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Destino
“Destino ou livre-arbítrio, natureza ou formação”
(Título original: “Fate or Free Will, Nature or Nurture”)
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Topico:
Deen - 5/ Maio/ 2000
Pergunta:
Por favor explique qual é o conceito de destino no Islã. Nós Muçulmanos
dizemos que Allah conhece tudo. Ele sabe o que vai acontecer conosco e ele sabe
qual será nosso fim. Se Allah conhece todas essas coisas, então porque somos
julgados? Nós não temos vontade própria para fazer nada; nesse caso seja lá
o que fizermos Allah já decidiu nosso destino. Por favor responda. Nome
do Mufti: Muzammil Siddiqi
Resposta:
Nós não usamos a palavra “destino” no Islã (*).
A palavra “destino” significa “o poder que determina o resultado das
coisas antes que elas ocorram”. Algumas pessoas acreditam que o destino seja
um poder independente e invisível que controla seus destinos. Tais pessoas são
chamadas de “fatalistas”. Um Muçulmano não é um fatalista. Muçulmanos crêem
em Allah e somente Allah tem o poder de pré-determinar os acontecimentos. Allah
é “al-Qadir” (O Todo-Poderoso ou Onipotente) e “al-’Aleem” (“Aquele
tudo sabe” ou O Onisciente). Como Allah tem poder sobre todas as coisas, Ele
deve conhecer todas as coisas. Ele deve conhecer as coisas antes que elas aconteçam,
porque se Ele soubesse dos fatos apenas depois que ocorressem, ele não teria
poder absoluto sobre tudo. Allah subhanahu wa ta’ala
não apenas conhece tudo, mas ele também determina e decide sobre tudo
no Universo. Tudo o que acontece neste mundo segue a decisão e o plano de
Allah. Na terminologia islâmica esse princípio é conhecido como “al-qada wa
al-qadar” (a decisão e determinação de Allah), e é um princípio muito
importante do Iman (fé).
Isso
significa que nós seres humanos não temos nenhuma liberdade? Algumas pessoas
pensam assim. Um estudioso ocidental colocou essa questão tão interessante nos
seguintes termos: “Se Deus sabe tudo, Ele deve conhecer o futuro, e se ele
conhece o futuro, então Ele conhece os atos futuros de todas as suas criaturas.
Conseqüentemente Suas criaturas devem agir conforme Ele sabe que elas agirão.
Então como elas podem ser livres?” Muitas pessoas ficam confusas ao abordarem
o problema por esse ângulo. Há também pensadores muçulmanos que
acreditam que os seres humanos não têm liberdade. Eles são chamados de “Jabriyah”.
A maioria dos estudiosos muçulmanos não aceita essa posição, condenando-a e
criticando-a duramente por considera-la contra os ensinamentos do Alcorão e da
Sunnah autêntica. A corrente muçulmana
majoritária é que Allah subhanahu wa ta’ala tem o conhecimento de todas as
coisas e o poder sobre todas as coisas. Allah, no entanto, também concedeu
liberdade aos seres humanos. O poder e conhecimento de Allah não significam que
os seres humanos não tenham liberdade, do mesmo modo que a liberdade dos seres
humanos não nega o poder e conhecimento de Allah. Os seres humanos são livres
na medida em que Allah permite que eles o sejam. Mas apesar de nossa liberdade
humana, nós ainda estamos sob o controle de Allah e “abarcados” pelo Seu
conhecimento. Allah nos julgará de acordo com a liberdade e a responsabilidade
que Ele nos concedeu. Ele sabe muito bem quanta liberdade nós temos e até que
ponto conseguimos exercer nossa liberdade, cada um de nós em sua situação
particular. É por isso que nós dizemos que apenas Allah é o Verdadeiro e
Derradeiro Juiz. No Qur’an Ele é denominado “Ahkam al-hakimin” (“O
melhor dos juízes”, Hud 11:45; al-Tin 95:8).
Mas
sobre a liberdade e responsabilidade humanas, leia os versículos seguintes:
“Nem de acordo com seus desejos, ou de acordo com os desejos do Povo do Livro,
aquele que fizer o mal será retribuído de acordo e não encontrará em Allah
proteção ou socorro. Se alguém
fizer obras de retidão, seja homem ou mulher, e tiver fé, entrará no céu e
nem a mínima injustiça lhes será feita.” (al-Nisa’ 4:123-124). “Isso
porque Allah nunca altera o seu favor conferido a um povo antes que eles mudem
sua própria condição...”
(al-Anfal 9:53). “Todo indivíduo será responsável pelos seus atos.” (al-Tur
52:21). “É a verdade de seu
Senhor; portanto aquele que quiser, que creia, e aquele que não o quiser, que não
creia.” (al-Kahf 18:29). “Isto é para despertar sua lembrança.
Então aquele que o quiser, que
busque o caminho para o seu Senhor.” (al-Muzzammil 73:19). “
E se apresse para o perdão do seu senhor...” (Al ‘Imran 3:133). “Oh
nosso povo, responda ao arauto de Deus e creia nele.” (al-Ahqaf
46:31).”Volte-se para o seu Senhor e submeta-se a Ele...”.(al-Zumar 39:54)
“A corrupção se estendeu sobre a terra e o mar por causa do que as mãos das
pessoas fizeram”. (al-rum 30:41) “Qualquer infortúnio que o atinge é
conseqüência do que suas próprias mãos teceram. E Allah perdoa muitos dos
seus pecados.” (al-Shura
42:30). “Em verdade Allah não
engana ninguém, as pessoas enganam a si mesmas.” (Yunus
10:44). “Quanto aos Thamud, Nós
os guiamos, mas eles preferiram a cegueira do que a orientação.” (Fussilat 41:17). “Não há compulsão na religião. Certamente a senda reta se tornou
distinta do erro.” (al-Baqarah 2:256). (*topo) Vamos encontrar muitas vezes a palavra “destino”, seja na literatura Islâmica, seja conversando com irmãos ou sheikhs. O autor da Fatwa se refere nesse comentário ao erro de considerarmos o destino como um poder independente de Allah, como costumamos pensar na “sorte”. Tradução: Irmã Mariam Polga
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