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O Islam, desde o séc. VII d.C, garantiu às mulheres casadas
personalidade independente, conquista essa que as mulheres
ocidentais se viram privadas até muito recentemente. No Islam, a
noiva e sua família não têm obrigação de presentear o noivo. A moça,
numa família muçulmana, não é responsável. Uma mulher é tão
dignificada no Islam que ela não precisa presentear ninguém, a fim
de atrair maridos em potencial. É o noivo que precisa presentear a
noiva com um presente de casamento. Este presente é considerado sua
propriedade e, nem o noivo nem a família da noiva têm qualquer
direito ou controle sobre tal presente. Em algumas sociedades
muçulmanas de hoje, um presente de casamento no valor de
US$100.000,00 não é incomum. A noiva fica com o seu presente de
casamento, mesmo que mais tarde ela se divorcie. Não é permitida a
participação do marido na propriedade de sua esposa, a não ser que
ela a ofereça a ele por sua livre e espontânea vontade (29). O
Alcorão estabelece sua posição a esse respeito muito claramente:
"E concedei os dotes que pertencem às mulheres; mas se elas, de boa
vontade, conceder-vos uma parte, aceitai-o e desfrutai-o com bom
proveito" (4:4).
A propriedade e os ganhos da esposa estão sob seu completo controle
e para seu uso somente, uma vez que a sua manutenção e a das
crianças é responsabilidade do marido (30). Não importa quão rica
seja a esposa, ela não é obrigada a agir como co-provedora para a
família, a menos que, voluntariamente, escolha fazê-lo. O casal
herda entre si. Além disso, uma mulher casada no Islam conserva sua
personalidade legal independente e o nome se sua família (3l). Um
juiz americano, certa vez, comentando sobre os direitos das mulheres
muçulmanas, disse: "Uma muçulmana pode se casar 10 vezes, mas sua
individualidade não é absorvida pela de seus vários maridos. Ela é
um planeta solar, com um nome e uma personalidade jurídica própria"
(32).
10. DIVÓRCIO
As três religiões têm diferenças importantes em suas posições em
relação ao divórcio. O cristianismo abomina o divórcio complemente.
O Novo Testamento, inequivocamente, advoga a indissolubilidade do
casamento. Atribui-se a Jesus o ter dito, "mas eu digo a vocês que
qualquer que se divorcie de sua esposa, exceto pôr infidelidade,
transforma a mulher em adúltera, e qualquer um que se case com uma
mulher divorciada comete adultério" (Mateus, 5:32). Este ideal
intransigente é, sem dúvida, irreal. Ele pressupõe um estado de
perfeição moral que as sociedades humanas jamais alcançaram. Quando
um casal percebe que sua vida conjugal não tem mais jeito, negar o
divórcio em nada irá ajudá-lo. Forçar casais, que não se dão bem, a
viverem juntos contra suas vontades não produz qualquer efeito, além
de não ser razoável. Não espanta que o mundo cristão tenha sido
obrigado a sancionar o divórcio.
O judaísmo, por outro lado, permite o divórcio, mesmo sem qualquer
razão ou causa. O Velho Testamento dá ao marido o direito de se
divorciar de sua esposa, mesmo que ele apenas se antipatize por ela:
"Se um homem se casa com uma mulher que venha a se tornar
desagradável a ele, porque ele descobre alguma coisa indecente sobre
ela, ele assina o certificado de divórcio e o dá para a esposa e a
manda embora de sua casa. E se, depois que ela deixar a sua casa, e
se tornar a esposa de um outro homem, e esse segundo marido não a
quiser mais, se ele emitir o certificado de divórcio, e a mandar
embora de sua casa, ou se ele morrer, aquele primeiro marido, que
havia se divorciado dela, não pode mais se casar com ela"
(Deuteronômio 24:1/4).
