Seguindo os passos do bem-amado Muhammad

 

Episódio 4: A preparação divina do Profeta Muhammad

Que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre o nosso amado Profeta Muhammad.

Continuamos com a biografia (Sirah) do nosso amado Profeta Muhammad e gostaria de começar renovando nosso agradecimento a Allah por nos oferecer tão apreciados presentes no Ramadan: O perdão e a salvação do fogo do inferno.

Além disso, devemos agradecer a Allah que nos permitiu viver a experiência deste Ramadan e a Laylatul Qadr (Noite do Decreto) enquanto outras pessoas morreram antes que ele começasse.

Esses presentes merecem um profundo e sincero agradecimento a Allah, de modo que voltemos a Allah completamente submissos.

Certamente é uma grande honra para nós retransmitir esses episódios deste local , nos encontramos a poucos passos da Mesquita do Profeta e sentimos que somos hóspedes em sua casa.

Outra benção, que devo agradecer a Allah, é ter uma audiência tão multicultural. Estão hoje comigo pessoas provenientes de vários países islâmicos, entre os quais, professores de universidades do Sudão, Egito e Madina, assim como também da Síria e da Palestina. Fico muito orgulhoso em ter esses netos do Profeta assistindo a cada dia nosso programa.

Passaram-me um aviso sobre o horário de difusão desses episódios. Muitas pessoas pediram que se retransmitissem os episódios durante à tarde, porque lhes é dificultoso acompanhar durante a noite. Por isso, Graças a Allah, além de se transmitir todos dias às 6 da tarde para agradar o público dos Estados Unidos, agora também se retransmitirá diariamente no canal Iqraa às 3:45 da tarde, horário local da Arábia Saudita (2:45 da tarde do horário do Cairo).

Vamos começar o episódio de hoje que tratará da juventude do Profeta, seu casamento e as preparações divinas essenciais que permitirão que o Profeta esteja preparado para receber a mensagem do Islam. Em outras palavras, o final deste episódio coincidirá com o incidente da Caverna de Hirá.

Como introdução faremos um repasse rápido dos acontecimentos que influenciaram a vida do Profeta Muhammad:

Circunstâncias Sociais: Era órfão, perdeu sua mãe e seu pai sendo muito pequeno (seu pai morreu antes de seu nascimento). Além disso, foi filho único. Esses acontecimentos lhe ensinaram que esta vida mundana é curta e temporária.

Lar: Foi criado na casa de 5 pessoas:

1-   Casa de sua mãe (ao nascer).

2-   Sua primeira ama-de-leite Halima Ass’aadiya no deserto (do nascimento até os 2 anos de idade).

3-   Sua mãe (dos 2 aos 6 anos)

4-   Seu avô Abdul Muttalib (dos 6 aos 8 anos, após a morte de sua mãe)

5-   Seu tio Abu Taleb (após a morte de seu avô, quando tinha 8 anos)

Essa movimentação contínua lhe ensinou a seriedade, a responsabilidade, a flexibilidade e a habilidade de adaptar-se a novas situações.

Trabalho: Trabalhou como pastor entre as idades de 8 a 15 anos. Durante esses 7 anos aprendeu a paciência e a habilidade de reunir as pessoas. Depois trabalhou no comércio entre as idades de 15 a 35 anos. Nesses vinte anos adquiriu a habilidade de julgar o diferente caráter das pessoas.

Situação Econômica: Mesmo descendendo de uma das famílias árabes mais honradas, era pobre. Isso permitia que ele se relacionasse facilmente com ambos: pobres e ricos.

Participação na sociedade: Participou ativamente dos acontecimentos sociais e políticos. Dos 15 aos 18 anos participou da guerra dos Fujjar com Quraish, a qual lhe ensinou a arte da guerra. Aos 18 anos formou parte da Federação tribal dos Fudul, que lhe ensinou a arte da paz e da negociação.

Educação: Era iletrado, o qual constitui um milagre em si mesmo já que ele demonstrou ser o maior professor da humanidade de todos os tempos. Apesar de não ter estudado, adquiriu muita experiência em suas relações com a sociedade e sua integração com as pessoas à sua volta. Isso ensina os jovens que devem ser sociais e que nunca devem isolar-se da sociedade, porque essa interação social é fundamental para formar o caráter. O Profeta não adquiriu essa experiência graças a um milagre de uma noite, estava estabelecido que ele obteria essas experiências gradualmente através dos anos. Por isso aconselho a todos os jovens que participem em diferentes compromissos sociais e políticos. Não precisamos de jovens irresponsáveis nem de jovens que usam a religião como desculpa para manterem-se isolados da sociedade. Precisamos de jovens que possam construir e solucionar nossas sociedades para evitar o erro da geração anterior que não participou na nossa vida pública. Por que não colaboramos com algum orfanato ou outra instituição benéfica? Esse tipo de trabalho produzirá a juventude madura que precisamos.

