Seguindo os passos do bem-amado

 

Episódio 3:Porventura, não te encontrou órfão e te amparou?” (Qur’an 93:6)

Os Louvores são para Allah e que a paz e as bênçãos estejam sobre Seu Mensageiro!

O episódio de hoje está dividido em: uma introdução, uma pergunta, a infância do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e o período de sua juventude até seu casamento.

Introdução:

Alguém de vocês sabe como era o Profeta? As descrições nos livros dizem que foi um homem de altura moderada, de aparência  branca-ruiva, de corpo bem proporcionado, de cabelo fundo e de barba.

três narrações que deram uma descrição minuciosa sobre o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele):

A Primeira é de Abdullah Ibn Salamah, um rabino que sabia muito sobre o último profeta anunciado. Ele decidiu dirigir-se ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) para colocá-lo a prova fazendo-lhe 10 perguntas. Em seu trajeto viu o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e sem que fizesse uma única pergunta disse finalmente: “Este é o Profeta de Allah, este rosto nunca poderá pertencer a um mentiroso!”

A segunda narração é de Jaber Ibn Abdullah. Ele caminhava por Madina olhando para a lua quando o Profeta (SAWS) apareceu na mesma direção. Pôs-se a olhar o rosto do Profeta e a contemplar a lua, e disse finalmente: “Por Allah, o rosto do Profeta é mais belo aos meus olhos do que a lua.”

A terceira é a de um homem que veio a Abdullah Ibn Rawaha, um poeta árabe, pedir  que descrevesse o Profeta. Ele disse: “Quando você vê o Profeta na distância a surgir, assemelha-se ao sol quando acaba de sair”

Pense na semelhança e imagine o sorriso e a imagem do Profeta caminhando aqui entre nós. Imagine-o lhe abraçando no Dia do Juízo, pegando em sua mão enquanto lhe diz: Você será meu vizinho em Al Jannah (Paraíso)”.

A descrição de Abdullah Ibnu Rawaha se refere à história da vida do Profeta.

Ele nasceu no dia 12 de Rabi’ al Awal ao nascer do sol. Allah, Louvado Seja,  escolheu esse momento em particular para indicar que seu nascimento traria a luz para toda a terra.

Pergunta:

No episódio anterior, mencionamos que o milagre com Abraha foi o último milagre. Se esse é o caso, então o que seria o caso dos milagres da partição da lua em duas metades e do Israa wal Mi’raj (A noite da milagrosa viagem noturna do Profeta Muhammad de Makkah a Jerusalém e sua ascensão ao sétimo céu)?

Eventualmente, os milagres apareceram durante a vida do Profeta Muhammad, mas não produziram nenhuma mudança de curso dos eventos. Ao contrário dos milagres de Moisés, das aves contra Abraha ou da arca de Noé, os milagres da vida do Profeta Muhammad somente ocorreram com a finalidade de dar evidência de sua profecia e apoiar os crentes, sem que tivesse nenhuma influência sobre os eventos. Por exemplo, a descida dos anjos na Batalha de Badr foi um milagre, porém seu papel foi de suplemento aos crentes que foram protagonistas da vitória. Se o Profeta fosse um milagroso então nunca poderíamos imitá-lo. O milagre de cada Profeta acabou com a sua morte, exceto o do nosso Profeta Muhammad. O Qur’an Sagrado foi revelado a ele para que servisse de doutrina para o ser humano. O Profeta fazia planos e trabalhava com esforço para o marco dessa doutrina e finalmente conseguiu a vitória como resultado. O ser humano deve seguir os seus passos.

A infância do Profeta Muhammad

Sua criação:

As pessoas de Quraish costumavam mandar seus bebês recém-nascidos a uma amamentadora beduína para que os criassem por dois anos na sã atmosfera do deserto, com comida campestre ao ar livre para que fossem preparados físico e intelectualmente.

Os pais costumavam a ficar com seus filhos uma vez por semana. Quraish fez um acordo com o clã de Banu Sa’d para que as mulheres do clã amamentassem e criassem os bebês recém-nascidos de Quraish em troca de pequenas somas de dinheiro e alguns presentes que recebiam dos pais dos bebês.