Os versos acima, causaram alguns debates consideráveis entre os
exegetas judeus, por causa da discordância com o significado das
palavras "desagradar", "indecência" e "antipatizar", mencionadas
neles. O Talmud registra suas diferentes opiniões: "A escola de
Shamai entendeu que um homem não deve se divorciar de sua esposa, a
menos que ela seja culpada de alguma má conduta sexual, enquanto que
a escola de Hillel diz que ele pode se divorciar, mesmo que ela
simplesmente tenha quebrado um prato. O Rabino Akiba diz que o homem
pode se divorciar dela simplesmente porque ele encontrou uma mulher
mais bonita do que sua esposa" (Gittin 90 a-b).
O Novo Testamento segue a opinião dos Shamaitas, enquanto que a lei
judaica tem seguido a opinião dos Hillelitas e a do Rabino Akiba
(33).
Desde que o ponto de vista dos Hillelitas tem prevalecido, a
tradição da lei judaica, de permitir o divórcio sem uma causa forte,
foi quebrada. O Velho Testamento não só dá ao marido o direito ao
divórcio de uma esposa "desagradável", como considera o divórcio de
uma "esposa má" uma obrigação: "Uma esposa má traz humilhação, olhar
abatido e coração ofendido. Mãos frouxas e joelhos fracos tem o
homem cuja mulher falhou em fazê-lo feliz. A mulher é a origem do
pecado e é por causa dela que nós todos vamos morrer".
"Não deixe que o vazamento da cisterna goteje, nem permita que uma
esposa má diga do que ela gosta. Se ela não aceitar o seu controle,
divorcie-se dela e mande-a embora" (Eclesiastes 25:25).
O Talmud registrava uma série de atos das esposas, pelos quais os
maridos eram obrigados a se divorciar delas: "se ela comeu na rua,
se ela bebeu avidamente na rua, se ela amamentou na rua, em cada
caso, o Rabino Meir diz que ela deve deixar seu marido" (Git. 89a).
O Talmud também torna obrigatório o divórcio de uma mulher estéril
(que não gera filhos por um período de 10 anos): "Nossos rabinos
ensinaram: Se um homem tomou uma esposa e viveu com ela por 10 anos
e ela não gerou filhos, ele deve se divorciar dela (Yeb.64a).
As esposas, por outro lado, não podiam iniciar o divórcio de acordo
com a lei judaica. A esposa judia, contudo, poderia reclamar o
direito ao divórcio perante uma corte judia, desde que apresentasse
uma forte razão para tal. São muito poucas coisas que uma esposa
podia apresentar para pedir o divórcio: um marido com defeitos
físicos ou doença de pele, um marido que não cumprisse suas
responsabilidades conjugais, etc. A Corte pode ajudar na reclamação
da esposa, mas não pode dissolver o casamento. Somente o marido pode
fazê-lo. A corte podia açoitar, mandar prender e excomungar o marido
para obrigá-lo a conceder o certificado de divórcio. Contudo, se o
marido é teimoso o suficiente, ele pode se recusar a garantir o
direito de divórcio à sua esposa e mantê-la amarrada a ele
indefinidamente. Pior ainda, ele pode deserdá-la sem lhe garantir o
divórcio e deixá-la descasada e sem estar divorciada. Ele pode se
casar com outra mulher, ou mesmo morar com qualquer mulher solteira
fora do lar e ter filhos desta última (estas crianças são
consideradas legítimas pela lei judaica). A esposa deserdada, por
outro lado, não pode se casar com ninguém, porque ela será
considerada adúltera e os filhos de uma futura união são
considerados ilegítimos por 10 gerações. Uma mulher em tal situação
é chamada de "agunah" (mulher presa) (34).
Nos USA, hoje, há aproximadamente de 1000 a 1500 mulheres judias que
são "agunot", enquanto que em Israel o seu número pode estar acima
dos 1600. Os maridos podem extorquir milhares de dólares dessas
mulheres presas em troca de um divórcio de acordo com a lei judaica
(35).
O Islam ocupa o meio termo entre o Cristianismo e o Judaísmo, com
relação ao divórcio. O casamento no Islam é uma bênção santificada,
que não deve ser quebrada, exceto por razões relevantes. Os casais
são instruídos a procurar todos os remédios possíveis, sempre que
seus casamentos estiverem sob ameaça. O divórcio não é para ser
usual, exceto quando não há qualquer outro caminho ou solução.
