A União

*Obedeçam a Allah e ao Seu mensageiro e não discordem entre si, pois assim fracassarão e perderão vosso valor. E tenham paciência, porque Allah está com os pacientes *(8:46)

*E apegai-vos, todos, à corrente de Allah e não vos dividais, recordai-vos das mercês de Allah para convosco, porquanto éreis adversários entre si e Ele conciliou os vossos corações...* (3:103)

  Quem refletir sobre a religião que Deus estabeleceu como doutrina para nós perceberá que a união, a unificação e o conjunto estão presentes em todas as suas leis, seja na crença, ns adoração, na conduta ou nas relações em geral. E a partir do momento em que a nação esqueceu este princípio, tornou-se fraca e perdeu seus valores. Mas, o que vemos na atualidade entre os muçulmanos não é exatamente o que prega o Islam...

A lei islâmica considera o indivíduo uma parte inseparável da nação, um órgão de um corpo que não pode dele se separar. Assim foram revelados os versículos do Alcorão, assim veio a palavra de Deus à sociedade, retificando que você faz parte de uma nação, de um corpo, por isso, não direcionou sua palavra para o indivíduo, na primeira pessoa do singular, quando quis ordenar ou proibir algo, porém, se direcionou a nação como um todo, educando-a e orientando-a e, depois, o indivíduo escuta a lição e o conselho que é direcionado a todos e se orienta. Assim lemos os trechos do Alcorão e da Sunnah...

*Ó crentes, inclinai-vos, prostrai-vos, adorai vosso Senhor e praticai o bem, para que prospereis.* (22:77)... Assim Deus fala àqueles que nele creram e aceitaram sua religião como lei, fala a eles como uma só nação e não a um indivíduo isolado. E quando o muçulmano para diante de Deus em sua reza, o adora dizendo: * Só a ti adoramos e só a ti imploramos ajuda* (1:5) na terceira pessoa do plural, e depois da mesma forma pede para si e para os seus irmãos a orientação de Deus e diz: * Guia-nos à senda reta...* (1: 6) e não diz guia-me à senda reta.

 Desta maneira, o Islam convocou todos os seres a estarem unidos, mas não em qualquer união e reunião, porém na união pelo bem e pela causa justa de Deus...*Prescreveu-vos a mesma religião que havia instituído para Noé, a qual te revelamos, a qual havíamos recomendado a Abraão, a Moisés e a Jesus (dizendo-lhes): Observai a religião e não discordem acerca disso...* (42: 13)

O Islam veio para reunir a humanidade após ela ter discordado entre si após a ida de Jesus, uniu os povos numa causa ligada ao Criador desta vida, uniu entre o nômade árabe, o romano (hoje: europeu), o persa, o africano (na época: abissínio) e todas as raças e eliminou as diferenças que os dividiam e lhes disse: * Ó humanos, em verdade, Nós vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em povos e tribos, para reconhecerdes uns aos outros. Sabei que o mais honrado dentre vós, ante Allah, é o mais temente...* (49:13). Honrou o homem e lhe deu sua identidade de ser humano.

Ouvimos o profeta da misericórdia, Muhammad ordenando a união e dizendo-nos: "O exemplo dos crentes no amor, misericórdia e compaixão entre eles é o exemplo de um só corpo, quando um órgão sente dor, todo o corpo sofre com insônia e febre". Quando não sentimos mais as dores dos nossos irmãos pelo mundo islâmico e não islâmico, provamos não estar unidos e não sermos uma só nação. Quem sabe ou procura saber o que sofrem os muçulmanos no Líbano, Palestina, Chechênia, Bósnia, Indonésia, Paquistão. Sabemos que o mundo atual é estreito e pequeno, as informações são rápidas, porém, quem procura dentre nós as informações dos seus irmãos, quem acessa os sites islâmicos e participa com eles nas suas dores formando um só corpo.

            E até mesmo antes de participar com a nação islâmica no mundo, quem participou com esta nação no lugar onde vive? Antes de olhar ao redor do mundo, que olhemos a nossa desunião e individualidade. Por que não participamos? Temos que procurar o porque, quais são os obstáculos e as dificuldades...vergonha, preguiça, falta de costume, não importância ou valorização da religião que temos, desconfiança, egoísmo, (ache uma resposta e vamos ultrapassar estes obstáculos).

            Em outro hadiss o profeta prega a união através da boa conduta e diz: "Não se invejem entre si, não enganem no preços da mercadoria, não se odeiem, não dêm as costas, não vendam após o fechamento da venda do outro, e sejam, servos de Deus, irmãos. O muçulmano é irmão do muçulmano, não o injustiça, não o humilha (o decepciona), näo mente para ele nem o menospreza. A piedade mora aqui –e assinalou para o seu coração três vezes-, suficiente maldade teria uma pessoa ao menosprezar seu irmão muçulmano. Todo o muçulmano é sagrado para o outro muçulmano: seu sangue, seus bens e sua honra".

