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A Recomendação
do Bem e a Proibição
do Mal
A Difusão e Aconselhamento do Bem que Carrega
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Com a obediência que caracteriza a fidelidade do muçulmano e com a firmeza que caracteriza sua perseverança no caminho da verdade até o fim de sua vida o muçulmano sábio e sincero, obediente e firme trabalha para difundir o bem e a verdade no ambiente onde vive, assim como está preparado
para
receber e aceitar o bem e a verdade de onde quer que venha.
O
aconselhamento com a verdade e a recomendação do bem é uma obrigação da nação
muçulmana em geral e, caso seja negligenciada esta obrigação, todo indivíduo
muçulmano tomará parte da culpa. Vemos claramente a declaração da importância
da recomendação do bem no Alcorão Sagrado, pois quando ausente no seio da
sociedade esta benfeitoria, prevalece o erro, a transgressão, o pecado, a
desordem, a injustiça..., e são apagados os traços da benfeitoria e
desapercebidos o progresso e a retidão do benfeitor. Os limites estabelecidos
por Deus são ultrapassados e os direitos e deveres esquecidos.
Vemos
o homem perdido, pois não consegue achar respostas para os seus
questionamentos, que são vários: Quem sou? De onde vim? Para onde vou? Por que
estou aqui? E depara-se diante da lei que rege a vida quer consiste em nascer,
crescer e morrer. Não sabendo o que o espera após a morte, se é que algo o
espera, apega-se a essa vida com unhas e dentes, tendo como sua principal meta a
satisfação de todos os seus desejos e caprichos, passando, assim, por cima de
todos os que cruzam o seu caminho. Como conseqüência, no plano individual,
vemos as pessoas ansiosas, inseguras e angustiadas, buscando nas drogas, no álcool
e até mesmo no suicídio formas de fuga, vivendo com medo da morte, buscando
sempre uma forma de alcançar a eternidade. Já no plano social, vemos a miséria
se espalhar, a violência crescer, a injustiça prevalecer, os preconceitos se
espalharem e a decadência moral reger a sociedade. Em busca de respostas que
justifiquem a sua existência, criem uma identidade e possam dar um rumo à sua
vida, diminuindo, assim, as angústias, criam-se mitos e superstições que
acabam por aumentar a perdição na qual o homem se encontra. (sob as luzes do
Alcorão 63-64)
Em
parte, um dos grandes motivos desta decadência, é o abandono da recomendação
do bem e da recomendação e orientação ao bem e da proibição e alerta sobre
o mal. É a ausência da observação
dos conselhos dos mensageiros de Deus, os primeiros orientadores e
recomendadores, é a ausência do professor, do educador, do amigo, do pai, da mãe,
do irmão, é a ausência da pessoa que seria a razão da guia de uma pessoa
caso estes tivessem o orientado. Porém, quando este ensino e orientação se
ausentaram, prevaleceu a perdição que levou o homem à situação deplorável
que vemos.
O
Alcorão Sagrado lembra várias nações cujos desejos prevaleceram sobre suas
mentes fazendo prevalecer o pecado na sociedade até não terem mais condições
de livrar-se dos erros cometidos, tornando-se piores que animais selvagens, não
conhecendo limites nem princípios transformando a vida e a sociedade em
selvageria. Nesta situação Deus decretou a destruição e a inexistência
destes malfeitores, e preservou a minoria crente para começar uma nova vida
cheia de fé em Deus e com a pureza, honra e princípios elevados...
Porém,
castigamos cada um, por seus pecados; sobre alguns deles desencadeamos um furacão;
a outros, fulminou-os o estrondo; a outros, fizemo-los serem tragados pela
terra, a outros, afogamo-los.
É
inconcebível
que Allah os houvesse condenado; outrossim, condenaram a si mesmos
(29:40)
Ensinar
o bem é um ato de sabedoria de alguém que quer mudar uma situação precária
em qualquer sentido e em qualquer aspecto. E contentar-se com a situação, seja
ela qual for, é ser cúmplice do erro e da transgressão.
Trazendo
este assunto à realidade de nosso dia a dia, os pensadores muçulmanos dizem
que a nação islâmica atual acabou por abandonar a obrigação de orientar
para o bem, por isso acabou por ser humilhada nas últimas décadas por não ter
cumprido com a obrigação de ensinar aos seus semelhantes, sejam muçulmanos ou
não muçulmanos, a orientação de Deus, a qual faz reinar a felicidade na
sociedade e leva ao caminho da salvação.
