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Artigos Fundamentais da Fé Islâmica
“Nos cremos em
Deus e na revelação que nos foi dada, e em Abraão, Ismael, Isaac, Jacob e
nas Tribos; e no que foi dado a Moisés e Jesus, e no que foi dado a todos
os Profetas pelo Senhor. Não fazemos nenhuma discriminação entre eles, e
inclinamo-nos perante Deus” (2:136, 3:84; 4:163-165; 6:84-87). Em principio, o
muçulmano crê nos livros e nas revelações anteriores ao Alcorão. Mas onde
se encontram as versões completas e originais destes Livros? Talvez ainda
estejam no fundo do Mar Morto, e outros pergaminhos esperam ser
descobertos. Ou talvez novas informações sobre eles sejam fornecidas pelos
arqueólogos cristãos e judeus quando revelarem ao publico as descobertas
completas e originais resultantes das escavações permanentes efetuadas na
Terra Santa. O muçulmano, por sua vez, tem ao seu alcance o Alcorão
completo e autentico. O alcorão existe na forma inicial, tal como foi
revelado Por Deus que se encarregou de proteger contra quaisquer
interpolação e corrupção. Assim foi dado aos muçulmanos, como critério ou
norma, para que através dela possam julgar os outros Livros. Deste modo,
tudo o que Afinar com o Alcorão é aceite como verdade divina, e tudo que
for diferente do mesmo é rejeitado ou suspenso. Deus disse: “Com toda a
certeza mandamos o Alcorão; e com certeza que o guardaremos” (15:9;
2:75-79; 5:13-14; 41, 45, 47; 6:91; 41:43). A fé no Dia do Juízo Final é a resposta definitiva que soluciona muito dos problemas tão complicado do nosso mundo. Há homens que comete pecados. Negligenciam Deus e se dedicam a atividades imorais e, no entanto tem “aparentemente” êxito nos negócios e levam uma vida próspera. Por outro lado, há pessoas virtuosas e crentes que parecem ser menos recompensadas pelos seus sinceros esforços e sofrem mais do que os outros neste mundo. Isso é estranho e
incompatível com a justiça de Deus, se os culpados podem escapar à lei
mundana sem prejuízo e ainda por cima são mais prósperos, então o que fica
para os virtuosos? Quem vai promover a causa da moralidade e da bondade?
Deve existir uma maneira de recompensar o bem e pôr fim ao mal. Se isso
não se faz aqui neste mundo, e sabemos que não se faz regular ou
imediatamente, tem que se fazer algum dia, e este é o dia do Juízo Final.
Isso não é para desculpar a injustiça ou tolerar o mal neste mundo, nem é
para consolar os necessitados e estimular os seus exploradores. É sim para
prevenir os que desviam do bom caminho e lembrar-lhe que a justiça de Deus
será feita cabalmente tarde ou cedo. Isso não é, de
modo algum, para tornar o homem fatalista ou fraco, mas sim para separar
nitidamente o domínio de Deus na responsabilidade dos homens. Visto que
pela nossa própria natureza somos limitados, o nosso poder e a nossa
liberdade têm também limites. Nos não podemos fazer tudo, e Deus, na Sua
grandeza, declara-nos responsáveis por tudo quanto fazemos. O que não
podemos fazer, ou o que Deus só faz, sai do domínio da nossa
responsabilidade. Deus é justo e deu-nos poder limitado que corresponde a
nossa natureza limitada e à nossa responsabilidade determinada. Por outro
lado, o conhecimento e poder eternos que Deus tem na execução dos Seus
planos e poder eternos que Deus tem execução dos Seus planos, não nos
impedem de fazer os nossos próprios planos dentro da esfera limitada do
nosso poder. Antes pelo contrario, Deus exorta-nos a pensar, planear e ter
opções saudáveis, mas se as coisas não acontecerem, assim como nós
queremos ou tencionamos, não devemos perder a fé, nem esgotar-nos em
lamentações arruinantes. Temos que tentar outra e outra vez, e se o
resultados não forem satisfatórios, então sabemos que temos feito o melhor
que sabemos e não podemos ser considerados responsáveis pelos resultados,
porque o que se encontra além da nossa capacidade e responsabilidade é do
domínio de Deus, só, Os muçulmanos chamam este artigo de Fé “crença no
qadár” e “qadar” que noutra palavras quer dizer pura e simplesmente que “o
conhecimento eterno de Deus antecipa os conhecimentos, e que os
acontecimentos, verificam-se conforme o conhecimento exato de Deus”( vide
Alcorão, 18:29; 41:46 53:33-62; 54:49; 65:3; 76:30-31). Artigo 07
- O verdadeiro muçulmano crê a criação de Deus tem sentido, e que a vida
tem uma finalidade sublime além das necessidades físicas e atividades
