Plano para assassinar Mohammad (SAWS)

Era o ano 13º da Proclamação da Profecia. De Macca tinham já emigrado todos os muçulmanos. Os coraixitas viram que os muçulmanos estavam juntando-se em Yaçrib, onde o Islam estava se fortificando e de onde se expandia. Convocaram uma reunião geral no Darun-Nadwa, na qual participaram todos os chefes tribais, nomeadamente Utbah, Abu Sufian, Jubair Bin Mutim, Abu Jahal, Umaya Bin Khalaf e outros. Todos eles confusos; não sabiam se Mohammad (SAWS) ficava em Macca, como tinha feito quando os muçulmanos imigraram para a Abissínia ou se também imigraria para Yaçrib. A impaciência aumentava-lhes dia a dia; o fogo de ódio e inimizade que estavam nos seus corações consumiam-nos. Estavam praticamente no inferno, tinham abusado de Mohammad (SAWS), boicotaram-no durante 30 meses, perseguiram-no, massacraram-no, mas mesmo assim ele conseguiu sobreviver e nada tinha afetado seu espírito. Agora, alguns de seus melhores homens de Coraix também já se tinham convertido; Yaçrib todo já estava ao lado de Mohammad (SAWS). O comércio dos coraixitas, que tinha a sua rota via Yaçrib, podia ser bloqueado; os seguidores de Mohammad (SAWS) poderiam chegar ao ponto de vingar-se dos coraixitas.

A preocupação deles era grande, e pensavam que alguma coisa teria de ser feita. Foi para debater essa questão que convocaram essa reunião no Darun-Nadwa, que era o salão do parlamento dos habitantes de Macca. Participaram dela 14 chefes de Coraix, incluindo um velho de Najd que era líder desse congresso, e participaram ainda representantes de todas as outras tribos.

Era a primeira semana do mês de Rabiul Awwal e com muita seriedade discutiram esse assunto. No fim, foram apresentadas várias propostas:

1 – Abdul Bakhtari (morto na Batalha de Badr) sugeriu que Mohammad (SAWS) deveria ser acorrentado, algemado e preso num quarto até morrer, assim como fizeram com uns poetas, nomeadamente Zuhair, Nabigha etc. Mas o velho senhor de Najd disse: “Essa sugestão não é boa porque, com isso, a fama de Mohammad (SAWS) aumentará, e isso atrairá a simpatia de pessoas para com ele, e é muito provável que os seus companheiros que o preferem acima de seus próprios pais e filhos, o venham libertar, e isso arrastar-nos-á para uma guerra tribal desnecessária, ficando assim os coraixitas com má fama e uma vergonha, se eles (os crentes) o conseguirem libertar”.

2 – Outra opinião foi a de expulsar Mohammad (SAWS) da Arábia, para eles ficarem aliviados. Mas o velho de Najd rejeitou também essa idéia dizendo: “Vós esqueceis do poder de persuasão e do fascinante discurso dele? Para onde ele for as pessoas juntar-se-ão a ele e, segui-lo-ão. Assim ele voltará para aqui para se vingar de nós”.

3 – Abu Jahal, o último a falar, disse: “a minha idéia final é de ele ser morto. Mas há o perigo de Abu Hachim se vingarem de nós, e assim começar de novo uma guerra tribal. A saída disso não é ser só homens de uma tribo a matarem-no, mas escolhermos de cada tribo, os jovens mais bravos. Que esses jovens cerquem a casa de Mohammad (SAWS), durante a noite. Quando Mohammad (SAWS) sair na aurora para ir à oração, então todos eles que o ataquem conjuntamente e matem-no de uma vez. Uma vez que todas as tribos serão representadas no assassinato, a tribo de Mohammad (Banu Hachim) não poderá combater e vingar-se de todos eles, e serão forçados a aceitar o resgate em dinheiro, o que podemos dar conjuntamente”.

Essa proposta foi aprovada unanimemente. Começaram então as preparações para ser posta em prática. Essa foi a conspiração planejada pelos descrentes. Mas o plano de Deus está acima de todos os planos, conforme diz o Alcorão:

“Na verdade eles estão a fazer conspirações, e Eu também conspiro (para desfazer a conspiração deles). Portanto, concede um prazo para os descrentes, concede-lhes prazo até um termo”. (Cap. 86, Vers. 15/16)

Os árabes, mesmo na época da ignorância, respeitavam a intimidade das pessoas. Por isso, os jovens que iriam matar Mohammad (SAWS) não assaltaram a sua casa. Sabendo que ele estava dentro, esperaram por ele até que saísse.

Mas Deus informou a Mohammad (SAWS) do plano feito pelos descrentes através da Revelação. O Anjo Gabriel veio e disse-lhe para que não dormisse na cama em que costumava dormir. O Alcorão relata a passagem desta forma:

“Recorda-te (Ó Mohammad) quando os descrentes usavam astúcias contra ti para te prenderem ou te matarem ou te expulsarem; conspiraram, mas Deus também conspirou: Deus é o mais hábil dos conspiradores”. (Cap. 8, Vers. 30)

Deus permitiu a Mohammad (SAWS) que emigrasse para Yaçrib, local que depois se tornou o centro do islamismo, e dali se expandiu para todo o mundo. O Profeta já tinha lá a autoridade e o poder. Isto foi uma maravilha de Deus; fazer expandir o Islam a partir de Yaçrib (Madina), porque se expandisse de Macca, logo no início, os inimigos teriam dito que os coraixitas queriam o reino da Arábia. Por isso apoiaram uma pessoa sua para, através dele, alcançarem esse objetivo. Mas, pelo contrário, a sua própria gente foi a sua pior inimiga, até que Deus ordenou-lhe para que se afastasse dela.

Alguns dias antes da emigração, o Profeta (SAWS) foi a casa de Abu Bakr, numa tarde e depois de pedir licença, entrou e disse-lhe: “Deus já me autorizou a emigrar”. Abu Bakr, que já tinha preparado duas camelas havia quatro meses, perguntou se poderia ter a honra de o acompanhar na emigração. O Profeta respondeu: “Sim”. Abu Bakr quis oferecer-lhe uma das camelas, mas o Profeta (SAWS) insistiu em pagar; pagou o preço e combinaram encontrar-se à noite, fora de Macca. Essa era a noite da saída de Macca, e foi a tal noite em que os coraixitas pensavam executar os seus planos, de assassinarem Mohammad (SAWS).

A honestidade de Mohammad (SAWS)