Ascenção de Mohammad (SAWS). Al Isra Wal Miraj. Ano 621 D.C

"Glorificado seja Aquele que transportou, durante a noite, o Seu Servo da Mesquita Sagrada (em Macca) à distante Mesquita de Al Acsa (em Jerusalém) cujos arredores abençoamos, para mostrar-lhe alguns de Nossos sinais. Deus ouve tudo e vê tudo”. (17:1)

“Isrá” quer dizer viagem noturna, que o Profeta fez a partir de Macca e Jerusalém;

“Miraj” é derivado de “Uruj” que significa ascensão. Isrá e Miraj ocorreram antes da Hijra (emigração), e segundo a maior parte dos teólogos só ocorreu uma vez, na noite de 27 do mês de Rajab (sétimo do calendário lunar islâmico) no ano entre 10 e 13 da Proclamação da Profecia. Quando a vida dura e cheia de perigos estava prestes a terminar depois da emigração, começava uma nova era, de tranqüilidade e sossego. Finalmente, a noite solene, destinada à visita do Profeta aos céus e às maravilhas de Deus, como um hóspede distinto chegou. Foi ordenado ao Anjo Gabriel para usar um transporte mais rápido que a eletricidade, reservado só para os hóspedes celestiais, e chegar à Caaba.

A passagem de Isrá e Miraj, baseada na narração de Bukhari e Muslim:
“O edifício original da Caaba construído por Ibrahim (Abraão) encontrava-se destruído pelas cheias e por várias vezes tinha sido reconstruído, mesmo antes da Proclamação da Profecia de Mohammad (SAWS). Ainda durante a sua vida, houve cheias que destruíram o edifício, os coraixitas quiseram reconstruí-lo mas por falta de fundos lícitos, construíram uma parte e deixaram outra e até hoje está na mesma. É o local chamado “Hatim”, parte que não tem teto.

Os jovens coraixitas costumavam descansar neste local, assim como o Profeta. Na noite em que ocorreu o Miraj, o Profeta estava aí a descansar. Era uma noite calma, ele estava quase a adormecer quando viu o Anjo Gabriel com outros Anjos aparecerem, levaram-no para junto do poço de ZamZam, abriram o seu peito, tiraram o coração e lavaram-no com água de ZamZam. Em seguida encheram o seu peito de fá e luz e depois fecharam-no. Em seguida trouxeram um animal maior que o burro e menor que a mula, de cor branca, longo, chamado Burac (relâmpago), esse animal era tão veloz que os seus pés tocavam onde era o último limite da visão. Atualmente já está provado cientificamente, que, a “velocidade” é um fenômeno ao qual não se pode atribuir limite nenhum, por conseguinte a ciência moderna confirma a possibilidade da existência do “Burac”.

As divergências na data exata dos acontecimentos antes da emigração do Profeta à Medina (exceto alguns), são muitas, porque os muçulmanos na época ainda não constituíam uma comunidade estabelecida, e a vida era-lhes tão dura que não tinham pensado em conservar registros de todos os acontecimentos. Por isso, as datas são aproximadas, (o mesmo se dá com esta passagem).

P Profeta montou no “Burac” e foi a Jerusalém, acompanhado do Anjo Gabriel. Desceu e amarrou o Burac no cerco onde os Profetas costumavam amarrar os seus animais em que montavam; entrou na Mesquita “Al Acsa” e nela fez dois rakats (genuflexões) de Salat, (o Anjo estava a acompanhá-lo nesta viagem).

Quando saiu dali, o Anjo Gabriel apresentou-lhe duas taças uma com leite e outra com vinho; o Profeta (SAWS) preferiu a de leite, e o Anjo Gabriel disse: “Preferiste a disposição natural, porque se tivesses escolhido o vinho a tua comunidade desviar-se-ia também”. A seguir, o Anjo Gabriel juntamente com o Profeta, ascendeu ao céu. Quando chegaram ao primeiro céu, o Anjo Gabriel pediu que abrissem a porta, e perguntaram-lhe: “Quem és tu?” Ele respondeu: “Gabriel”. Perguntaram-lhe: “Quem está contigo?” Respondeu: “Mohammad”. Disseram: “Foi chamado?” Responde: “Sim”. Abriram a porta, e disseram: “Seja bem vindo”. Ao ouvir a notícia da chegada de Mohammad, e do que Deus pretendia fazer com os homens, os habitantes do céu ficaram radiantes. Enquanto Ele não desse essa notícia aos do céu, eles, não poderiam saber. O Profeta estava já no primeiro céu, onde viu uma pessoa, com muitas sombras dos seus lados direito e esquerdo. Quando olhava para o lado direito, ria-se, e quando olhava para o lado esquerdo, chorava. Ao ver o Profeta disse: “Bem vindo, ó Justo Profeta e filho Justo. E o Profeta perguntou ao Anjo Gabriel, quem é este? O Anjo Gabriel respondeu: Este é o teu pai, Adão, e estas são as almas dos seus filhos. Do lado direito são os que vão para o Paraíso e os do lado esquerdo para o Inferno. Nesse céu o Profeta viu também o “Al Kawsar” que está exclusivamente reservado para o Profeta Mohammad (SAWS). Desta forma foi passando de todos os céus, os guardiões de cada céu fazendo sempre a mesma pergunta, e Gabriel respondendo sempre da mesma maneira. Em cada céu encontrava-se com algum profeta. No segundo céu encontrou-se com João Batista e Jesus, que lhe apresentaram as boas vindas. No terceiro encontrou-se com José, a quem foi dado uma parte da beleza, que também lhe apresentou as boas vindas. No quarto encontrou-se com Idriss, que lhe deu igualmente as boas vindas, a respeito do qual Deus diz:
“E menciona no livro Idriss, que foi um justo e um Profeta; elevamo-lo a um lugar alto”. (19:56/57)