Bom, voltemos à biografia do nosso Profeta Muhammad.

Quando chegou a idade de 25 anos, ele precisava de outro tipo de experiências que lhe permitissem chegar a ser Profeta do mundo inteiro. Como ainda não havia viajado, necessitava viajar e ter contato com outras nações para aprender a tratar com todo tipo de pessoas, ao invés de ficar restringido à tribo de Quraish. Isso me permite ressaltar a importância de viajar a outros países, porque a experiência que se ganha em um ano de viagem é equiparável a que se ganharia em 20 anos no mesmo lugar.

Anteriormente, nosso Profeta estava trabalhando para Khadija Bint-Joayled conduzindo sua caravana até Al Sham (Síria, Palestina, Líbano e Jordânia) e em direção contrária até o Yemen. Essas viajem eram necessárias para colocá-lo em contato com os dois maiores impérios da época : o Romano e o Persa.

Você compreende agora como ocorreu a formação do Profeta?

Quando seu tio Abu Taleb lhe sugeriu que trabalhasse com Khadija, ele aceitou sem problemas, já que sempre havia sentido um grande respeito com relação às mulheres. Por isso não sentiu nenhuma vergonha por trabalhar para uma mulher ou tratar com ela desde o ponto de vista profissional. Isso ensina aos nossos jovens que não devem se envergonhar de tratar com mulheres quando houver uma razão estrita pra isso e sempre que mantenham mútuo respeito. Isso é diferente do que inventar desculpas, como alguns jovens fazem hoje em dia.

Reparem que Khadija não era uma mulher comum, era uma mulher de negócios de muito êxito, e que havia ficado viúva pela segunda vez e tinha quase 40 anos de idade nessa época. Por isso, quando Abu Taleb propôs a  Muhammad que trabalhasse para ela, ela aceitou deixando-lhe uma pequena caravana e enviando com ele um de seus fiéis serventes, Maysara, para que lhe informasse acerca das habilidades e honra de Muhammad.

Depois de acompanhá-lo a três viagens ao Yemen, Maysara retornou a Khadija dizendo-lhe que nunca havia visto ninguém tão honesto, fidedigno e trabalhador como Mohamad. Isso ensina aos nossos jovens o valor do trabalho duro. Na realidade, é vergonhoso que um homem jovem trabalhe somente 2 ou 3 horas durante o dia  e logo afirme que ama Muhammad, que passava longas horas de trabalho durante o dia.

Depois, Maysara informou à Khadija o êxito que Muhammad tinha, conseguindo uma ganância honesta, e que nunca havia se prostrado diante de nenhum ídolo, da mesma forma que ela. E que ele havia dito a um cliente que nunca havia adorado Al-Lat e Al Uzza (ídolos). Isso despertou curiosidade em Khadija e ela quis conhecê-lo melhor. Por esse motivo, decidiu confiar nele e enviá-lo com sua caravana à grande viajem para Al Sham.

Ao invés de demorar cinco ou seis semanas para vender a mercadoria, como era usual dentre os comerciantes, Muhammad conseguiu vender sua mercadoria inclusive antes de chegar a seu destino e voltou com o ganho. Isso nos ensina que as pessoas religiosas, que tem a responsabilidade de convocar as pessoas a Allah nunca deveriam confinar-se na mesquita enquanto que sua vida mundana é um fracasso. Nosso Profeta tinha mais habilidade no comercio que o famoso comerciante Abu Sufian, que em apenas 2 ou 3 semanas vendia sua mercadoria em Al Sham.

Esse êxito gradual em todos os aspectos da vida era necessário para refinar o caráter de Muhammad e não era um milagre. De fato, é muito possível que os jovens consigam esse êxito se se comprometerem em aprender e a trabalhar duro. Inclusive levando em consideração que Allah conferiu milagres ao Profeta Muhammad, devemos ter em mente que tais milagres não interferiram na seqüência dos acontecimentos.Ao invés disso, ele melhorou gradualmente: primeiro com um pastor de êxito, depois como um comerciante jovem e honesto e com a suficiente habilidade para sair  da diferentes provas durante outro ano inteiro e finalmente como um comerciante com muito êxito e bem-estabelecido.