materiais do homem. A finalidade da vida é a adoração de Deus. Isso não
quer dizer simplesmente que passamos a vida em isolamento permanente e em
meditação absoluta.Adorar a Deus significa conhecê-lo; Amá-lo; obedecer
aos seus mandamentos; aplicar a sua Lei em todos os aspectos da vida;
servir a sua causa praticando o bem e afastando do mal; ser justo para com
ele, para consigo próprio e para com vossos semelhantes. Adorar a Deus é
“viver” a vida, e não fugir dela. Em conclusão, adorar Deus é penetrar nos
seus atributos supremos. Portanto, se a vida tem uma finalidade, ele não
pode esquivar-se a esta responsabilidade. Ele não pode negar a sua
existência, nem ignorar o papel vital que tem que desempenhar. Quando Deus
lhe dá alguma responsabilidade, concede-lhe também toda a ajuda
necessária. Dá-lhe inteligência e força para escolher o caminho pelo qual
tem que enveredar. Deste modo, Deus manda o homem fazer o melhor que puder
para servir completamente a finalidade da sua existência. Caso assim não
faça, se estragar a sua vida ou negligenciar os seus deveres, será
responsável perante Deus pelas suas más ações (Vide 21:17-18; 51:56-58;
75:37). Este conceito islâmico da liberdade baseia-se no principio da justiça de Deus e da responsabilidade direta do individuo perante Deus. Cada pessoa deve suportar o peso da própria responsabilidade pelas suas ações, porque ninguém pode expiar pecado alheio. Deste modo, o muçulmano acredita que, se Adão cometeu o primeiro pecado, a própria responsabilidade exigia-lhe que expiasse aquele pecado. Supor que Deus não foi capaz de perdoar a Adão e teve que escolher outra pessoa para expiar aquele pecado, ou supor que Adão não pediu perdão ou pediu, mas não lhe foi dado, seria muito improvável e contrario à clemência e justiça de Deus, assim como ao Seu atributo e poder de perdoar. A aceitação de tal hipótese seria um ousado desafio ao sentido comum e uma violação flagrante do próprio conceito de Deus (Vide as referencias do artigo 9; Alcorão, 41:46; 45:15; 53:31-42; 74:38). Nesta base racional e com apoio na autoridade do Alcorão, o muçulmano crê que Adão compreendeu o que tinha feito e pediu perdão a Deus, assim como qualquer outro pecador teria feito caso tivesse bom senso. Igualmente, e na mesma base, o muçulmano crê que Deus, o Indulgente e Misericordioso, concedeu o Seu perdão a Adão (2:35-37; 20:117-122). Poe isso o muçulmano não pode aceitar de modo algum a doutrina segundo a qual Adão e toda a raça humana foram condenadas e só conseguiram o perdão quando Jesus veio para expiar os pecados dos mesmos. Conseqüentemente, o muçulmano não pode aceitar a historia dramática da morte de Jesus na cruz só para acabar com todos os pecados humanos de uma vez para sempre. Aqui devemos
prevenir o leitor de tirar conclusões errôneas. O muçulmano não crê na
crucificação de Jesus pelos seus inimigos, porque a base da doutrina da
crucificação é contraria à clemência e a misericórdia divinas, assim como
a lógica e a dignidade humanas. Tal discordância nessa tese não diminui de
modo algum o respeito que os muçulmanos tem por Jesus, nem degrada a alta
posição que Jesus tem no Islam, assim como não afeta a crença dos
muçulmanos em Jesus como um distinguido Profeta de Deus. Antes pelo
contrario, rejeitando essa crucificação, o muçulmano aceita Jesus ainda
com mais estima e respeito e considera a sua mensagem original como parte
essencial do Islam. Portanto, digamos aqui outra vez que para ser
muçulmano, uma pessoa deve aceitar e respeitar todos os Profetas de Deus,
sem nenhuma discriminação. Este ponto é muito importante para todos os muçulmanos. Há muitos homens no mundo que nunca ouviram falar do Islam nem tiveram a possibilidade de tomar conhecimento dele. Esses homens podem ser honestos e tornar-se bons muçulmanos, se acharem o caminho que os leve ao Islam. Se eles não sabem, nem tem possibilidade de saber, eles não responsáveis por não serem muçulmanos. Em troca, os muçulmanos capazes de apresentar o Islam a tais homens, serão os responsáveis por os não terem convidado a seguir o Islam e por lhe não terem mostrado o que é o Islam. Isso exige que cada muçulmano, seja qual for o lugar onde se encontre, não deve limitar-se a pregar o Islam em palavras, mas também, e isso é mais importante, que viva plenamente(Vide Alcorão, 3:104; 16:125). Artigo 13
- O verdadeiro muçulmano acredita que na natureza humana, que Deus criou,