Resumidamente, o Islam reconhece o divórcio, contudo ele o
desencoraja por todos os meios possíveis.
O Islam reconhece o direito de ambos os parceiros terminarem suas
relações matrimoniais. O Islam dá ao marido o direito ao divórcio.
Além disso, o Islam, diferentemente do Judaísmo, garante à esposa o
direito de dissolver o casamento através do que é conhecido como "Khula"
(36). Se o marido dissolve o casamento, ele não pode retirar
qualquer dos presentes de casamento que ele tenha dado a ela. O
Alcorão explicitamente proíbe aos maridos divorciados de terem de
volta os presentes de casamento, não importando quanto eles tenham
custado.
"Mas, se vos decidirdes tomar outra esposa no lugar da primeira,
mesmo que vós tenhais dado à primeira o maior tesouro como dote, não
o diminua em um pedaço. Tomá-lo-íeis de volta, com uma falsa
imputação de erro manifesto?" (4:20).
No caso de ser a esposa a escolher o fim do casamento, ela pode
devolver os presentes a seu marido. Retornar os presentes de
casamento é uma compensação para o marido que gostaria de manter a
esposa, enquanto que ela escolheu deixá-lo. O Alcorão instruiu os
muçulmanos a não tomar de volta os presentes que eles deram às
esposas, exceto no caso de a esposa escolher dissolver o casamento:
"Não é lícito para vós (homens) tomar de volta quaisquer dos
presentes, exceto quando ambas as partes temerem não ser capazes de
manter os limites ordenados por Alá. Não há culpa para qualquer um
de vós se ela der alguma coisa por sua liberdade. Tais são os
limites ordenados por Alá, assim não os transgridam" (2.229).
Certa vez uma mulher veio ao Profeta procurando a dissolução de seu
casamento. Ela disse ao Profeta que não tinha qualquer queixa contra
o marido, com relação ao caráter ou aos modos. Seu único problema
era que ela, honestamente, não gostava dele a ponto de ser capaz de
viver com ele por muito tempo. O Profeta lhe perguntou. "Você lhe
daria seu quintal de volta" (o presente de casamento que ela havia
recebido) e ela disse: "Sim". O Profeta então orientou o homem a
tomar de volta o seu quintal e a aceitar a dissolução de seu
casamento (Bukhari).
Em alguns casos, uma esposa muçulmana pode querer manter seu
casamento, mas se acha obrigada a pedir o divórcio por causa de
alguns motivos relevantes, tais : crueldade do marido, deserção sem
razão, um marido que não preenche suas responsabilidade conjugais,
etc. Nestes casos, a corte muçulmana dissolve o casamento (37).
Em resumo, o Islam tem oferecido à mulher muçulmana alguns direitos
inigualáveis: ela pode terminar o casamento através da "Khula" e
pedir o divórcio. Uma esposa muçulmana não pode nunca se tornar
prisioneira de um marido recalcitrante. Foram esses direitos que
seduziram as mulheres judias, que viviam nas primeiras sociedades
islâmicas do séc. VII, d.C., a procurarem obter os certificados de
divórcio de seus maridos judeus nas cortes muçulmanas. Os rabinos
declararam aqueles certificados nulos e inválidos. A fim de terminar
esta prática, os rabinos deram novos direitos e privilégios às
mulheres judias, na expectativa de enfraquecer o encanto das cortes
muçulmanas. Não se ofereciam às mulheres judias, que viviam nos
países cristãos, qualquer privilégio semelhante onde a lei romana de
divórcio, então praticada, não era mais atraente do que lei judia
(38).