Essas amamentadoras buscavam os filhos dos ricos para criá-los, e como Muhammad nasceu órfão recusaram-se a levá-lo. Uma amamentadora chamada Halima não encontrou um bebê para criá-lo, assim ela teve que aceitar Muhammad como seu afilhado. Essa situação foi parecida com a história de Yussuf (José), onde Allah disse:

“Venderam-no a ínfimo preço, ao peso de poucos adarmes, sem lhe dar maior importância” (12: 20)

Pois aprendemos que Allah é o Onipotente, o Soberano. É Quem degrada ou exalta quem lhe apraz.

Halima narrou:

“Fui a Makkah com outras amamentadoras em busca de um bebê para amamentar, e como Muhammad nasceu órfão todas recusaram pegá-lo, mas eu o aceitei porque não quis voltar para casa sem um bebê. Meu marido disse que ele era um bebê sereno e abençoado. Quando peguei Muhamad em meus braços, começou a mamar, sendo que antes eu não podia (por não ter leite) e depois disso pude amamentar meu bebê da mesma forma”

“Minha tribo vivia em um deserto estéril e nosso rebanho ao terminar de pastar no deserto voltava sempre com as úberes vazias de leite. Quando Muhammad chegou, meu rebanho saiu para pastar e foi o único, dentre todos rebanhos, a voltar com as úberes cheias de leite, sendo que tanto Muhamad quanto meu filho puderam dele beber. Quando ocorreu isso, os pastores dos outros rebanhos, seguiam meu rebanho para poder se beneficiar de parte dessa benção. Muhammad nos trouxe prosperidade”.

O Profeta viveu com Halima ao longo de 2 anos, durante os quais ela notou que ele havia crescido muito rápido. Logo Muhammad voltou para sua mãe. A fidelidade era uma de suas características mais notórias.

Cinqüenta e cinco anos depois e depois da conquista de Makkah, Halima veio a parar diante do Profeta com um sorriso no seu rosto. A principio, ele não havia a reconhecido, mas quando disseram que ela havia sido a sua amamentadora, a recebeu com alegria chamando-a de “Minha mãe” e a tratou com amabilidade e humildade.

Outro sinal de sua fidelidade extrema ocorreu depois da Batalha de Hunain, quando os muçulmanos venceram o clã de Hawzan e levaram muitos espólios. Informaram ao Profeta que dentre esses espólios havia algo de propriedade de seu irmão de leite. Então ele pediu aos seus companheiros que lhe devolvessem, porém alguns de seus companheiros não estiveram de acordo. O Profeta (SAWS) deu dinheiro para pagar àqueles que não estavam de acordo os espólios que pertenciam ao seu irmão a fim de devolvê-los a ele, manifestando desse modo seu agradecimento à sua amamentadora.

A lição que extraímos daqui é o grau de fidelidade que podemos demonstrar durante a nossa vida. Os estudantes devem ser fiéis aos seus professores e temos que ser fiéis e obedientes aos nossos pais e parentes.

Sua orfandade:

Aos três anos de matrimônio com Amina Bint Wahb, Abdullah, o pai do Profeta viajou aos países de al Sham (Síria, Palestina, Líbano e Jordânia) em viagem de negócios, sem saber da gravidez da sua esposa. Em seu caminho de volta para casa, decidiu passar por Madina para visitar seus tios. Em Madina de repente ficou doente, morreu e foi enterrado lá. Assim, foi determinado que o Profeta (SAWS) tivesse raízes em Madina de onde estenderia a sua mensagem.

Mesmo que o Profeta (SAWS) tenha nascido privado da ternura de um pai, estava cheio de ternura e misericórdia. Ele costumava a dizer aos seus companheiros: Eu sou como um pai para vocês”

Outro exemplo sobre sua ternura:

Quando estava sentado um dia em sua casa vestido apenas com as suas calças, alguém bateu na porta. Quando reconheceu que se tratava de Zaid Ibn Hariza a felicidade lhe tomou conta tanto que esqueceu de vestir sua capa. Abraçou Zaid e beijou sua testa. De fato Zaid era um homem cabal que merecia esse amor.

