As pessoas diferem no método que usam para adquirir essas coisas. Alguns
usam como recurso para obtê-las, meios legais, enquanto que outros
utilizam meios ilegais.
Quraish tratou de persuadir o Profeta
para que deixasse de invocar as pessoas ao Islam. Ofereceram-lhe
transformá-lo no Senhor de Quraish, casá-lo com a moça mais bela e fazer
dele o homem mais rico. Ele respondeu a estas ofertas tentadoras, dizendo:
Por Deus, se colocassem o sol na minha mão direita e a lua na minha mão
esquerda, para que me afastasse deste assunto, não o faria, até que Deus o
fizesse triunfar (ao Islã) ou morresse convidando as pessoas. (Ibn Hisham)
Se o Profeta
fosse um impostor, teria aceite esta oferta sem pensar.Thomas Carlyle,
disse: Chamam-no Profeta, me disseste? Arre! Colocou-se cara a cara com
eles, aqui, sem consagrar nenhum mistério, cobrindo-se com seu manto,
remendando seus próprios sapatos, lutando, aconselhando ordem em seu meio.
Devem ter visto a classe de homem que ele era, deixem que o chamem como
goste. Nenhum imperador, com suas tiaras, foi obedecido como este homem
com um manto. Durante vinte e três anos de processo duro e real, vejo nele
a autenticidade de um herói.40
40 ’Heroes, Hero-Worship and the Heroic in
History’
5. Sabe-se que o domínio e a riqueza de
um reino estão sujeitos à vontade do rei. Tratando-se de Muhammad
ele sabia que esta vida era uma etapa transitória. Ibrahim b. Alqamah
narrou que Abdullah disse: O Profeta
se recostou sobre um tapete de palha, que deixou suas costas marcadas,
então disse: Mensageiro de Deus! Daria minha mãe e meu pai como resgate,
por ti! Permite-nos pôr uma cama sobre o tapete em que deitas, para que
tuas costas não fiquem marcadas. O Profeta
disse: Meu exemplo nesta vida é como um ginete que descansa à sombra de
uma árvore e logo continua sua viagem. (Ibn Mayah, 4109) An-Nu’man b.
Bashir disse: Vi teu Profeta
(durante um tempo) quando não podia nem sequer encontrar tâmaras boas para
encher seu estômago. (Muslim, 2977) Abu Hurairah disse: O Mensageiro de
Deus
nunca teve a oportunidade de alimentar- se durante três dias seguidos até
à sua morte. (Bujari, 5059)
Ainda que a Península Árabe estivesse sob seu domínio, e ele era a fonte
de bondade para sua gente, o Profeta ,
algumas vezes, não encontrava comida para satisfazer suas próprias
necessidades. Sua esposa, Aishah, narrou que ele uma vez comprou um pouco
de comida de um Judeu (e combinou de pagar-lhe logo) e entregou-lhe sua
armadura como garantia. (Bujari, 2088)
Isto não significa que ele não pudesse obter o que queria, já que lhe
ofereciam dinheiro e riqueza em sua Mesquita, e ele não saía do lugar, até
distribuir tudo entre os pobres e os necessitados. Entre seus Companheiros
havia ricos e endinheirados apressavam-se a servi-lo e lhe ofereciam as
coisas mais valiosas. A razão pela qual o Profeta
renunciou às riquezas do mundo, foi porque sabia a realidade da vida. Ele
disse: A comparação desta vida com a do além, é como uma pessoa que
submerge seu dedo no oceano; quanto pode tirar dele? (Muslim, 2858)
O Reverendo Bosworth Smith disse: Se alguma vez um homem governou por um
direito divino, esse foi Muhammad, já que ele teve todos seus poderes sem
o apoio do seu povo. Não se preocupou pelas vestes do poder. A
simplicidade de sua vida privada coincidia com sua vida social.41
41 Muhammad and Muhammadanism.
6. Ao Profeta de Deus
sucederam certos incidentes que necessitaram ser esclarecidos, e ele não
teve a oportunidade de fazer algo porque não recebeu nenhuma revelação
esclarecedora. Durante este período (entre o incidente e a revelação)
encontrava-se exausto. Um destes incidentes é o Ifk’
42 em que sua esposa Aishah foi acusada de ser infiel. O Profeta
não recebeu nenhuma revelação sobre este incidente por um mês; enquanto
isso seus inimigos falaram mal dele, até que recebeu a revelação e ficou
evidente a inocência de Aishah. Se o Profeta
fosse um impostor teria resolvido este incidente no instante em que
surgiu. Mas Deus diz: Não fale de acordo com suas paixões. [53:3]
42 i.e. O incidente em que os hipócritas
acusaram Aishah falsamente, que Deus tenha compaixão dela, de haver sido
infiel.