Agora vamos viajar para a atualidade, onde estão estes princípios de união? Onde está a conduta muçulmana? Podemos até ver alguns povos não muçulmanos com estes princípios, nós lhes demos estas lições há séculos atrás na Espanha muçulmana e depois as esquecemos, e assim, Deus nos esqueceu. Uma história da época da profecia mostra a lição de Deus no Alcorão àqueles que menosprezam as pessoas...

É relatado que o profeta dividia seus companheiros em grupos de três quando viajava, dois ricos e um pobre, para que este os servisse e, ao mesmo tempo, compartilhasse o conforto ou coisas que possuíam. E em certa ocasião uniu entre dois homens mais favorecidos e entre Salman al Farissí, que ao entrar nas acomodações destes dois homens adormeceu e não preparou algum alimento para eles. Quando chegaram pediram para que fosse até o profeta para trazer alguma refeição. Este foi e o profeta o enviou até Ussamah, que disse não ter nada também. Ao voltar e informar-lhes da ausência de alimento, disseram entre si: "Ussamah possuía, porém foi mesquinho". Então, enviaram Salman até outros companheiros e nada encontrou, então comentaram: "Se enviássemos Salman até o poço de Sumaihah (1), a água deste secaria". Logo depois, os dois foram espionar para descobrirem se há algo na casa de Ussama, e foram avistados pelo profeta Muhammad        (        ), que lhes disse: "O que passa? Vejo marca de  carne em vossas bocas". "Ó profeta de Deus, juramos que não comemos nem carne nem outra coisa hoje", responderam. Então o profeta lhes disse: "Porém, ficaram a comer a carne de Salman e Ussamah". Neste momento foi revelado o versículo do Alcorão: * Ó crentes, evitai grande parte das suspeitas, porque algumas suspeitas implicam em pecado. Não vos espioneis, nem vos calunieis mutuamente. Quem de vós seria capaz de comer a carne do seu irmão morto? Tal atitude vos causa repulsa! Portanto, temei a Allah, pois Allah é Perdoador, Misericordioso* (49:12)

            Assim, Deus nos ordena união com respeito mútuo e respeito às Suas ordens, os três juntos e inseparáveis, pois união sem respeito não traz benefícios reais, e união no pecado e no contrariar as ordens de Deus trarão malefícios a curto e longo prazo...

Em outro relato, vemos o profeta alertando-nos sobre a discórdia e união e que devemos estar unidos na opinião de Deus e seu profeta e se ocorrer discórdia devemos recorrer à lei de Deus (4:59). Írbadh ibn Sáriah relata: "O mensageiro de Deus nos deu uma exortação com a qual estremeceram nossos corações e lacrimejaram nossos olhos. Então dissemos:"Ó mensageiro de Allah, parece ser uma exortação de despedida, então, por favor, nos aconselhe". Aí o profeta disse: "Os aconselho a temerem a Deus, a escutarem e obedecerem  mesmo que um escravo os governe, pois quem viver entre vós verá muita discórdia. Devem seguir minha sunnah (2) e a sunnah dos khalifas retos e guiados, agarrem-se a elas com os dentes, e cuidado com as questões inventadas (que não tem origem na religião), pois toda invenção (na religião) é uma inovação e toda inovação é um desvio e todo desvio levará ao fogo (do inferno)". Este foi um dos últimos conselhos do profeta Muhammad antes de deixar esta vida.

E mais ainda, nos mostrou que todos somos um, e todos sofreremos pelo erro de um e todos ganharemos pelo acerto de um. Para que ninguém diga: Me isolo e não importa o que faço ou o que fazem os outros, ensinou-nos que estamos todos no mesmo barco dizendo: "O exemplo daquele que respeita os limites de Deus e daquele que os ultrapassa é o exemplo de um grupo que está num navio, alguns no sótão, outros na parte superior, e sempre que os que estão na parte inferior querem pegar água do mar precisam ir para a parte superior. Então alguns dizem: "Para não incomodar quem está lá em cima por que não fazemos um furo no casco do navio, na nossa parte, e colhemos da água da nossa parte". Se aqueles que estão na parte superior permitem, todos se afogarão, e se os aconselham e os proíbem todos se salvarão".

(1) antigo poço situado em Madina, rico em água.

(2) a tradição do profeta Muhammad, representada pelos seus ditos e ações. E assim também a tradição dos seus sucessores, (Abu Bakr, Omar, Osman, Ali) que já foram confirmados como retos e guiados, sendo suas ações um exemplo para a nação.