Mas, o que fez Zaid para merecer o amor do Profeta?

Anas narrou que o Profeta viu as mulheres e as crianças dos Ansar (habitantes de Madina que ajudaram o Profeta voltando de um casamento, o Profeta parou na frente deles e disse: “Por Allah que vocês são as pessoas mais queridas para mim!”

O Profeta viveu até cumprir os seis anos com sua mãe e com uma servente que se chamava Ummu Ayman. Sua mãe decidiu levá-lo de Makkah à Madina para visitar o túmulo do seu pai. Observe a fidelidade de sua mãe com relação a seu pai! Depois de caminharem uma longa distância (500 km), finalmente chegaram ao túmulo de seu pai. Essa visita ficou gravada na memória do Profeta para sempre.

Quando o Profeta emigrou para Madina, todas as tribos quiseram lhe acolher em suas casas. Ele lhes disse para deixar a sua camela livre, e na casa diante da qual a camela se sentasse, ele ficaria.  A camela se deteve em frente a casa dos tios de seu pai. Esta é outra amostra de fidelidade. O Profeta viu a fidelidade de sua mãe com relação a seu pai, assim ele aprendeu a ser fiel a Halima. Se os pais querem ensinar seus filhos a serem obedientes e fiéis a eles, então eles mesmos devem ser fiéis aos seus pais.

No caminho de volta de Madina à Makkah, sua mãe Amina ficou doente e morreu diante de seus olhos em uma zona árida chamada “Al Abu’a” e Ummu Ayman teve que enterrá-la sozinha.

Imagine um menino de seis anos que está vendo enterrarem sua mãe querida!

O Profeta Muhammad amava muito à sua mãe. Muitos anos depois, passou pelo túmulo de sua mãe, em seu caminho à conquista de Makkah e ali ficou chorando e chorando, até que os companheiros que estavam com ele também choraram.

Ainda que neste tempo ele tivesse apenas seis anos, ele estava consciente de tudo que estava ocorrendo.

Na sua opinião, porque ocorreu isso tudo a Muhammad?

Allah, Louvado seja, estava preparando-o, fazendo-o conhecer a realidade da morte e da vida. Allah não queria que a vida tão breve deste planeta o enganasse fazendo-o se afastar do trabalho que o esperava para sua missão.

Allah não foi severo com ele quando levou seus pais e o afastou deles. Certamente Allah amava muito o Profeta Muhammad e quis prepará-lo de maneira que ele fosse capaz de dirigir toda a humanidade.

Alguns não compreendem o valor da vida nem da morte antes de cumprir 30 anos ou somente quando perdem alguém próximo. Existem jovens de 20 ou 25 anos que não são conscientes da morte, mas assim é como Allah preparou Seu Profeta (SAWS) de maneira que o mundo não lhe enganasse mais tarde.

Lembre-se que depois de todos esses eventos, um dia ele chegaria a ser muito famoso. Allah, Louvado seja, diz no Qur’an:

“E enaltecemos a tua reputação” (94: 4)

Quando lhe foi revelado esse versículo, disse: “O que posso desejar dessa vida, se não estou nela senão como um viajante que buscou refúgio na sombra de uma árvore e logo a deixou e seguiu o seu caminho. Narrado por Abdullah Ibn Mas’ud – coleção de Albani de hadith autêntico.

Nunca se deixe levar pela fama e nem pelo dinheiro!

Alguns anos depois, consideraram o Profeta um dos mais ricos. Uma vez um homem pediu ao Profeta que lhe concedesse gado que cobrisse o espaço entre duas montanhas, e o Profeta lhe concedeu o seu pedido. O homem voltou à sua gente e disse: “Oh convertidos ao Islam! Juro por Allah que Muhamad outorga presentes tais que uma pessoa nunca haverá de temer a pobreza.”

Assim , Anas disse: “Quando um homem se convertia ao Islam desejando nada mais do que há nesta vida, enquanto entrava no islam, chegava ao ponto que o Islam se tornava para ele mais querido do que a vida e todos seus prazeres.” Narrado por Anas Ibn Malik, hadith autêntico, Sahih Muslim, al masnad as-Sahih.