7. O Profeta
não pedia às pessoas que o bajulassem. Pelo contrário, o Profeta
se desgostava quando uma pessoa o adulava de qualquer forma. Anas disse:
Não havia um indivíduo mais amado por seus Companheiros que o Mensageiro
de Deus. Ele disse: Se o viam, não se levantavam por ele, já que sabiam
que isso o desgostava. (Tirmizi, 2754)
Washington Irving disse: Seus triunfos militares não despertaram nele, nem
orgulho nem vaidade, do mesmo modo que teria sido afetado por propósitos
egoístas. No tempo de maior poder ele manteve a mesma simplicidade nos
costumes e aparência que em seus dias de adversidade. Muito longe de viver
de forma majestosa, incomodava se, ao entrar em um cômodo, era tratado com
alguma forma de respeito.
8. Alguns dos versículos do Alcorão foram revelados para admoestar o
Profeta
sobre a causa de certos incidentes, tal como: As palavras de Deus, o
Altíssimo: Oh, Profeta! Por que proíbes o que Deus fez lícito, pretendendo
com isso agradar às tuas esposas? E [sabe que apesar disso] Deus é
Condescendente, Misericordioso [66:1] O Profeta
se absteve de comer mel, por causa do comportamento de algumas de suas
esposas. Deus, então o advertiu já que ele se proibiu a si mesmo o que
Deus considera lícito.
a. Deus, o Altíssimo, diz: Deus te
desculpou [Oh, Muhammad!] por haver-lhes eximido sem antes comprovar quem
era verdadeiro e quem era mentiroso. [9:43] Deus admoestou o Profeta
porque aceitou rapidamente as falsas desculpas dos hipócritas que se
ausentaram na Batalha de Tabuk. Perdoou-os e aceitou seus pretextos, sem
verificá-los. Deus, o Altíssimo, diz: Não é permitido ao Profeta [nem aos
crentes] tomar como prisioneiros de guerra aos incrédulos antes de tê-los
combatido e dizimado na Terra. Pretendeis assim [cobrando seu resgate]
obter um benefício mundano, mas saiba que Deus quer para vós a recompensa
da outra vida. Certamente Deus é Poderoso, Sábio. [8:67]
b. Deus, o Altíssimo, diz: Não é assunto
teu se [Oh Muhammad, somente de Deus] Ele os absolve ou os castiga, porque
foram iníquos. [3:128]
c. Deus, o Altíssimo, diz: [Oh,
Muhammad!] Franziste o cenho e viraste as costas ao cego quando se
apresentou a ti. E talvez pretendesse instruír-se para assim purificar sua
conduta e moral, ou beneficiar se, refletindo sobre tuas palavras.
[80:1-4] Abdullah b. Umm Maktum, que era cego, veio ao Profeta
quando estava pregando a alguns dos líderes Quraish, e o Profeta
franziu o cenho e continuou seu sermão e Deus o admoestou por isso. Se o
Profeta
fosse um impostor, este versículo não se encontraria no Alcorão.
Muhammad Marmaduke Pickthall disse: Um dia, quando o Profeta estava
conversando com um dos grandes homens de Quraish, tratando de persuadi-lo
da verdade do Islã, um homem cego lhe fez uma pergunta sobre a fé. O
Profeta se irritou pela interrupção, franziu o cenho e se afastou do cego.
