A Oração Durante a Viagem


“Deus vos deseja a comodidade e não a dificuldade”. (2ª Surata, versículo 185)

Deus não sobrecarrega ninguém, além de sua capacidade, nem lhe ordena mais do que é capaz de fazer. Assim é o Islam, desde sempre e eternamente.

Como viagem implica cansaço, Deus permitiu que se reduzisse, durante ela, para duas a genuflexão das orações quaternária. Entre o que transmitido como Tradição autêntica, a oração foi prescrita, em sua origem, à base de duas genuflexões. Esta regra vem sendo mantida para as viagens, e dobradas para a vida sedentária.

Assim sendo, se você está viajando, abrevie a oração e faca somente duas genuflexões, em lugar de quatro, nas orações de Zuhr, Asr, e Ichá. Quando às de Maghrib e Sobh, devem continuar como são, sem que se diminua nada delas. No caso das orações voluntárias, faça somente as de Fajr e Witr.

Esta redução da oração é uma concessão e um presente de Deus aos Seus servos devotos, que devem aceitá-lo de bom grado. Certa tradição diz como efeito:
“Deus Exaltado seja, ama que se observem as Suas concessões, tanto quanto ama que se respeitem as Suas determinações”.

Assim sendo, durante a viagem deve-se reduzir a oração, porque fazê-lo é uma regra prescrita. Não se distingue entre uma viagem de avião, automóvel, trem, navio, no lombo de um camelo ou a pé. Todas recebem o nome de viagem e se lhes aplica, igualmente, a regra da redução da oração.

Esta redução dura enquanto se estiver em viagem. Depois de se estar instalado e assentado em algum lugar, volta-se à oração normal. Nem todos estão de acordo sobre a duração do período de residência, a partir do qual se devem fazer as orações completas.

O Imam Chafi’i disse:
“Se o viajante planejou residir quatro dias em tal lugar, torna-se residente, desde que aí chegue”. O mais aceite é que não se conte o dia da chegada nem da partida.

Abu Hanifa disse:
“Não se deixa de ser viajante, até que se tenha decidido estabelecer-se em uma cidade ou em um povoado, por um minuto de quinze dias”.

Para os demais imames a viagem não termina, até que a pessoa se tenha estabelecido definitivamente.

No ano do Fath (conquista de Makka), o Mensageiro de Deus reduziu a oração durante a campanha de Hawazan, por dezoito ou dezenove dias seguidos. Quando alguém chega a um país sem planos de se estabelecer ali, sem haver preestabelecido um prazo, dizendo simplesmente: “Vou me embora amanhã ou depois”, mas se atrasa por algum impedimento, ficando nesse lugar, continua reduzindo a sua oração, mesmo que esta situação dure anos. Porem, se passa em sua cidade, durante a viajem de retorno, tem que realizar, ali, a oração completa, mesmo que não tenha decidido ficar.

Aquele que saltou alguma oração, durante a viagem, deverá recuperá-la com duas genuflexões quando se tornar residente (mesmo que ela fosse de quatro genuflexões). Este é o caso, por exemplo, de um cidadão de São Paulo que, estando em Manaus, vê aproximar-se à hora da oração de Zuhr, sem poder fazê-la, por causa das ocupações da viagem, e toma um avião para São Paulo. Assim, chegará depois da hora de fazer a oração de ´Asr. Então, recuperará a de Zuhr, fazendo-a com duas genuflexões, e a de ´Asr, com quatro.

Ao contrario, se tiver de recuperar alguma oração quaternária a que tenha faltado durante um período sedentário, mesmo estando em viagem, deverá fazê-la com quatro genuflexões. Há algumas divergências no tocante à duração da viagem, com o que as regras mudam. Tem-se dito que se contam três dias e três noites, para as viagens em lombo de camelo ou a pé. Também se têm dito outras coisas. Todavia, a escola sunnita julga que não há nenhum texto seguro, referente à duração da viagem, que permita reduzir a oração. Certo versículo diz:

“Quando estiverdes viajando, não sereis recriminados por abreviardes as orações”.
(4ª Surata, vers. 101).