há mais bem do que mal, e a probabilidade de transformação positiva é
maior do que a probabilidade do fracasso sem esperança. Esta crença vem do
fato de Deus ter encarregado o homem de certas tarefas e ter mandado
Mensageiros com revelações para o guiarem. Se o homem fosse pela sua
natureza um caso sem esperança de melhorar, como poderia Deus, na Sua
sabedoria absoluta, encarregá-lo de responsabilidade e exortá-lo a fazer
ou evitar certas coisas? Como poderia Deus fazer tudo isso, se fosse em
vão? O fato de Deus cuidar do homem e se preocupar com ele prova que o
homem não é desamparado, nem irrecuperável, mas que Deus sabe apreciar o
bem e vela pelo homem para que ele não caminhe no sentido contrario. Com
toda a certeza, a firme Fé em Deus e a devida confiança no homem podem
fazer milagres, mesmo nos nossos dias. Para que isso se compreenda
corretamente, é preciso estudar os passos respectivos do Alcorão e
refletir sobre o sentido deles. Por isso, o Islam exige convicções sãs e se opõe a imitação cega. O Islam manda, a cada pessoa que tiver a devida capacidade para se considerar autentica e honesta na sua maneira de pensar, utilizar as sus capacidades ao Maximo. Mas se pessoa não tiver esta capacidade ou não estiver segura de si própria, terá que prosseguir com o seu pensamento só ate onde os limites permitem. Tal pessoa terá que basear-se só nas fontes autênticas da religião, que por ela própria são suficientes, sem lhes aplicar nenhuma atitude critica da qual não é capaz. A verdade é que ninguém pode considerar-se um muçulmano perfeito se a sua Fé não se basear em convicções fortes e se a sua mente não se libertar de quaisquer dividas. Visto que o Islam é completo só quando se baseia em convicções firmas e na liberdade de opção, não podemos ser imposto a ninguém, porque Deus não aceitara uma Fé forçada, nem considerará um verdadeiro Islam se não se enriquecer de convicções sólidas e livres. É visto o Islam assegurar a liberdade de crença, muitos grupos não muçulmanos viveram e ainda vivem nos países muçulmanos beneficiando de plena liberdade de crença e consciência. Os muçulmanos adotam esta atitude porque o Islam proíbe o constrangimento na religião. Ela é a luz que deve irradiar de dentro, porque a liberdade de opção é o alicerce da responsabilidade. Isso não dispensa os pais da responsabilidade pelos filhos, nem desculpa a indiferença deles pelos seus dependentes. De fato, eles devem fazer os possíveis para ajudar as pessoas que deles dependem, a criarem uma fé forte e inspiradora. Para a Fé
assentar em alicerces sólidos, existem varias vias paralelas. Existe uma
abordagem espiritual que se baseia principalmente no Alcorão e nas
Tradições de Muhammad. Existe também a abordagem racional que leva
finalmente à Fé no ser Supremo. Isso não quer dizer que a abordagem
espiritual careça da racionalidade sólida, nem que a abordagem racional
careça de espiritualidade inspiradora. Em realidade, ambas as abordagens
completam-se reciprocamente e podem vir a inter-influenciar-se vivamente.
Se uma pessoa tiver suficientes qualidades racionais sólidas, poderá
recorrer à abordagem racional ou à abordagem espiritual, ou a ambas, e
pode estar segura de que a conclusão será certa. Mas quem for incapaz de
investigar profundamente ou estiver inseguro do seu poder de raciocínio,
terá que se limitar à abordagem espiritual e contentar-se com os
conhecimentos que poderá tirar das fontes autentica da religião. A verdade
é que no fim se chegara à Fé em Deus, seja qual for a técnica utilizada a
espiritual ou racional, ou ambas. Todas estas vias são igualmente
importantes e aceites pelo Islam, e se foram bem orientadas. Levam ao
mesmo fim que é a Fé no Ser Supremo. (Alcorão, 5:16:17; 12:109; 18:30;
56:80) Para provar o
fato de Deus ter preocupado com a sua conversão, o Alcorão é a única
Escritura da historia da humanidade que se tem preservado na versão
original e completa sem a menor mudança de estilo ou mesmo de pontuação. A
história do registro do Alcorão, da compilação dos seus capítulos e da
conservação do seu texto está presente, sem duvida alguma, não apenas na
mente dos muçulmanos, mas também na dos estudiosos honestos e sérios. Esta
é uma verdade histórica que nunca foi contestada por nenhum teólogo de
qualquer religião, pois respeita os seus conhecimentos e a sua
integridade. |