A idéia de adquirir o êxito gradualmente com o tempo é um princípio básico no Islam e na Sunnah (tradição do Profeta), o qual deveria ensinar os jovens a ter paciência juntamente com trabalho duro para conseguir seus sonhos.

Uma vez que Muhammad tinha alcançado tal nível de êxito em sua vida profissional e havia tratado com diferentes pessoas e nações, estava pronto para dar o passo final de sua preparação: formar uma família. Era necessário que ele contraísse matrimônio e levasse uma vida familiar com êxito para poder ensinar os demais como fazer o mesmo.

Como começou a idéia do casamento? Muhammad havia mantido um rosto alegre e havia demonstrado ter flexibilidade em todos seus tratos, inclusive nos momentos de desacordo. Essa alegria é um requisito básico para ter êxito no negócio, como o Ocidente compreendeu mais tarde. Como conseqüência disso, ficando profundamente impressionada pela incomparável amabilidade de Muhammad, sua honestidade e caráter alegre, Khadija decidiu dar o primeiro passo.

Khadija havia recusado várias propostas de casamento que lhe foram feitas por alguns dos homens mais influentes de Quraish, que haviam sido atraídos pela sua beleza ou riqueza. Isso continuou por muito tempo, até que khadija abriu seu coração com uma de suas amigas, Nafisah Bint Al-Munabbih e admitiu sua admiração com relação a Muhammad, e deu a permissão a Nafisah para que falasse com ele sobre o casamento.

Neste ponto é necessário que analisemos a situação e nos perguntemos se é apropriado que uma mulher inicie uma proposta de casamento. Segundo este matrimonio exemplar de Khadija e Muhammad, sim , uma mulher pode tomar a iniciativa. O importante é como ela fará. Na atualidade, é realmente complicado  o casamento, e as meninas devem tomar cuidado para não fazer algo que as desonre ou as faça parecer fáceis aos olhos dos possíveis maridos. Ao invés disso, vamos aprender da senhora Khadija como ela planejou para dar a iniciativa.

Nafisah, que era uma pessoa madura e eloqüente, foi ver Muhammad e ocorreu este diálogo:

Nafisah: Muhamad, você é casado?

Muhammad: Não.

Nafisah: Porquê?

Muhammad: Pobre como sou, quem gostaria de casar comigo?

Nafisah: Khadija.

Muhammad: Ela me aceitaria?

Nafisah: Falarei com ela sobre o assunto.

Dos dias depois, Nafisah retornou para lhe informar que Khadija havia aceitado a proposta de casamento e do bom conceito que ela tinha dele.

Aconselho às jovens que nunca façam nada que lhes façam parecer fáceis ou de pouco valor aos olhos dos homens, porque quando perdem seu respeito com relação a uma mulher, nunca se casam com ela. Esse aspecto não tem muito a ver com a religião e sim com a natureza humana que sempre aprecia mais o que se obtém com dificuldade. Por isso o Islam estabeleceu a lei acerca do dote obrigatório e pôs como condição essencial para se consumar o matrimônio que o tutor da mulher (o pai, em sua falta um tio ou irmão maior) aprove tal matrimônio.

A dificuldade que um homem encontra para conseguir sua mulher faz com que quando ele a consiga a trate como uma jóia. Ao contrário, as mulheres que aceitam o casamento orfi (não registrado legalmente) sempre são abandonadas no final. Observe como a Sirah (Biografia) trata os assuntos sensíveis de nossa vida atual!

Voltemos a Muhammad e Khadija, cujo matrimônio durou 25 anos contra todas as expectativas.

·       É verdade que Khadija tinha 15 anos a mais que Muhammad, mas o nível de maturidade de ambos, que é fator principal que determina se um matrimônio terá êxito ou não, era extraordinário. A maturidade exemplar de Muhamad (SAWS) era difícil de encontrar. Khadija era suficientemente matura para não fazê-lo sentir-se inferior a ela. Mas deve-se levar em conta o grau de maturidade de ambos, uma vez que os psicólogos afirmam que uma mulher amadurece mais rapidamente que um homem, sendo que pode acarretar desacordos com o cônjuge se forem da mesma idade ou se a mulher é maior que o homem. Por isso é preferível que o homem seja um pouco maior que a mulher.