Neste versículo se diz que a importância de um homem não deve ser julgada
por sua aparência ou condição.43
43 O Glorioso Alcorão, tradução de Pickthall
pág. 685
9. Um dos sinais de sua profecia se
encontra no capítulo 111 do Alcorão. Nele, Deus, o Altíssimo, condena Abu
Lahab (tio do Profeta) ao tormento do inferno. Este capítulo foi revelado
durante as primeiras etapas de seu chamado ao Islam. Se o Profeta
fosse um impostor não imporia uma regra como esta, já que seu tio poderia
ter aceitado o Islã mais tarde! Dr. Gary Miller diz: Por exemplo, o
Profeta
tinha um tio com o nome Abu Lahab. Este homem odiava tanto o Islã que
costumava seguir o Profeta só para desacreditá-lo. Se Abu Lahab via o
Profeta
falando com um estranho, esperava que se fosse para ir encontrá-lo e
perguntar-lhe: Que te disse? Disse-te negro? Bem, é branco. Disse dia?
Bem, é noite. Ele dizia exatamente o contrário do que Muhammad
comunicava. Entretanto, aproximadamente dez anos antes que Abu Lahab
morresse foi revelado um pequeno capítulo do Alcorão. Este expressava,
distintivamente, que ele iria ao Fogo do Inferno. Em outras palavras,
afirmava que nunca se converteria em Muçulmano e por essa razão seria
condenado para sempre. Por dez anos tudo o que Abu Lahab fez foi dizer,
Diz-se que uma revelação mostrou a Muhammad que eu nunca mudarei, que
nunca me converterei em Muçulmano e entrarei no Fogo do Inferno.
Bem, agora quero converter-me em Muçulmano. Agrada-lhes isto? Que pensam
de sua divina revelação agora? Mas nunca o fez. E apesar de tudo, este é o
tipo de comportamento que se poderia esperar dele já que a única coisa que
fez foi contradizer o Islã. Em essência, Muhammad
disse Odeias-me e queres terminar comigo? Aqui, diga estas palavras e
terás terminado comigo. Vamos diga-as! Mas Abu Lahab nunca as disse. Dez
anos! E em todo esse tempo nunca aceitou o Islã nem apoiou sua causa. Como
Muhammad podia saber com segurança que Abu Lahab cumpriria a revelação do
Alcorão se ele não fosse o verdadeiro Mensageiro de Deus? Como é possível
que estivesse tão seguro para deixar que alguém o desacredite por dez
anos? A única resposta é que ele era o Mensageiro de Deus, já que por
ter-se exposto a um desafio tão arriscado, deve-se entender que teve que
ser a causa de uma revelação divina.44
44 O Sagrado Alcorão.
10. O Profeta
é chamado: ’Ahmad’ em um versículo do Alcorão, em lugar de Muhammad. Deus,
o Altíssimo, diz:
E quando Jesus, filho de Maria, disse: Oh, Filhos de Israel! Eu sou o
Mensageiro de Deus, enviado a vós para corroborar a Tora e anunciar um
Mensageiro que virá depois de mim chamado Ahmad. Mas quando lhes
apresentou as evidências, disseram: Isto é pura magia! [61:6] Se ele fosse
um impostor, o nome ’Ahmad’ não seria mencionado no Alcorão.
11. A religião do Islã ainda existe e
segue expandindo-se por todo o mundo. Milhares de pessoas abraçam o Islã e
o preferem às outras religiões. Isto acontece ainda que os seguidores do
Islam não estejam respaldados financeiramente como se espera; e apesar dos
esforços de seus inimigos para interromper a expansão do Islã. Deus, o
Altíssimo, diz: Certamente Nós revelamos o Alcorão e somos Nós os seus
anjos guardadores. [15:9]
Thomas Carlyle disse: Um impostor fundou uma religião? Como, um homem
impostor não pode construir uma casa de tijolos! Se realmente não conhece
e segue as características do pilão, a terra cozida e tudo no que
trabalha, não seria uma casa o que se constrói, mas uma pilha de sobras!