E
ainda dizem: A nação muçulmana foi deteriorada em razão dos erros que
cometeu, porém não foi totalmente destruída, porém poderá ser caso não
volte a ensinar e orientar a humanidade como fazia antigamente. Chegam a esta
conclusão através da regra da semelhança e igualdade!!
Mas
que regra é essa? Semelhança e igualdade?
A
regra da semelhança é da natureza da criação de Deus. O Alcorão nos lembra
como Deus destruiu vários povos da antiguidade e os castigou devido à
desobediência, e assim, a regra natural da semelhança e igualdade rege
a vida: Quem cometer o erro que causou a destruição e castigo de tais povos
terá o mesmo fim e resultado: a destruição e castigo. Isto porque o
semelhante tem a qualidade de seu semelhante e, conseqüentemente, arca com
resultados também semelhantes. E o que ocorre com algo ocorre com seu
semelhante, sendo impossível diferenciá-los numa regra, assim como é impossível
assemelhar dois opostos.
Esta
lei acompanha os indivíduos e nações nesta vida terrena e na vida eterna após
a morte. Se fizerdes o bem e recomendá-lo terão o bem, caso contrário, se
fizerdes o mal e recomendá-lo o encontrarão. Esta é uma regra e tem as suas
exceções enquadradas na misericórdia de Deus, porém a regra é que deve ser
levada em consideração e nela nos baseamos para medir nossos erros e acertos,
pois ninguém, em qualquer assunto, baseia-se em exceções.
O
Alcorão Sagrado nos dá a lição da "regra da semelhança" em várias
passagens para que não cometamos os mesmos erros cometidos por quem nos
antecedeu ou é nosso contemporâneo e recomendamos a verdade...
1.
Deus esclarece-nos o que ocorreu com os judeus da tribo de "bani
nazhir"devido à vossa incredulidade e descumprimento do tratado feito com
o profeta Muhammad
Deus
sela o versículo dizendo "aprendei a lição, ó sensatos", chamando
a atenção para a "regra da semelhança e igualdade", ou seja:
pensem, reflitam já que têm mente sã, pensem sobre o que ocorreu com eles, e
estejam atentos para que não ocorra convosco o que ocorreu com eles se
cometerdes o que cometeram, pois a regra de Deus é uma para todos e abrange a
todos. Portanto, não assemelhem-se a eles na transgressão para que não sejais
atingidos por castigo também semelhante.
2.
Disse Deus, o Altíssimo:
Por
causa do perigo de ser açoitado pelo castigo que alcançou os antepassados, e
para não assemelhar-se a eles no trágico desfecho de suas vidas e no tormento
eterno após a vida, o Alcorão Sagrado mostra a importância da recomendação
do bem e proibição do mal.
Os
sábios muçulmanos extraíram do livro de Deus e da biografia de Seu mensageiro
E
que tenha entre vós
um grupo que recomende o bem, dite a retidão
e proíba
o ilícito.
Estes serão
os bem-aventurados
(3:104)
Neste
versículo, entendemos que esta recomendação é uma obrigação, pois Deus
estabeleceu que exista, tenha, surja no meio da sociedade quem a oriente e
aconselhe.
Também
é citado que o sucesso e o bem aventurar do homem está neste caminho, pois
citou que "estes" serão os bem aventurados, ou seja, definiu e
resumiu o sucesso entre os que carregam a qualidade de recomendar o bem, ditar a
retidão e proibir o ilícito.
Os
sábios também explicam ser esta uma obrigação "kifaiah"...
Dentre
as qualidades dos crentes, Deus conta esta recomendação...Os
crentes e as crentes são
protetores uns dos outros; recomendam o bem, proíbem
o ilícito,
praticam a oração,
pagam o zakat, e obedecem a Allah e ao Seu mensageiro...
(9:71)
Os israelitas mereceram a maldição e o castigo pela rebeldia, profanação e por não reprovar o ilícito, deixando-o prevalecer entre eles... *Os incrédulos, dentre os israelitas, foram amaldiçoados pela boca de Davi e por Jesus, filho de Maria, por causa de sua rebeldia e profanação. Não se reprovavam mutuamente pelo ilícito que cometiam. E que detestável é o que cometiam!
Sheikh Ahmad Mazlum, Imam e Khatib da Mesquita de Mogi das Cruzes! |