·       Quanto ao dinheiro, Khadija era mais rica que Muhammad, mas esse não era problema já que a sua posição social era equivalente com a dela. De fato, Muhammad descendia da família mais honrada de Quraish.

·       O islam não somente se interessa pela semelhança do nível religioso entre os futuros cônjuges como também dá importância à semelhança no status social.

De todos os modos, o esposo é quem deve levar a responsabilidade econômica da família. Por isso o famoso comerciante Muhammad que inclusive havia se associado a outro comerciante chamado Al-Said Ibn Abi Al-Said, cobria inteiramente os gastos da família. Isso não somente refuta uma afirmação feita por alguns orientalistas de que ele havia se casado com Khadija pelo seu dinheiro, como também ensina as mulheres e seus tutores a examinarem seus pretendentes antes de casar para assegurar sua honra, tal como fez Khadija.

Omar Ibn  Al-Khattab em uma ocasião perguntou a um homem se ele conhecia uma pessoa em particular. O dialogo decorreu assim:

O homem: “Sim, o conheço”

Omar: “Você já fez com ele algum negócio onde tivesse dinheiro envolvido?”

O homem: “Não”

Omar: “Então você o conhece de vê-lo rezar e acenando com a cabeça?”

O homem: “Sim”

Omar: “Então, você não o conhece!”

Por todos esse motivos o casamento de Muhammad e Khadija teve êxito. Durou 25 anos: os primeiros 15 anos antes da profecia e os 10 últimos depois da profecia. Além disso tiveram 6 filhos: 4 filhas (Zainab, Ruqaia, Um Kulthum e Fátima) e 2 filhos (Al Qasim e Abdullah). Essa foi uma verdadeira história de amor, não como a de Romeu e Julieta que nunca tiveram a oportunidade de consumar seu amor e colocá-lo a prova verdadeiramente mediante o casamento. O amor de Muhammad e Khadija foi colocado à prova mediante o casamento, e se manteve impecável com o passar do tempo, e eu tenho provas disso:

1) Vinte anos depois da morte de Khadija, durante o regresso vitorioso a Makkah e a tomada do poder, o Profeta estava muito ocupado tratando de muitos temas e com muitas pessoas. Mesmo assim, quando viu uma senhora velha que se aproximava dele, abriu espaço para que ela passasse e pediu a todos que o deixasse a sós com ela e não lhes incomodassem por uma hora. As pessoas o viram estender sua capa no chão para que ela sentasse. Logo, observaram como eles conversavam e riam juntos, o que os deixou cheios de curiosidade em saber quem era aquela mulher. Quando ele voltou, Aisha lhe perguntou quem era aquela anciã. E o dialogo aconteceu dessa forma:

Muhamad: “Uma amiga de Khadija”

Aisha: “Sobre o que falavam?”

Muhamad: “Estávamos lembrando os bons tempos junto a Khadija”

Após a morte de Khadija e depois de haver se casado com Aisha, cada vez que o Profeta ouvia baterem na porta de uma maneira semelhante da que batia Khadija, desejava que fosse Hala, irmã de Khadija, para assim lembrar-se dela.

Este grande amor e lealdade entre ambos durou 25 anos, mesmo vivendo um acontecimento muito difícil : a morte dos filhos meninos do Profeta. Mais uma vez o Profeta aprendia que a vida desse mundo era insignificante. Através destes acontecimentos Allah ensinava ao Profeta que devia viver pelo seu objetivo e não se distrair com os adornos dessa vida. Um deles morreu na idade de 3 anos e o outro 4 anos, a idade em que os pais são mais próximos a seus filhos. Em 35 anos o Profeta havia sentido a morte de pessoas muito próximas a ele: seu pai, sua mãe, seu avô e seus dois filhos. Isto ensinava ao Profeta que a vida é curta e insignificante e não merece que percamos a outra vida por causa dela.

Nós não precisamos sofrer todos esses acontecimentos difíceis para compreender isto. Não precisamos perder alguém querido para se dar conta que esta vida vale pouco.

“Realmente, tendes no Mensageiro de Deus um excelente exemplo para aqueles que esperam contemplar Deus, deparar-se com o Dia do Juízo Final, e invocam Deus freqüentemente.” (33:21)

Viva pelos seus objetivos, viva pela causa de Allah! Não viva com o único objetivo de criar seus filhos, você morrerá e eles morrerão, não vale a pena. Outra lição que aprendemos da morte dos filhos do Profeta é dedicada àqueles que perderam um filho ou uma filha. Às vezes Allah leva algo de ti para lhe dar algo melhor. Às vezes um filho ou uma filha está destinado a ir ao inferno, mas quando morrem jovens, seus pais começam a fazer boas ações por eles e o filho vai ao Paraíso graças a esses atos.