Agora focalizemos nossa atenção sobre como o Islam desencoraja o
divórcio. O Profeta do Islam disse aos crentes que: "entre todos os
atos lícitos, o divórcio é o mais odiado por Deus" (Abu Dawood). Um
muçulmano não deve se divorciar de sua esposa, apenas porque ele não
se simpatiza mais com ela. O Alcorão orienta o muçulmano a ser
gentil com suas esposas, mesmo em caso de emoções fortes ou
sentimentos de desagrado: "Vivei com elas (vossas esposas) em bases
de gentileza e equidade. Se vós vos antipatizais delas pode ser que
estejais antipatizando com alguma coisa que Alá colocou como um
grande bem" (4:19). O Profeta Muhammad
deu uma orientação semelhante: "Um crente não deve odiar uma crente.
Se ele não gosta de alguma coisa, ele poderá se agradar de outras"
(Muslim). O Profeta também enfatizou que os melhores muçulmanos eram
aqueles que eram os melhores para as suas esposas: "Os crentes que
mostram a fé mais perfeita são aqueles que têm o melhor caráter e o
melhor dentre vocês é aquele que é o melhor com suas esposas" (Tirmidthi).
Contudo, o Islam é uma religião prática e reconhece que há algumas
circunstâncias nas quais o casamento chega à beira do colapso.Em
tais casos, o simples conselho de gentileza ou autocontrole não é a
solução viável. Assim, o que fazer a fim de salvar o casamento
nesses casos? O Alcorão oferece alguns conselhos práticos para os
casais cujo parceiro é o injusto. Para o marido, cuja má-conduta da
esposa está ameaçando o casamento, o Alcorão dá 4 tipos de conselho,
como detalhado nos versos seguintes:
"... Quanto àquelas, de quem suspeitais deslealdade, admoestai-as
(na primeira vez), abandonai os seus eleitos (na segunda vez) e
castigai-as (na terceira vez); porém, se vos obedecerem, não
procureis meios contra elas. Sabei que Deus é Excelso, Magnânimo.
E se temerdes desacordo entre ambos (esposo e esposa), apelai para
um árbrito da família dele e outro da dela. Se ambos desejarem se
reconciliar, Deus os reconciliará, porque é Sapiente, Inteiradíssimo."(4:34/35).
Os três primeiros devem ser tentados primeiro. Se não funcionar,
então a ajuda das famílias envolvidas deve ser procurada. Deve-se
notar que à luz dos versículos acima, bater numa esposa rebelde é
uma medida temporária e que está colocada em terceiro lugar para os
casos de extrema necessidade, na esperança de que isto possa
remediar a esposa injusta. Se isto funcionar, não se permite ao
marido, sob qualquer meio, de continuar a molestar. Se não
funcionar, não deve usar esta medida por muito tempo e o passo final
da reconciliação, assistida pela família, deve ser explorada.
O Profeta Muhammad
orientou os maridos muçulmanos a não recorrerem a tais medidas,
exceto em casos extremos, tais como atos lascivos cometidos pela
esposa. Mesmo nestes casos, a punição deveria ser branda e, se a
esposa desistisse, o marido não deveria irritá-la. "No caso de elas
serem culpadas de lascívia, vós podeis deixá-las sozinhas em suas
camas e infligir a eles punição branda. Se elas forem obedientes,
não procurais motivos de aborrecimento contra elas." (Tirmidthi).
Além disso, o Profeta do Islam condenou qualquer surra
injustificada. Algumas esposas muçulmanas se queixaram a ele de que
seus maridos lhes batiam. Ouvindo isso, o Profeta categoricamente
estabeleceu: "Aqueles que fazem isso (bater nas esposas) não são os
melhores dentre vós" (Abu Dawood). Deve ser lembrado também que o
Profeta disse, com relação a essa questão: "Os melhores dentre vós
são aqueles que são os melhores com sua família, e eu sou o melhor
dentre vós para a minha família" (Tirmidthi).
O Profeta aconselhou uma muçulmana, de nome Fatimah bint Qais, a não
se casar com um determinado homem porque ele era conhecido por bater
em mulheres: "Eu fui ao Profeta e disse: Abul Jahm e Mu´awiah me
propuseram casamento. O Profeta (a titulo de conselho) disse: Quanto
a Mu´awiah, ele é muito pobre, e quanto a Abul Jahm, ele está
acostumado a bater em mulheres" (Muslim).
