Inicio do Azan (Chamamento a Oração)
 

O Islam não ordena que o crente dedique todo o seu tempo unicamente a Mesquita. Diz sim, que da mesma forma que a oração é obrigatória no seu devido tempo, ganhar o lícito para a sua provisão e dos seus familiares também é obrigatório. Para isso o crente tem que se ocupar dos negócios e outros assuntos considerados mundanos. Era preciso que houvesse um sistema em que as pessoas se juntassem na hora determinada para a oração em congregação na Mesquita, para cumprirem também, o dever de Deus depois de já terem cumprido os assuntos mundanos.

As cinco orações, como já foi referido, foram tornadas obrigatórias no "Miraj", ainda em Macca, mas com as perseguições dos coraixitas era difícil formar a oração em congregação. Quando em Madina os crentes já se sentiam seguros, Deus tornou obrigatório para eles o Zakat (Tributo) e o jejum. Havia agora necessidade de estabelecer um sistema para chamar as pessoas a oração em congregação na hora marcada, uma vez que o espírito de todas as obrigações do Islam, são o coletivismo e a união. Até essa altura, por não existir um sistema organizado para o chamamento a oração, ainda não havia a oração em congregação, bem organizada. As pessoas faziam um cálculo do tempo e apareciam na Mesquita para fazerem a oração.

O Profeta não estava de acordo com este sistema, esse espírito não podia durar nas futuras gerações. Surgiu, então, a questão de como indicar as pessoas a hora da oração em congregação. Por isso o Profeta chamou os crentes para os consultar e ter a sua opinião a este respeito. Houve várias idéias, e várias opiniões foram dadas, como o chamamento através da corneta como fazem os judeus, ou ser soprada a trombeta ou ser tocado o sino como fazem os cristãos, ou ser aceso o fogo como fazem os zoroastros, ou ser içada uma bandeira no topo da Mesquita na hora da oração, mas isso não poderia despertar o que estivesse a dormir ou o distraído. Por isso, estes métodos não podiam servir de chamamento a oração, porque em nenhum deles havia a glorificação a Deus, Sua recordação e lembrança. Além disso, todas estas religiões já não eram autenticas, estavam deturpadas e confusas com o politeísmo. Portanto, não era digno para uma adoração dedicada puramente a Deus tomar o método confuso com o politeísmo de informação da chegada da hora da oração. Por isso o Profeta não aceitou nenhum destes métodos. Omar apresentou depois a sua idéia, dizendo ao Profeta que se devia anunciar em voz alta no momento da oração. Idéia esta aceita pelo Profeta que disse ao Bilal para que quando chegasse a hora da oração anunciasse desta forma. Contudo, essa não foi a decisão final. Por isso, a preocupação de uma solução permanente continuou. Entretanto, numa das noites, vários crentes sonharam. Abdallah Bin Zaid Bin Abd Rabbih conta o seu sonho da seguinte forma: Vi um homem a vender uma corneta, perguntei-lhe o preço, e ele perguntou-me porque é que eu queria comprar. E respondi-lhe que era para anunciar a chegada do momento da oração. Esse homem, que estava vestido de verde, disse-me: Eu posso te dar a melhor solução para isso: Quando chegar a hora da oração, um de vós deverá dizer em voz alta as seguintes palavras:

Alláho akbar, Alláho akbar
Ach hado an lá ilaha illaláh
Ach hado na lá ilaha illaláh
Ach hado anna Mohammad Rassulullah
Ach hado anna Mohammad Rassulullah
Haia alas salah, Haia alas salah
Haia alalfalah, Haia alalfalah
Alláho akbar, Alláho akbar
Lá ilaha illaláh.

Deus é grandioso, Deus é grandioso.
Testemunho que não há outra divindade exceto Deus.
Testemunho que não há outra divindade exceto Deus.
Testemunho que Mohammad é Mensageiro de Deus.
Testemunho que Mohammad é Mensageiro de Deus.
Venham à oração. Venham à oração.
Venham à salvação. Venham à salvação.
Deus é grandioso, Deus é grandioso.
Não há outra divindade exceto Deus.

O homem disse, ainda, que quando começar a oração devem ser repetidas as mesmas palavras e depois de Haia Alal Falah (Venham à salvação) devem ser acrescentadas Cad Cámatis Saláh (A Oração está preste a começar). Quando o Profeta ouviu este sonho disse logo: "Sonho verdadeiro". Bilal era quem tinha a voz mais forte e bela. Por isso, o Profeta encarregou-o de fazer o chamamento à oração, e pediu a Abdullah Bin Zaid Abd Rabbih para que lhe ditasse as referidas palavras.

Quando Omar ouviu o chamamento veio correndo, e disse ao Profeta: "Por aquele que te enviou como Profeta! Eu também sonhei as mesmas palavras". E o Profeta agradeceu a Deus por encontrar mais provas. Estas, simples, suaves, melodiosas e encantadoras palavras do chamamento à oração, resumem o islamismo em poucas e doces frases. Ao mesmo tempo, são uns alimentos espirituais para todos os muçulmanos dos quatro cantos da terra. Em todas as Mesquitas, cinco vezes por dia, é praticado o chamamento. Se Mohammad mais nada além de instituir esse chamamento à oração, era-lhe suficiente tornar-se um imortal. Mas a sua fama está em milhares de grandes proezas iguais.

Havia uma casa ao lado da Mesquita, que era relativamente mais alta, de onde Bilal costumava fazer o chamamento a partir do telhado. A casa era pertencente a uma família da tribo Banu Najjar.

O chamamento islâmico à oração é igualmente um chamamento ao islamismo, cantado belamente com uma boa voz e transportado nas ondas do ar para todos os cantos do horizonte.

Ao ouvir essa voz a dizer "Não há outra divindade senão Deus o Único", os muçulmanos já se sentiam seguros e não tinham mais receios em relação aos idólatras. O Profeta tinha dois Muazzins (pessoas que fazem o chamamento) em Madina, Bilal e Abdallah Ibn Umm Maktum. Depois de fazer o Azzan no Fajr dizia: "As salátu khairun minan naum" (A Oração é melhor que o sono).

Então, o Profeta confirmou-o e disse para que acrescentasse essa frase no Azzan de Al Fajr.