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Jejum em Perspectiva Comparativa
2. A finalidade do jejum noutras religiões e filosofias é invariavelmente parcial; umas para fins espirituais, outras vezes por necessidades físicas, e outras vezes ainda para satisfação intelectual; nunca para todos estes fins juntos. Mas no Islam é simultaneamente para todos esses benefícios e para muitos outros fins: sociais e econômicos, morais e humanitários, privados e públicos, pessoais e comuns, interiores e exteriores, locais e nacionais. 3. O Jejum não-islâmico não exige mais do que abstinência parcial de certas substâncias materiais. Enquanto que o jejum Islâmico exige também um incremento de devoção e adoração, um aumento das esmolas e um estudo mais serio do Alcorão, mais sociabilidade e vivacidade, mais auto-disciplina e esclarecimento da consciência. Assim, puro e limpo por dentro como por fora, com uma alma tão transparente que tenta atingir a perfeição, aproximando-se cada vez mais de Deus. 4. A nosso ver, outras filosofias espirituais e religiões ensinam o homem a atingir os seus intuitos morais ou a entrar no Reino de Deus só no momento em que romper com os negócios deste mundo. Portanto, torna-se necessário o homem renunciar aos seus interesses terrenos, eximir-se das suas responsabilidades humanas e recorrer ao que se poderia chamar tortura do próprio ser ou severo ascetismo, cujo elemento essencial é o jejum. O jejum deste gênero é feito por pessoas desse gênero pode ser utilizado e alias tem sido utilizado como pretexto para disfarçar uma retirada humilhante do curso da vida normal, Mas no Islam, o jejum é divorcio da vida, antes pelo contrario, é uma feliz união com ela; não é retirada, mas sim penetração de elementos moral. Não é negligencia, mas sim enriquecimento moral. O jejum islâmico não divorcia a religião da vida quotidiana e não separa a alma do corpo. Não desintegra, mas sim reúne e recupera. 5. A própria
altura do jejum islâmico é um fenômeno curioso. Noutro casos, o jejum está
fixado em certo período do ano de maneira rigidíssima. Mas no Islam, o
jejum corresponde ao mês do Ramadan, o nono mês do ano. O calendário
islâmico é lunar, e os meses sucedem-se conforme as varias posições da
Lua. Isso significa que no espaço dum limitado numero de anos, o jejum
islâmico abrange as quatro estações principais do ano e oscila entre o
Verão e o Inverno, passando pela Primavera e o Outono, em sistema
rotativo. A natureza do calendário lunar faz com que o mês de Ramadan seja
em Janeiro, por exemplo, em certo ano, e em Dezembro no ano a seguir, e em
qualquer intermediário nos anos seguintes. Em sentido espiritual, quer
dizer que o muçulmano aproveita a experiência moral do jejum a vários
níveis, e prova os seus sabores espirituais em varias estações de clima
diferente, umas vezes no inverno de dias curtos e frios, outras no verão
de dias longos e quentes, outras vezes em período intermediários. Mas esta
variedade de experiências constitui sempre uma característica
impressionante do dinamismo desta instituição islâmica. Também é uma
infalível expressão de prontidão, dinamismo e adaptabilidade da parte do
crente muçulmano. É com toda a certeza um elemento importante e saudável
dos mandamentos do Islam. Período do Jejum
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