Deve-se notar que o Talmud sanciona a surra na esposa, como castigo
com fins disciplinares (39). O marido não fica restrito àqueles
casos de lascívia. Ele pode bater em sua esposa, mesmo que ela se
recuse a fazer seus serviços domésticos. Além disso, ele não se
limita apenas àqueles casos de punição leve. Ele pode quebrar a
teimosia da esposa com chibatadas ou deixando-a com fome (40).
Para a esposa, cuja a má conduta do marido é causa para o fim do
casamento, o Alcorão oferece os seguinte conselho: "Se a esposa teme
a crueldade ou a deserção em sua parte, não há mal que eles façam um
acordo amigável entre si; e tal acordo é o melhor" (4:128). Neste
caso, aconselha-se à mulher a procurar a reconciliação com seu
marido (com ou sem a assistência familiar). É de se notar que o
Alcorão não aconselha a esposa a valer-se da abstenção do sexo. A
razão para este disparate pode ser para proteger a esposa de uma
reação física violenta pelo já raivoso marido.
Tal reação física violenta será muito pior, tanto para o marido
quanto para a esposa, além de prejudicar mais ainda o casamento.
Alguns exegetas têm sugerido que a corte pode aplicar aquelas
medidas contra o marido em nome da esposa. Quer dizer, a corte
primeiro repreende o marido rebelde e, então, proíbe-o de deitar-se
com ela e, finalmente, executa uma surra simbólica (4l).
Em resumo, o Islam oferece aos casais muçulmanos conselhos muito
mais viáveis para salvar-lhes o casamento em caso de problemas e
tensão. Se uma das partes prejudica a relação matrimonial, a outra
parte é aconselhada pelo Alcorão a fazer o que for possível e
efetivo para salvar esta sagrada bênção. Se todas as providências
falharem, o Islam permite aos casais se separarem pacífica e
cabalmente.
11. MÃES
Em muitas passagens, o Velho Testamento recomenda tratamento gentil
e atencioso aos pais e condena aqueles que os desonram. Por exemplo,
"Se alguém amaldiçoa seu pai ou sua mãe, ele deve morrer" (Levítico
20:9) e "Um homem sábio traz alegria para seu pai, mas um homem tolo
despreza sua mãe" (Provérbios 15:20). Embora honrar o pai somente
seja mencionado em alguns lugares, por exemplo, "Um homem sábio
presta atenção às instruções de seu pai" (Provérbio (13:1), a mãe
nunca é mencionada. Além disso, não há ênfase especial para o
tratamento gentil à mãe, como um sinal de apreço pelo seu grande
sofrimento pelo parto e pela amamentação. Por outro lado, as mães
não herdam nada de seus filhos, como seus pais herdam (42).
É difícil falar sobre o Novo Testamento como uma escritura que se
lembre de honrar a mãe. Pelo contrário, tem-se a impressão de que o
Novo Testamento considera o tratamento gentil às mães como um
impedimento para o caminho de Deus. De acordo com o Novo Testamento,
ninguém pode tornar-se um bom cristão, digno de tornar-se um
discípulo de Cristo, a menos que ele odeie sua mãe. Atribui-se a
Jesus ter dito: "Se alguém vem a mim e não odeia seu pai e sua mãe,
sua esposa e filhos, seus irmãos e irmãs - sim, mesmo sua própria
vida - ele não pode ser meu discípulo" (Lucas 14:26).
Além disso, o Novo Testamento pinta um quadro de Jesus como
indiferente, ou mesmo desrespeitoso, em relação a sua própria mãe.
Por exemplo, quando ela chegou procurando por ele, enquanto ele
pregava para multidão, ele não se preocupou em ir ter com ela:
"Então, a mãe e os irmãos de Jesus chegaram. Em pé, do lado de fora,
eles pediram a alguém para chamá-lo. Uma multidão estava sentada em
volta dele e eles lhe disseram: Sua mãe e seus irmãos estão lá fora
procurando-o. Quem são minha mãe e meus irmãos?, ele perguntou.