Deste modo, o Profeta aprendeu que a vida é curta e que a morte é iminente. Seus pais morreram longe de seu lar, e isso proporcionou a força e lhe fez capaz de dirigir os árabes.

É possível que em nossos tempos as pessoas do poder experimentem essa realidade?

Imagine um famoso mentor religioso, um político ou um homem de negócios trabalhando com o propósito de realizar o bem para toda a humanidade!

Conheço uma mulher que perdeu seu filho jovem, quando lhe perguntei o que ela havia aprendido dessa situação, ela respondeu: “Vivo para fazer atos do bem nesta vida curta”.

Outro ponto a considerar é que as vezes Allah faz coisas que parecem ser ruins e dolorosas para nós, mas em sua essência pode existir um benefício enorme e vice-versa. Allah, Louvado seja, diz: “É possível que repudieis algo que seja um bem para vós e, quiçá, gosteis de algo que vos seja prejudicial” (2:216)

Quando chegaram em Makkah, Ummu Ayman levou Muhammad a seu avô Abdul Muttalib, que tinha aproximadamente 90 anos. O Profeta não achou que sua estada com seu avô fosse incômoda, uma vez que sua mãe por fidelidade a seu pai fez com que ele amasse a família de seu pai. Em contraste muitos pais hoje mantêm seus filhos longe de seus parentes, sendo que poderão precisar deles no futuro.

Se você ama seus filhos, fortaleça seus vínculos com seus parentes, porque ninguém sabe o que vos espera no futuro.

Abdul Muttalib não era um homem simples, porque era um dos lideres de Quraish. Costumava celebrar um encontro diário na área da Ka’aba, onde costumava a estender sua capa sobre a terra e sentar sobre ela, nunca permitiu que ninguém a compartilhasse com ele, sendo que ele era um líder entre sua gente. Os lideres de Quraish costumavam fazer esses encontros para discutir os assuntos da política, da atualidade e da economia de Makkah com seu chefe. Abdul Muttalib sempre levava com ele o Profeta para esses encontros, e ele era o único quem Abdul Muttalib havia permitido sentar sobre sua capa.  Ele pensou que o Profeta, como as outras crianças de sua idade, iria brincar, mas ele preferiu assistir aos encontros e escutar suas discussões. Quando seu avô percebeu isso, disse à congregação: Este meu filho será um grande homem.”

Jovens! Sentem com os adultos e escutem suas discussões. Suas palavras os reportarão a uma experiência adquirida que no futuro lhes servirão, como ocorreu no caso do Profeta. Naquela época o Profeta Muhammad ia adquirindo experiência e conhecimento. Espero que os jovens de hoje façam o mesmo! Espero que sejam capazes de se comunicarem com os outros, aprenderem e compreenderem o mundo em que vivem.

O Profeta ficou com seu avô até cumprir os 8 anos, que foi quando ele foi testemunha da morte repentina de Abdul Muttalib e voltou a ser órfão pela terceira vez.

Imagine alguém passando por tudo isso! Como estaria? Poderia se converter em uma pessoa áspera ou psicologicamente complicada. Surpreendentemente não lhe aconteceu nada disso.

Na verdade era muito carinhoso, qualidade que ficou demonstrada ao longo de toda sua vida. Quando, por exemplo, seu rosto foi gravemente ferido na Batalha de Uhud, se negou a suplicar a Allah que castigasse seus inimigos, como era o desejo de seus companheiros bravos, respondendo que havia sido enviado como Misericórdia para a humanidade, logo elevou suas mãos para suplicar a Allah que perdoasse (seus detratores) porque não eram conscientes da verdade!

