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Porque é que Mudei de
Biquíni para Niqab
O Novo Símbolo da Libertação
das Mulheres
Autor: Sara Bokker*
Sou uma mulher Americana que
nasceu “Coração da América”. Cresci, tal como qualquer outra moça, com a
atenção
voltada para o glamour da vida na “grande cidade.” Eventualmente,
mudei-me para a Flórida e daí para South Beach de Miami, um local perfeito
para aqueles que procuram uma “vida glamorosa.” Naturalmente, fiz o que a
maior parte das moças Ocidentais em geral fazem. Concentrei-me na minha
aparência e nos meus recursos atrativos, baseando o meu valor pessoal na
quantidade de atenção que obtinha dos outros. Estudei e me tornei uma
personal trainner. Comprei uma casa de frente para o mar. E tornei-me uma
assídua “exibicionista” na praia e fui capaz de alcançar um tipo de vida
com muito “estilo”.
Anos se passaram, e a cada dia eu
percebia que minha auto estima e felicidade diminuíam à medida que
progredia a minha “atração feminina”. Eu era uma escrava da moda. Eu era
uma refém dos olhares.
À medida que aumentava a distância
entre a minha auto-satisfação e o meu estilo de vida, procurei refúgio em
escapes desde o alcoól e festas até à meditação, ativismo, e religiões
alternativas, apenas para tentar preencher o grande vazio que havia em
mim. Mas, com o tempo, eu percebi que tudo isso era meramente um
analgésico e não um remédio eficaz.
Nos dias que se seguiram ao
fatídico 11 de Setembro, 2001 ao observar o ataque que sucedia contra os
muçulmanos, os valores e cultura Islâmicos, e a infame declaração da “nova
cruzada”, comecei a reparar em algo designado Islam. Até esse momento,
tudo o que eu tinha associado ao Islam era mulheres cobertas com panos,
homens espancadores de mulheres, haréns, e um mundo de terrorismo.
Como uma libertária feminista, e
uma ativista que procurava um mundo melhor para todos, o meu caminho
cruzou-se com o de um outro ativista que já estava na dianteira de causas
indiscriminadamente mais avançadas de reforma e justiça para todos.
Juntei-me às campanhas em ocorrência do meu novo mentor que incluíam,
naquele momento, reforma eleitoral e direitos civis, entre outros. Agora o
meu novo ativismo era fundamentalmente diferente. Em vez de advogar
“seletivamente” justiça apenas para alguns, aprendi que ideais como
justiça, liberdade, e respeito devem supostamente ser e são essencialmente
universais , e que o bem individual e o bem comum não estão em conflito.
Pela primeira vez, soube o que significa realmente “todas as pessoas são
criadas iguais”. Mas, mais importante, aprendi que fé apenas é o
necessário para ver o mundo como um e para ver a unidade na criação.
Um dia passei por um livro que é
estereotipado negativamente no Ocidente – O Sagrado Alcorão. Fui atraída
primeiro pelo estilo e abordagem do Alcorão, e depois intrigada pelo olhar
que este lança sobre a existência, a vida, a criação, e a relação entre
Criador e criação. Descobri que o Alcorão é um discurso muito profundo ao
coração e à alma sem a necessidade de um intérprete ou de um pastor.
Eventualmente atingi um momento de
verdade: o meu ativismo auto-suficiente recém-descoberto não era mais do
que simplesmente abraçar uma fé chamada Islam na qual eu podia viver em
paz como uma Muçulmana.
Comprei uma roupa bonita e algo
para cobrir a cabeça à semelhança do código de indumentária das mulheres
Muçulmanas e caminhei pelas mesmas ruas e bairros onde apenas dias antes
tinha caminhado com os meus shorts, biquíni, ou vestuário “elegante” de
executiva ocidental. Embora as pessoas, as caras, e as lojas fossem as
mesmas, uma coisa era remarcavelmente distinta – eu não era a mesma – nem
a paz que experimentei pela primeira vez sendo mulher. Senti como se as
correntes tivessem sido quebradas e eu fosse livre finalmente. Fiquei
encantada com os novos olhares de admiração na cara das pessoas no lugar
dos olhares do caçador observando a sua presa que eu procurara antes.
Repentinamente um peso fora levantado dos meus ombros. Eu já não passava
todo o meu tempo consumindo-o em compras, maquiagem, a arrumar o meu
cabelo, e a academia. Finalmente, eu era livre.
De todos os locais, encontrei o
meu Islam no coração daquilo a que alguns chamam “o lugar mais escandaloso
na terra,” o que o torna todo muito mais bonito e especial.