Então ele olhou para aqueles que estavam sentados à volta dele e
disse: Estes são minha mãe e meus irmãos! Quem quer que faça a
vontade de Deus é meu irmão e irmã e mãe" (Marcos 3:3l/35)
Alguém pode argumentar que Jesus estava tentando ensinar a seus
ouvintes uma importante lição de que os laços religiosos não são
menos importantes do que os laços familiares. Contudo, ele podia ter
ensinado aos seus ouvintes a mesma lição sem mostrar uma tal
absoluta indiferença para com sua mãe. A mesma atitude desrespeitosa
aparece quando ele se recusou a endossar uma declaração feita por um
membro de sua audiência, abençoando o papel de sua mãe, que o havia
gerado e alimentado: "Como Jesus dissesse estas coisas, uma mulher
na multidão o chamou ,"abençoada seja a mãe que lhe deu à luz e o
alimentou". Ele respondeu: "Abençoados antes sejam aqueles cujos
corações ouvem a palavra de Deus e obedecem" (Lucas 11:27/28);
Se uma mãe, com a estatura da virgem Maria, foi tratada com tal
descortesia, conforme relatado no Novo Testamento, por um filho da
estatura de Jesus Cristo, o que dizer então do tratamento dispensado
pelos filhos cristãos comuns às suas mães cristãs?
No Islam, a honra, o respeito e a estima pela maternidade é sem
paralelo. O Alcorão coloca a importância da gentileza para com os
pais vindo em segundo lugar, após a adoração a Deus, o Poderoso:
"O teu Senhor decretou que não adoreis ninguém a não ser Ele, que
sejais indulgentes com os vossos pais, mesmo que a velhice alcance a
um deles ou a ambos, em vossa companhia: não os reproveis, nem os
rejeiteis;outrossim, dirigi-lhes palavras honrosas. E estende sobre
eles a asa da humildade e dizei: Ó Senhor meu, tenha misericórdia de
ambos, como eles tiveram de mim, criando-me desde pequeno"
(17:23/24).
O Alcorão em muitas outras partes dá ênfase especial para o grande
papel da mãe que dá à luz e alimenta o filho:
"E recomendamos ao homem benevolência para com os seus pais. Sua mãe
o suporta entre dores e sua desmama é aos dois anos. Mostre gratidão
a Mim e a seus pais" (31:14)
Este lugar muito especial para as mães no Islam, foi descrito
eloqüentemente pelo Profeta: "Um homem perguntou ao Profeta: "A quem
deve honrar mais?" O Profeta respondeu: "Sua mãe". "E quem vem
depois?" perguntou o homem. O Profeta respondeu: "Sua mãe". "E quem
vem depois?" perguntou o homem. O Profeta respondeu: "Sua mãe". E
que vem depois?", perguntou o homem. O profeta respondeu: "Seu pai".
(Bukhari e Muslim).
Entre os poucos preceitos do Islam, que os muçulmanos ainda observam
fervorosamente até os dias atuais, é o tratamento atencioso para com
as mães. A honra que as mães muçulmanas recebem de seus filhos e
filhas é exemplar. As relações afetuosas entre as mães muçulmanas e
seus filhos, e o profundo respeito com que os homens se aproximam de
suas mães, deixa os ocidentais espantados (43).
12. A HERANÇA FEMININA
Uma das diferenças mais importantes entre o Alcorão e a Bíblia é a
que se refere ao direito de herança à propriedade de parentes
mortos. A postura bíblica foi sucintamente descrita pelo Rabino
Epstein: "As rígidas tradições desde os tempos bíblicos não dão aos
membros femininos de uma casa, esposa e filhas, o direito de
sucessão ao patrimônio familiar. Nos esquemas mais primitivos de
sucessão, os membros femininos da família eram considerados parte do
patrimônio e tão remoto seu direito na herança quanto o de um
escravo. Ao passo que na lei Mosaica, as filhas eram admitidas na
sucessão, no caso de não haver homem com esse direito, embora a
esposa não tivesse reconhecido esse direito, mesmo em condições
semelhantes." (44) . Por que as mulheres eram consideradas como
parte do patrimônio familiar? O Rabino Epstein respondeu: "Elas são
propriedades dos pais, antes do casamento; e depois, dos maridos."