Agora o próximo passo para preparar o Profeta para sua missão era demonstrar a sua humanidade a todo mundo, não só com os muçulmanos. Isso é algo que os muçulmanos devem aprender. Devem ver o quanto o Profeta era misericordioso com as pessoas que não eram muçulmanas, antes do islam.

O Profeta foi enviado somente aos muçulmanos ou para toda a humanidade? Evidentemente que foi enviado a todo o mundo. Por isso o Profeta tinha que experimentar todas as situações para ensinar os demais como ser indulgentes com todos seres humanos. Alguns muçulmanos limitam sua misericórdia aos outros muçulmanos e assim não atuam como fazia o Profeta (SAWS).

Analisemos a história de Zaid Ibn Haretha. Esta historia ocorreu antes que o Profeta Muhammad recebesse a mensagem divina. Havia uma mulher chamada Sa’da Bint Ta’laba que era mãe de Zaid. Quando ele tinha 8 anos sua mãe lhe pegou e se dirigiu com ele à outra aldeia, quando foi seqüestrado e vendido no mercado de Akadh como escravo.Um homem chamado Hakim Ibn Hossam Ibn Khwayled, sobrinho de Khadija, comprou-o e deu de presente à sua tia Khadija que por sua vez colocou-o à disposição de Muhammad. O menino vivia com o Profeta enquanto sua família lhe procurava. Então, um dia o pai ficou sabendo que seu filho vivia na casa de Muhammad. Ele começou a arrecadar dinheiro para recuperar seu filho. Depois disso, foi ver Muhammad e lhe pediu que aceitasse o dinheiro em troca de seu filho. Muhammad disse que tinha uma solução melhor, que era deixar que o filho escolhesse com quem ele queria ficar. Se o filho escolhesse o pai, então poderia levá-lo sem ter que pagar nada, mas se escolhesse o Profeta, então ficaria com ele. Você percebe o quão misericordioso era ? O Profeta não era muçulmano naquela época, somente estava tratando-os com humanidade. Também não lhes disse que levassem Zaid sem ter em conta o desejo de Zaid, portanto também era misericordioso com o menino, queria que ele mesmo escolhesse o que seria melhor para ele. Zaid escolheu ficar com o Profeta. Seu pai lhe perguntou como ele poderia escolher ser um escravo ao invés de viver livre ao lado de seus pais. Zaid respondeu dizendo que o Profeta tinha misericórdia que jamais havia conhecido e por isso não queria abandoná-lo e não lhe importava o que ele poderia oferecê-lo. Você observou o quanto era misericordioso o Profeta ? A misericórdia não é algo que devemos ter apenas com os muçulmanos. Todos devemos aprender desta situação.

O último passo para preparar o Profeta para sua missão era examinar sua capacidade de liderança. Teria que resolver os desacordos entre as pessoas e uni-los. Também era fundamental que antes do Islam fosse reconhecido como uma pessoa de honra entre sua gente. Isso era essencial para que depois, já sendo Profeta, ficasse claro que não o seguiam não devido à desconfiança de sua honra e sim por causa de outros interesses que tinham.

O Profeta agora tinha 35 anos de idade. Quraish (a tribo do Profeta) decidiu reconstruir a Ka’aba. As pessoas tinham medo de derrubá-la para reconstruí-la porque Abraha e seu exército haviam sido aniquilados por querer derrubá-la. Então Al Walid Ibn Al Moghira que era conhecido pela sua valentia, disse que faria isso. Alegou que como eles faziam por uma boa causa, Allah não lhes causaria nenhum dano. Esse é um ponto importante, Allah aceita as intenções boas até de não-muçulmanos.

Então, Al Walid começou a derrubar a Ka’aba e os demais esperaram até o dia seguinte. Quando estiveram seguros de que nada ruim havia acontecido, todos começaram a trabalhar.