A palavra viagem é aplicável em todos os casos, salvo naqueles que se limitam a uma caminhada ou a um passeio. Nestes casos, não se reduz a oração. Citamos, a seguir, a Tradição, relatada por Chuba Ibn Yahia Ibn Hinai, que diz:
 “Indaguei Anas a propósito d redução da oração. Ele disse: O Mensageiro de Deus, quando se afastava a uma distancia superior a três milhas ou três léguas, reduzia a oração para duas genuflexões”. (Transmitida por Muslim).

O viajante não começa reduzir a oração senão depois de ter abandonado completamente a sua cidade e ultrapassado as suas cercanias e plantações.

“O mínimo de distancia da sua moradia é de 83 km, mas se a viagem é de uma distancia a mais de 83 km, pode fazer a oração dentro do ônibus, mesmo sem alcançar os 83 km, o que vale é que a viagem é longa”.

O viajante pode dirigir, como Imam, a oração das pessoas residentes. Contudo, ele só az duas genuflexões e, em seguida, pronuncia o taslim final, enquanto os demais continuam, à parte, a sua oração.

É bom que o Imam - viajante diga aos residentes, depois de haver pronunciado as saudações da oração:

 “Terminai a vossa oração, pois estou de viagem”.
Do mesmo modo, é permitido ao viajante rezar atrás do Imam residente. Ele pode rezar sozinho, reduzindo a oração, ou rezar atrás do Imam e acompanha-lo até o final. Inclusive é preferível, para ele rezar em congregação e fazer a oração completa. O Imam Ahmad, com efeito, transmitiu estas palavras de Ibn Abbás:

“Foi-me perguntando por que o viajante fazia suas orações com duas genuflexões quando rezava sozinho e com quatro unidades, quando o fazia atrás de um Imam. Eu respondi: é como fazia o Profeta”.

Muslim transmitiu também estas palavras, de Ibn Omar:
“Quando rezo atrás de Imam, faço quatro genuflexões e quando rezo (durante uma viagem), não faço mais do que duas”.


O Agrupamento de Duas Orações Sucessivas


O viajante pode juntar duas orações sucessivas ao mesmo tempo. Agrupa, por exemplo, as de Zuhr até à hora da ´Asr, e as faz em conjunto, no horário desta segunda, independentemente, uma por uma. Faz primeiro a oração de Zuhr e em seguida a de Asr. Ele faz, para as duas, uma primeira e única chamada (iqáma). Isto é o que se chama de “agrupamento retardado”. Existe, também, o “agrupamento antecipado”, no qual se faz a oração de ´Asr na hora da de Zohr ou a de Ichá na hora da de Maghrib.

Há algumas divergências sobre se este agrupamento está bem fundamentado, mas o mais seguro é que ‘permitido.
Podem, portanto, as orações, ser agrupadas, atrasadas ou antecipadas, se nos vimos obrigados a isso por alguma razão.
O Imam Ahmad e outros com ele transmitiram estas palavras, de Mo’az Ibn Jabal:

 “O Profeta
(Deus o abençoes e lhe dê paz), na campanha de Tabuk, quando empreendia a marcha antes do sol passar por seu zênite (meio-dia), atrasava a oração de Zuhr e a juntava com a da ´Asr, fazendo-as em conjuntamente as duas orações, Zuhr e ´Asr, antes de se pôr a caminho”.

O Imam Ahmad disse haver extraído da Tradição, relatada por Ibn Abbás, algo semelhante ao que foi dito acima, acrescentando o agrupamento das orações de Maghrib e de Ichá.

Por outro lado, não é permitido agrupar a de Fajr com a do Zuhr e a de ´Asr com a de Maghrib. Tal agrupamento só pode ser feito, exclusivamente, entre as orações que contêm mais de duas genuflexões.

O agrupamento é uma facilidade, admitida pela lei alcorânica.