(45)
As regras bíblicas de herança estão sublinhadas em Números 27:1/11.
Uma esposa não tem participação no patrimônio de seu marido,
enquanto que ele é seu primeiro herdeiro, mesmo antes de seus
filhos. Uma filha pode herdar somente no caso de não existir
herdeiros masculinos. A mãe não é herdeira, enquanto que o pai é.
Viúvas e filhas, no caso de existirem meninos, ficavam por conta dos
herdeiros masculinos para o seu sustento. Por isso que as viúvas e
órfãs estavam entre os membros mais destituídos da sociedade
judaica.
O cristianismo seguiu estes padrões por muito tempo. Tanto as leis
civis como as eclesiásticas impediam as filhas de dividirem com seus
irmãos o patrimônio do pai. Além disso, as viúvas eram privadas de
qualquer direito à herança. Estas leis iníquas sobreviveram até o
final do século passado (46).
Entre os árabes pagãos antes do Islam, os direitos de herança eram
confinados exclusivamente aos parentes masculinos. O Alcorão aboliu
todos esses costumes injustos e deu a todos os parentes femininos
participação na herança:
"Às mulheres também corresponde uma parte do que tenham deixado os
pais e parentes, quer seja pequena quer seja grande, uma quantia
determinada" (4:7).
As mães muçulmanas, esposas, filhas e irmãs receberam o direito à
herança 1300 anos antes de os europeus reconhecerem sequer que
aqueles direitos existiam. A divisão da herança é um assunto vasto,
com uma grande quantidade de detalhes (4:7,11, 12, 176). A regra
geral é que a parte da mulher é a metade do que o homem recebe,
exceto nos casos em que a mãe recebe parte igual a do pai. Se tomada
isoladamente, esta regra geral referente a homens e mulheres pode
parecer desfavorável. A fim de compreendermos a razão por detrás
desta regra, devemos ter em conta o fato de que as obrigações
financeiras do homem muçulmano excedem em muito às obrigações das
mulheres (ver a seção "A Propriedade da Esposa"). Um noivo deve
providenciar para sua noiva o presente de casamento. Este presente
se torna posse exclusiva da noiva e permanece assim, mesmo que mais
tarde venha a se divorciar. A noiva não tem obrigação de presentear
seu noivo. Além disso, os maridos muçulmanos são onerados com a
manutenção de sua esposa e filhos. A esposa, por outro lado, não é
obrigada a socorrê-lo no cumprimento daquela obrigação. Sua
propriedade e ganhos são para seu uso exclusivo, a não ser que ela
voluntariamente os ofereça a seu marido. Além disso, todo mundo
percebe que o Islam advoga veementemente a vida familiar. Ele
encoraja fortemente os jovens a se casarem, desencoraja o divórcio e
não vê o celibato como uma virtude. Numa verdadeira sociedade
islâmica, a vida familiar é a norma e a vida de solteiro é uma
exceção rara. Quer dizer, todos os homens e mulheres em idade de se
casarem são casados na sociedade islâmica. À luz desses fatos,
pode-se perceber que o homem muçulmano, em geral, tem uma grande
responsabilidade financeira e que, por isso, as regras de herança
significam uma compensação para este desequilíbrio, de forma que a
sociedade possa viver livre de todas as lutas de classe ou de sexo.
Após uma simples comparação entre os direitos e deveres financeiros
da mulher muçulmana, uma muçulmana inglesa concluiu que o Islam
tratou as mulheres não só favoravelmente, mas também generosamente
(47).
13. A CONDIÇÃO DAS VIÚVAS
O Velho Testamento não reconhecia o direito de herança a elas, e por
isso as viúvas eram as mais vulneráveis entre a população judaica.