Quraish disse que para reconstruir a Ka’aba deveriam estar completamente seguros de que todo o dinheiro usado provinha de um trabalho limpo e legal e não de origem imoral (por ex: não poderia ser roubado). Este é outro ponto importante. As pessoas mesmo não sendo muçulmanas sabiam que Allah não aceitaria o dinheiro de origem pouco ética. Isso é algo que sabemos da nossa fitra (sabedoria original que todo ser humano tem). Então, porque nós muçulmanos ignoramos isso? Como alguns muçulmanos podem dar de comer a seus filhos com dinheiro que provém de Haram (pecado)? Aquele que cresce mediante dinheiro proveniente de haram está destinado ao inferno. Como podem fazer isso a seus filhos?

Um tema importante hoje em dia é dos direitos autorais.

Muita gente viola a lei que os protege, destruindo as oportunidades dos que fazem coisas novas para ganhar a vida com seu trabalho. Isso é traz danos a todo o país e destrói as nossas oportunidades de solução.

Mas, voltemos à Ka’aba. Cada tribo reconstruía uma parte da Ka’aba, porque considerava isso uma honra. Depois de reconstruir o edifício, a única coisa que faltava fazer era colocar a pedra negra (que é uma pedra do paraíso) outra vez no seu lugar. Todas as tribos queriam ter a honra de colocar a pedra no seu lugar e não houve acordo para quem iria fazê-lo.O clima era tão delicado que uma tribo disse que declararia uma guerra se eles não forem os designados a fazerem. Passaram-se três dias e não havia nenhuma decisão. Então Al Walid sugeriu que a primeira pessoa que entrasse pela porta do lugar onde estavam reunidos, não importando quem fosse, seria a encarregada de solucionar o conflito.

Então, o Profeta Muhammad entrou naquele momento. Vejam como Allah fez com que fosse o Profeta a pessoa encarregada de solucionar o problema. Esse é um ponto importante também, os milagres ao Profeta não aconteciam de forma a modificar os acontecimentos, mas sim Allah preparava as coisas para que ele efetuasse. Vocês também, se trabalharem e se esforçarem em fazer bem o vosso trabalho, Allah, Louvado seja, lhes presenteará as coisas para que possam resolver vossos problemas.

Quando o Profeta entrou, todos se alegraram e proclamaram-no como honesto e ficaram de acordo que ele seria o juiz que decidiria o que eles deveriam fazer. Essa proclamação aconteceu antes de ser enviada a Mensagem Divina, o que demonstra que as pessoas lhe honravam antes mesmo da profecia. Por isso, Allah, Louvado seja, disse:

“... porém, não é a ti que desmentem; outrossim, é os versículos de Deus que os iníquos renegam” (Sura 6:33)

As pessoas, então, perguntaram ao Profeta o que deveriam fazer. O Profeta imediatamente pensou numa solução muito inteligente, característica típica dos líderes. Ele pediu-lhes que estendessem uma capa no chão. Então, pegou a pedra negra e colocou-a sobre a capa. Depois pediu que cada representante de cada  tribo pegasse uma ponta da capa, e todos eles carregaram a pedra até a Ka’aba e ele mesmo colocou a pedra no seu lugar. Isso permitiu que todos eles fizessem juntos, o que lhes fez sentir que todos haviam feito algo.

O Profeta teve misericórdia com as pessoas que não eram muçulmanas aquele dia, quando levou a pedra negra para evitar a guerra. E teve misericórdia pelos muçulmanos depois, quando durante o hajj, não tocou a pedra, somente acenou para ela, para que as pessoas não lutassem entre si para tocá-la durante o hajj. Na verdade sinto um grande amor dentro de mim, no meu coração, pelo Profeta Muhammad.

Anas Ibn Malek disse que o Profeta Muhammad entrou em Madina numa segunda-feira e tudo se iluminou com a sua presença, o qual indica que ele era agradável a todos. E morreu em Madina numa segunda-feira e tudo se escureceu. As pessoas então, lhe perguntaram o que ele mais queria, e ele respondeu: “Não quero nada deste mundo. Quero somente me encontrar com o Profeta Muhamad no Dia do Juízo e lhe dizer: ‘Sou o teu criado Onays (diminutivo carinhoso para Anas)’ e que ele me acompanhe ao Paraíso.’”

Depois de tudo que ocorreu, o Profeta Muhammad estava preparado para começar a receber a Mensagem Divina.

Estava preparado para isso em todos os aspectos e o mundo estava esperando que ele começasse a sua missão de solucionar o mundo. Isso é o que o mundo precisa agora também: pessoas que solucionem o que está indo mal.

Professor Amro khaled,

Tradução irmã Zohra!