No quinto encontrou-se com Aarão que lhe apresentou o mesmo que os anteriores, e no sexto encontrou-se com Moisés, que apresentando as boas vindas disse:
“Ó Profeta e irmão Justo”. Ao adiantar-se, Moisés começou a chorar. Foi-lhe perguntado, qual o motivo do choro? E Moisés respondeu: “Ó meu Deus! Tu enviaste como Profeta, este jovem depois de mim, cujos seguidores serão mais a entrarem no Paraíso do que os meus”. Mohammad (SAWS) seguiu depois para o sétimo céu, onde foi também recebido com as mesmas palavras e lá encontrou-se com Abraão. Gabriel que o acompanhava disse: “Este é o teu pai”. Abraão estava encostado ao Bait Al Mámur (a casa habitada, Mesquita no céu em cima da CXaaba. Local onde diariamente entram 70.000 anjos, que nunca mais voltam a ter oportunidade de repetirem a entrada).

Depois foi-lhe mostrado o Paraíso, cujas cúpulas são de pérola e terra de almíscar e foi até Sadratil Muntahá (o local mais elevado da arvore de lótus do Paraíso). Quando a ordem do Senhor envolveu a arvore imediatamente mudou de aspecto de tal forma, criando nela a beleza que nenhuma criatura de Deus pode descrever.

Esse é o local de onde descem as coisas, e para onde as coisas sobem. Aí o Anjo Gabriel apareceu perante o Profeta, na sua forma original, depois levantaram-se as cortinas (barreiras) entre ele e Deus, e o que lá se passou, a língua não tem poderes de expressar, excedendo todos os conhecimentos humanos.

“Até chegar à distancia de dois arcos (de atirar setas) ou menos ainda e Ele revelou as Servo o que lhe revelou. O coração (do Mensageiro) não desmentiu o que havia visto”. (53:9/11)

Foi aí que o Profeta recebeu ordem de Deus de que todos os crentes deviam fazer obrigatoriamente 50 orações diárias.

Quando o Profeta estava de regresso encontrou-se com Moisés, que lhe perguntou: “O que é que o teu Senhor tornou obrigatório para ti e para tua comunidade?” Mohammad (SAWS) respondeu: “50 orações diárias” e Moisés disse: “A tua comunidade não conseguirá cumprir isso, eu tenho experiência dos filhos de Israel. Volta-te ao teu Senhor e pede-Lhe que reduza. Mohammad (SAWS) voltou para o Senhor e disse: “Ó Senhor alivia (reduza) do meu “Ummat””. Deus reduziu cinco orações. Quando Moisés ouviu a pequena redução disse-lhe: “Atua comunidade não aguentara isso, volta para o teu Senhor e pede-Lhe que reduza”. Aconselhado por Moisés, Mohammad (SAWS) voltou várias vezes a Deus pedindo-Lhe que reduzisse, até que por fim ficaram cinco orações obrigatórias em cada 24 horas. Contudo, Moisés não cessou de aconselhar a Mohammad (SAWS) que pedisse ao Senhor que reduzisse o número das orações. Mas Mohammad (SAWS) respondeu: “Sinto-me envergonhado para ir lá de novo”. Em seguida, Deus disse: “Ó Mohammad! Na minha ordem não haverá alterações, as orações obrigatórias são apenas cinco, mas, a recompensa de cada oração será a equivalente a dez orações, o que equivale cinqüenta orações. Eu aliviei dos meus sevos, e apliquei-lhes a Minha Ordem”. Mohammad voltou depois para a terra, chegou a Jerusalém, onde viu a Congregação dos Profetas, como Abraão, Moisés, Jesus, etc. que descreveu-os a todas as pessoas. Na mesma noite o Profeta, encontrou-se ainda com o Guardião do Inferno. Foi-lhe mostrado também o Dajjal. E na manha seguinte estava já no Masjid Al Haram.