Em Madina, havia um companheiro muito feio que se chamava Zaher. Os companheiros não gostavam de tratar muito com ele. Um dia, o Profeta entrou no mercado e viu que os companheiros estavam sentados conversando juntos enquanto Zaher estava sozinho e separado deles. Então o Profeta (SAWS) veio por trás de Zaher e lhe abraçou. Zaher imaginando que queriam debochar dele, disse aborrecido: “Quem é? Deixe-me”, logo Zaher virou-se e viu que era o Profeta que lhe pegou pela mão e se dirigiu a seus companheiros dizendo: “Quem compra esse servo?” Zaher disse: “Temo que ninguém queira me comprar” O Profeta disse: “Mas você é muito valioso para Allah!”.

Em outra situação Umair, irmão de seu servente (Anas Ibn Malik), tinha um pássaro que havia morrido. Então o Profeta (SAWS) foi até a sua casa para dar suas condolências por causa do pássaro e decidiu brincar com o menino na rua para consolá-lo pela perda de seu pássaro. Ele (SAWS) costumava sempre consolar as pessoas que lhe rodeavam, pela falta de afeto que teve em sua infância, sendo amável e carinhoso no seu trato com eles.

Antes de seu avô morrer, ele havia pedido ao seu filho Abu Taleb cuidar de Muhammad depois de sua morte. Por que Abu Taleb? Porque era o irmão de Abdullah, o pai do Profeta Muhammad. Abdul Muttalib considerava Muhammad como seu filho, pois disse a Abu Taleb: Deixo-te responsável pelo meu filho”.

Observe que a vida de Muhammad transcorreu em cinco lares. O primeiro lar em que ele viveu foi na casa de sua mãe, logo depois na casa de Halima na qual viveu 2 anos e depois regressou à casa de sua mãe e lá viveu até os 6 anos. A quarta casa foi a de seu avô até completar os 8 anos, e finalmente passou a morar na casa de seu tio Abu Taleb. Cinco lares no transcurso de 8 anos somente! Todos os lares que o Profeta (SAWS) morou eram diferentes um do outro, mas ele conseguiu força em todos eles.

Seu tio tinha 10 filhos, então ninguém teria muito tempo para se dedicar a Muhammad. Por esse motivo, foi criado iletrado. Então quem lhe educou com a moralidade e ética? Allah! Por que foi transportado de uma casa para outra?  Para adquirir auto independência, para ser responsável, sério, forte e ter uma forte vontade. Tais situações lhe deram  as experiências que logo lhe serviram em sua missão na vida. Assim foi como Allah lhe preparou! As vezes Allah guarda algo bom para lhe ser outorgado mais tarde, e aquilo que o Profeta Muhammad não teve no inicio obteve mais tarde.

O surpreendente é que dentro destas situações duras sempre havia uma pessoa que lhe proporcionava afeto e carinho. Allah o privou de um recurso de afeto e carinho para educá-lo, mas lhe proporcionou outro. Privou-o de sua mãe mas lhe deu seu avô e a esposa deste, Hala, que era prima de Amina, a mãe do Profeta (SAWS). Logo lhe privou de seu avô e lhe deu seu tio, Abu Taleb que lhe cuidou bem. Mesmo que Abu Taleb não tenha abraçado o Islam, sempre apoiou o Profeta (SAWS). Além disso, Fátima Bint Asad , esposa de Abu Talib, foi muito carinhosa com ele e cuidou muito bem do nosso amado Profeta (SAWS). Allah diz:

Porventura, não te encontrou órfão e te amparou?” (Qur’an 93:6)

Quando você sofre penúrias, é possível que Allah esteja lhe preparando para algo maior, especialmente se você é jovem. Allah, Louvado Seja, ama todos Seus Profetas, mas tem que prepará-los.

Por exemplo, o Profeta Noé sofria de um forte sarcasmo por parte de seu povo. O Profeta Abrão foi lançado no fogo. O Profeta Ya’cub (Jacob) perdeu a visão de tristeza devido à perda de seu filho Yussuf (José) que se criou longe de seus pais e a quem seus irmãos jogaram em um poço. Mussa (Moisés-AS) teve que abandonar seu país. ‘Isa (Jesus) a quem seu povo fez dano, e finalmente Muhammad. Cada um deles enfrentou penúrias que foram aliviadas mais tarde.