Os parentes masculinos, que herdavam todo o patrimônio do marido
morto, sustentavam a mulher com a administração desse patrimônio.
Contudo, as viúvas não tinha meios de se assegurarem que esta
provisão estava sendo cumprida e, por isso, viviam pela misericórdia
dos outros. Assim, as viúvas estavam situadas entre as classes mais
baixas da antiga Israel e a viuvez era considerada um símbolo de
grande degradação (Isaías 54:4). Mas, a condição da viúva na
tradição bíblica ia mesmo além de sua exclusão na propriedade do
marido.
De acordo com o Gênesis 38,. as viúvas sem filhos deviam se casar
com o irmão de seus maridos, mesmo que ele já fosse casado, pois,
dessa maneira, ele podia providenciar uma descendência para o seu
irmão morto e, assim, assegurar que o nome do irmão não morresse.
Judá disse a Onan, "Deite-se com a esposa de seu irmão e cumpra com
o seu dever para com ela como um cunhado, a fim de gerar
descendência para o seu irmão". (Gênesis 38:8).
O consentimento da viúva para este casamento não era exigido. A
viúva era tratada como parte da propriedade do marido morto e sua
principal função era assegurar a posteridade para o seu marido. Esta
lei bíblica ainda hoje é praticada em Israel (48). Uma viúva sem
filhos em Israel é legada ao irmão de seu marido. Se o irmão é muito
jovem para casar, ela tem que esperar até ele atingir a idade. Se o
cunhado se recusar a casar com ela, então ela fica livre para se
casar com um homem de sua escolha. Não é incomum em Israel que as
viúvas sejam submetidas à chantagem por parte de seus cunhados a fim
de ganharem a sua liberdade.
Os árabes pagãos antes do Islam, tinham práticas semelhantes. Uma
viúva era considerada uma parte da propriedade do marido a ser
legada aos herdeiros masculinos e comumente ela era dada em
casamento ao filho mais velho do marido falecido com outra esposa. O
Alcorão sarcasticamente atacou e aboliu este costume degradante:
"Não vos caseis com as mulheres que desposaram vossos pais - exceto
fato consumado no passado - porque realmente é um costume
vergonhoso, odiento e abominável (4:22).
As viúvas e as mulheres divorciadas eram tão mal vistas na tradição
bíblica que um sacerdote não podia se casar com uma viúva, uma
divorciada ou uma prostituta: "A mulher com quem ele (sacerdote) se
casar deve ser virgem. Ele não deve se casar com uma viúva, uma
divorciada ou uma mulher corrompida pela prostituição, mas somente
com uma virgem de seu próprio povo e assim ele não conspurcará sua
descendência entre o seu povo" (Levítico 2l:13/15)
Atualmente em Israel, um descendente da casta Cohen (os sacerdotes
dos dias do Templo) não pode se casar com uma divorciada, uma viúva
ou uma prostituta (49). Na legislação judaica, uma mulher que
enviuvou três vezes, com todos os três maridos morrendo de causa
natural, é considerada "fatal" e proibida de casar de novo (50). O
Alcorão, por outro lado, não reconhece castas ou pessoas fatais.
Viúvas e divorciadas têm liberdade para se casarem com quem quer que
seja que elas escolham. Não há estigma ligado ao divórcio ou à
viuvez no Alcorão:
"Quando vos divorciardes das mulheres e elas tenham cumprido o seu
período (três menstruações), tomai-as de volta eqüitativamente ou
libertai-as eqüitativamente. Não as tomeis de volta com o intuito de
injuriá-las injustamente, porque quem tal o fizer errará por sua
própria conta. Não trateis dos sinais de Alá como zombaria" (2:23l)
"Se algum de vós vier a falecer e deixar viúvas, elas deverão
aguardar quatro meses e dez dias. Quando elas tiverem cumprido seu
período, não sereis responsáveis pelo que elas fizerem de suas vidas
honestamente" (2.240)
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