Relatório de Ibn Hicham sobre Al Isrá

Ibn Hicham na passagem referida acrescenta, à conversação de Mohammad (SAWS), com Adão, no primeiro céu, dizendo que: “Eu (Mohammad) vi homens com lábios como os dos camelos, nas suas mãos tinham bolas de fogo que as empurravam com força para dentro de suas bocas, as quais (as bolas) saíam das suas extremidades e eles metendo de novo à força pela boca, repetiam estes movimentos permanentemente”. E perguntei: “Quem são estes, ó Gabriel?” Respondeu-me: “Esses são os que devoram injustamente a riqueza dos órfãos”.

Depois, vi homens que tinham umas grandes barrigas (barrigudos) semelhantes às quais nunca vi antes, mesmo, no caminho que nos leva à casa do Faraó (são os que terão o pior tormento). São atropelados por homens. Quando são trazidos ao fogo, correm como camelos sequiosos, a quem atropelam, ficam imóveis. Eu perguntei: “Quem são estes, ó Gabriel?”. Respondeu: “Esses são os que praticam a usura”.

Vi homens sentados à mesa cheia (servida), com deliciosa e gordurosa carne, e ao lado disso, carne podre e fedorenta. Comiam a segunda e deixavam a primeira, a deliciosa e boa carne. Perguntei ainda: “Quem são esses, ó Gabriel?”. Ele respondeu-me: “Estes são os homens que deixavam as próprias mulheres que Deus tornou lícitas para eles, e iam atrás das mulheres ilícitas para eles”.

Vi mulheres suspensas pelos seios, e perguntei: “Quem são essas mulheres, ó Gabriel?”. Ele respondeu-me: “São as mulheres que introduziram para seus maridos os seus filhos que não eram deles”.

A passagem de Miraj e Isra varia. O leitor poderá encontrar coisas que não mencionei aqui, contudo preferi por a passagem considerada mais autêntica, porque noutras há narradores da corrente, que são considerados fracos ou falsos.

Os descrentes desmentem ao Profeta Mohammad (SAWS)

Os caraixitas tinham o hábito de dispenderem o tempo sentaqdos no Haram, assim como o Profeta.

Na manhã seguinte à noite de Al Isrá e Miraj. Abu Jahal foi ao encontro do Profeta Mohammad (SAWS) no Haram. O Profeta contou-lhe tudo o que se tinha passado na noite anterior. Abu Jahal chamou a Tribo Bani Kaaba para ir escutar também. O Profeta contou-lhes o que tinha acontecido. Uns começaram a bater palmas escarnecendo, outros levaram as mãos a cabeça em espanto. Desmentindo-o todos foram ao encontro de Abu Bakr, correndo, para lhe narrarem o que tinham ouvido de Mohammad (SAWS), esperançados que ele renunciasse à Religião Islâmica, pois todos acharam que era um acontecimento anormal, impossível, e que Mohammad (SAWS) estava alucinado. Mas, Abu Bakr respondeu-lhes com muita firmeza dizendo: “Se ele (Mohammad) de fato vos contou isso, falou a verdade”. E os coraixitas perguntaram: “Tu confirmas o que Mohammad diz a respeito disto?”. Abu Bakr respondeu: “Eu confirmo-o nos assuntos mais longínquos que este, então porque não o confirmarei nisto?”. Desde esse dia Abu Bakr recebeu o título de “As Sidiq” (o confirmador). Os descrentes começaram então a testar o Profeta ao pedirem-lhe que descrevesse a Mesquita de Jerusalém. Por isso disseram a Mohammad (SAWS): “Dizes tu que numa noite viajaste de Macca à Jerusalém. Conta-nos como se parece a Mesquita de Jerusalém?” O Profeta na ocasião não tinha na mente a imagem do edifício da Mesquita de Jerusalém. Por isso, já estava preocupado (quando os coraixitas o pediram que a descrevesse). Mas, de repente, foi colocada à sua frente a imagem da Mesquita.. Os coraixitas iam perguntando e o Profeta (SAWS) ia respondendo pormenorizadamente como era a Mesquita.

Os coraixitas ficaram pasmados e reconheceram que na verdade não errou na descrição da mesquita de Jerusalém. Depois interrogaram-no acerca da caravana dos coraixitas que estava no regresso da Síria, e o Profeta descreveu-lhes a caravana tal como ela era, disse-lhes o numero de camelos, e o dia em que deveriam chegar. Tudo isso provou-se verdade. No entanto, os descrentes continuaram como tal, apenas se lhes aumentou a teimosia e o orgulho, dizendo que tudo aquilo era uma simples magia.

Na manhã seguinte à noite de Al Isrá e Miraj veio Gabriel e ensinou ao Profeta o modo de como fazer as orações e seus respectivos horários.

 
Reversão de Omar