Não estaria de pé por doze séculos, para alojar mil oitocentos milhões de
pessoas; seria derrubada de imediato. Um homem deve se conformar com as
leis da natureza, viver em comunhão com a natureza e a verdade das coisas,
ou a Natureza irá reclamar. Não, para nada! Os erros são enganosos; um
Cagliostro, muitos Cagliostros, proeminentes líderes mundiais, progridem
pela falta de clero e ritos, por um dia. É como uma nota de banco
falsificada; passam por suas mãos sem valor: outros, não eles, o têm que
fazer com rapidez. A natureza explode em chamas de fogo; Revoluções
francesas e semelhantes, proclamando com terrível veracidade que as notas
falsificadas, são falsificadas. Mas por um grande homem, especialmente por
ele, me arriscarei a afirmar que é incrível que seja outro, que não seja
autêntico. Parece que esse é o seu primeiro alicerce, e tudo o que nele
jaz45. 45
Heroes, Hero-Worship and the Heroic in History’
O Profeta
conservou o Alcorão, depois que Deus conservou seu conteúdo, na memória de
geração após geração. Com efeito, memorizá-lo e recitá-lo, aprendê-lo e
ensiná-lo, são as coisas que os muçulmanos desfrutam fazer, já que o
Profeta
disse: O melhor de vocês é quem aprende o Alcorão e logo o ensina. (Bujari,
4639)
Muitos trataram de acrescentar ou omitir versículos do Alcorão; mas nunca
tiveram êxito, já que estes erros foram descobertos de imediato. A Sunnah
do Mensageiro de Deus
que é a segunda fonte da legislação islâmica, foi preservada por homens
honrados e piedosos. Passaram suas vidas reunindo estas tradições,
revendo-as para separar o falso do verdadeiro; até clarificaram quais
haviam sido planejadas.
Quem leia os livros escritos na ciência do Hadiss constatará que as
narrações que são autênticas, na realidade o são. Michael Hart diz:
Muhammad fundou e promulgou uma das maiores religiões do mundo46,
e se converteu em um efetivo líder político. Hoje, treze séculos mais
tarde, sua influência ainda é poderosa e dominante.
46 Os muçulmanos crêem que o Islam é uma
revelação Divina de Deus, e que Muhammad
não a fundou.
12. A verdade e sinceridade de seus princípios são boas e adequadas para
todos os tempos e lugares. Os resultados da aplicação do Islam são claros
e bem conhecidos, e mostra que com efeito é uma revelação de Deus. Além
disso, por que não é possível para Muhammad
ser um Profeta se é crença que muitos Profetas e Mensageiros foram
enviados antes dele? Se a resposta desta pergunta é que nada o impede
então nos perguntamos: Por que rejeitam este Profeta, e confirmam os
anteriores a ele?
13. Os homens não podem forjar leis
similares às do Islam que tratam cada aspecto da vida, como transações,
casamentos, conduta social, política e atos de adoração. Então, como é que
um homem iletrado pôde criar algo como isto? Não é isto uma clara prova de
que é Profeta ?
14. O profeta
não começou a chamar a gente ao Islã até que cumpriu quarenta anos. Sua
juventude havia passado e a idade em que deveria descansar e passar seu
tempo livre, foi a idade em que se encarregou, como Profeta, de difundir o
Islã. Thomas Carlyle, disse: É o contrário da teoria do impostor, o fato
em que viveu toda sua vida de forma irrepreensível, completamente, em
silêncio e de maneira comum, até que terminou sua vida. Até os quarenta
anos, nunca falou de alguma missão do céu. Todas suas irregularidades,
reais e supostas, datam de antes de seus cinqüenta anos, quando sua esposa
Jadiyah morreu. Toda sua ambição, aparentemente, havia sido, até esse
momento, viver uma vida honesta; sua fama, a simples opinião dos vizinhos
que o conheceram, havia sido suficiente até o momento. Só quando estava se
tornando velho, o lascivo ponto de sua vida explodiu, - a paz - o
principal que lhe deu este mundo, que começou com esta carreira de
ambição, e, ocultando todo seu caráter e existência, estabeleceu-se como
um infeliz e vazio charlatão para adquirir o que desde esse momento não
poderia desfrutar! Não tenho fé nisso.47
47 ’Heroes, Hero-Worship and the
Heroic in History’
Todos os louvores pertencem a Deus, Senhor do Universo. Queira Deus
bendizer seu Profeta e protegê-lo e à sua família de
todo mal Se desejar mais informações sobre o Islã, não hesite em contatar
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Em Inglês
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