O Profeta Muhammad permaneceu com seu tio Abu Taleb 25 anos. Foi educado com outros 10 meninos, entre eles Aaquil que se converteu em um de seus mais ferozes inimigos e Já’afar Ibn Abu Taleb que chegou a ser um de seus mais próximos companheiros.

Abu Taleb era pobre e não tinha muito para comer ou gastar. Mais tarde, quando Ali filho de Abu Taleb completou 8 anos, o Profeta (SAWS) encarregou-se de educá-lo como gratidão aos esforços de seu tio.

Depois de 30-50 anos, Fátima Bint Asad, foi enterrada em Al Biq’a (Ela era a mãe de Ali e mais tarde a sogra de Fátima al Zahraa). O Profeta tirou seu abrigo, que era o único que tinha para o inverno, e a envolveu com ele, e antes de colocá-la no túmulo, ele desceu até o fundo e se reclinou ali e depois a colocou no sepulcro. Porque?  Porque quis abençoar seu sepulcro com a Misericórdia de Allah.

É uma história cheia de fidelidade e lealdade, que começou com Amina Bint Wahb que foi leal ao seu esposo, depois com Abu Taleb que foi leal ao seu pai e logo o Profeta que foi leal com a mulher que lhe havia cuidado.

Cada um deve ser leal com as pessoas que lhe ajudaram.

Ao ver que Abu Taleb era pobre, o Profeta decidiu trabalhar para ajudar seu tio e não lhe sobrecarregar. Por isso o Profeta trabalhou como pastor por uma pequena quantidade de dinheiro. Por que escolheu esse tipo de trabalho? Por que o gado e as cabras lhe ensinarão o sossego, a paciência e a habilidade para unir as pessoas. O gado e as cabras sempre tentam afastarem-se uma das outras, enquanto que as vacas e os camelos preferem ficar junto. Assim teve que aprender como mantê-las sempre juntas. Trabalhou como pastor dos 8 anos aos 15. Logo quis mudar de seu campo de trabalho para outro melhor. Queria ser comerciante. Por isso pediu a seu tio para participar com ele de suas viagens comerciais à Síria.

Jovens desempregados! Vocês percebem como o Profeta procurou trabalho, aqui e lá, para trabalhar e ter êxito?

Trabalhou como comerciante dos 15 aos 35 anos. No comércio aprendeu a arte da comunicação e compreendeu melhor sobre os diferentes tipos de personalidade. Os comerciantes são as melhores pessoas para julgar os outros com uma mera olhada em seus olhos.

Nossos jovens têm a capacidade de seguir a escola do Profeta? Lembra da história de Yussuf (José), que a paz esteja com ele, quando aprendeu a sabedoria do rei do Egito e aprendeu outras habilidades que lhe serviram mais tarde?

Essa é a lição mais importante de hoje ! A experiência do Profeta Muhammad foi adquirida através de um trabalho duro!

O Profeta Muhammad aprendeu muitas habilidades de seus trabalhos, mas lhe faltava uma coisa para aprender: As habilidades para o combate! Bom, Allah, Louvado seja,  também havia previsto como planejar esse assunto. Quando ele tinha 15 anos, ocorreu uma guerra entre Quraish e outra tribo durante os meses proibidos (Meses nos quais eram proibidas as guerras) que se chamou a Batalha de Al Fujjar (a batalha dos que imprecam). Ele combateu nessa guerra e aprendeu a habilidade da batalha. Pouco depois dessa batalha houve um pacto de paz chamado Hilf al Fodool, onde ele aprendeu a negociar a paz.

Uma geração forte não pode ser educada somente para ser religiosa ou para que permaneça sempre na mesquita tendo em consideração somente o lado bom da vida. O Profeta estava perfeitamente preparado. Ele que governaria e guiaria a humanidade foi comerciante e pôde compreender bem a vida. Também compreendeu os assuntos de guerra e paz.

Ânimo a todo jovem que queira oferecer uma solução a seu país, que se prepare desde hoje, aprenda, trabalhe duramente, leia, reúna-se com as pessoas e esteja atento sobre os assuntos da atualidade.

Professor Amro Khaled,

Tradução irmã Zohra!