Enquanto satisfeita com o Hijab
tornei-me curiosa acerca do Niqab, vendo um número crescente de mulheres
Muçulmanas com ele. Perguntei ao meu marido Muçulmano, com quem casei após
ter-me revertido ao Islam, se eu deveria usar Niqab ou só decidir-me pelo
Hijab que já usava. O meu marido apenas me aconselhou que ele acredita que
o Hijab é mandatário no Islam enquanto que o Niqab não é. Na altura, o meu
Hijab consistia num lenço que cobria toda a minha cabeça exceto o meu
rosto, e uma roupa longa preta denominada “Abaya” que cobria todo o meu
corpo desde o pescoço até aos pés.
Um ano-e-meio passou, e eu disse
ao meu marido que queria usar Niqab. O meu motivo, desta vez, era eu
sentir que seria uma ação que agradaria mais a Allah, o Criador,
aumentando o meu sentimento de paz sendo mais modesta. Ele apoiou a minha
decisão e levou-me para comprar um “Isdaal”, uma toga larga preta que
cobre da cabeça aos pés, e um Niqab, que cobre toda a cabeça e face exceto
os meus olhos.
Pouco depois, começaram a surgir
notícias acerca de políticos, de sacerdotes do Vaticano, de libertários, e
de ativistas de direitos humanos e liberdade condenando o Hijab umas
vezes, e o Niqab outras, considerando-o opressivo para as mulheres, um
obstáculo à integração social, e mais recentemente, como um oficial
Egípcio o chamou – “um sinal de atraso.”
Considero que é uma hipocrisia
estrondosa quando os governos Ocidentais e os tão aclamados grupos de
direitos humanos se apressam a defender os direitos das mulheres quando os
governos impõem um determinado código de vestuário às mulheres, e no
entanto esses “lutadores pela liberdade” olham para o outro lado quando as
mulheres estão a ser privadas dos seus direitos, trabalho, e educação
apenas porque escolhem exercer o seu direito de usar Niqab ou Hijab. Hoje,
mulheres usando Hijab ou Niqab estão a ser crescentemente impedidas de
trabalhar e de se instruir não só sob regimes totalitários como na
Tunísia, em Marrocos, e no Egito, mas também nas democracias Ocidentais
como a França, a Holanda, e a Inglaterra.
Hoje ainda sou uma feminista, mas
uma feminista Muçulmana, que apela às mulheres Muçulmanas que assumam as
suas responsabilidades de fornecer todo o suporte possível para que os
seus maridos sejam bons Muçulmanos, de criar os seus filhos como
Muçulmanos retos para que sejam sinais de luz para toda a humanidade outra
vez. De ordenar o bem – qualquer bem - e de proibir o mal – qualquer mal.
De pregar a retidão e de falar contra todas as injustiças. De lutar pelo
nosso direito de usar Niqab ou Hijab e de agradar ao nosso Criador de
qualquer modo que escolhamos. Mas, de suma importância, o de levar a nossa
experiência com o Niqab ou Hijab para as companheiras que podem nunca ter
tido a oportunidade de compreender o que usar Niqab ou Hijab significa
para nós e porque é que nós, tão ternamente, o abraçamos.
A maior parte das mulheres que
conheço que usam Niqab são Ocidentais revertidas, algumas das quais não
são sequer casadas. Outras usam Niqab sem o apoio total da sua família ou
do meio em que vivem. O que todas temos em comum é o fato de que essa é a
escolha pessoal de cada uma de nós, e que nenhuma de nós está disposta a
renunciar.
Voluntária ou involuntariamente,
as mulheres são bombardeadas com estilos de “vestir-pouco-ou-nada”
virtualmente em todos os meios de comunicação em todos os lugares do
mundo. Como uma ex não-Muçulmana, eu insisto no direito que as mulheres
têm que saber igualmente acerca do Hijab, das suas virtudes, e da paz e
felicidade que traz à vida de uma mulher como trouxe à minha. Ontem, o
bikini era o símbolo da minha libertação, quando na realidade apenas me
libertou da minha espiritualidade e verdadeiro valor como um ser humano
respeitável.
Não poderia estar mais feliz por
mudar do meu biquíni e do estilo de vida “glamoroso” para a vida em paz
com o meu Criador e apreciar viver entre companheiros humanos como uma
pessoa digna. É por isso que escolhi usar Niqab, e é por isso que morrerei
defendendo o meu direito inalienável de o usar.
Hoje, o Niqab é o novo símbolo da
libertação da mulher para que ela descubra quem é, qual é o seu propósito,
e qual o tipo de relação que escolhe ter com o seu Criador.
Às mulheres que se rendem ao
estereótipo feito em oposição à modéstia Islâmica do Hijab, eu digo: Vocês
não sabem o que estão perdendo.
*Sara Bokker era anteriormente
atriz/modelo/instrutora de fitness e ativista. Atualmente, Sara é Diretora
de Comunicações em “The March for Justice,” uma co-fundadora da “The
Global Sisters Network,” e produtora da “Shock & Awe Gallery ©.” Sara pode
ser contatada em: srae@marchforjustice.com
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