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A Morte no Islam
Todos
os Louvores são para Deus, o Senhor do Universo, que criou a vida e a morte,
para pôr à prova, quem de nós prática as melhores ações, A Paz e Bênção
de Deus estejam sobre o profeta Muhammad, através de quem deus salvou-nos da
perdição, tirando-nos da ignorância, guiando-nos para a senda reta,
libertando-nos assim do abismo do inferno, e nos colocando no grupo da melhor
comunidade que já existiu sobre a terra. E que as Bênção de Deus recaiam
sobre os seus companheiros (sahabas) e seus seguidores até o dia do Juízo
Final.
Os
ensinamentos relativos a morte, ao morto (mayet) e a família enlutada contidos
no Islam, são suficientemente elucidativos para o verdadeiro crente que procura
guiar-se convenientemente nessas ocasiões. Durante a vida do Profeta Muhammad
(que a Paz e Benção de Deus estejam sobre ele); naturalmente morreram muitas
pessoas, entre muçulmanos e não-muçulmanos, uns em campo de batalha, outros
por enfermidades, uns deixando tristes os seu familiares e outros que nem
familiares tinham, uns que deixaram muitos bens que foram depois distribuídos
entre seus herdeiros, e outros que morreram sem deixar sequer o suficiente para
suportara as despesas de seus próprios funerais.
Em
todas aquelas circunstâncias, o Profeta Muhammad(que a Paz e Benção de Deus
estejam sobre ele); foi sempre o seu guia, orientado-os à luz da Chari’ah
(lei islâmica) para que aplicassem em cada situação as medidas corretas
dentro do espírito que sempre norteou a sua missão; o de ensinar a todos a
viver no mundo de acordo com a vontade de Deus.
O
Profeta Muhammad(que a Paz e Benção de Deus estejam sobre ele);
acompanhava-os nos momentos de felicidade e de tristeza, nos casamentos e nos
falecimentos, visitava os doentes, prepara a mortalha (cafan) para os defuntos,
participava nos funerais, apresentava suas condolências, visitava os túmulos,
repartia a herança, instruía os familiares do falecido nos pagamentos da
divida deixadas pelo mesmo, procurava o bem estar das viúvas, dos órfãos e da
família enlutada, enfim deixou-nos um código completo oral e pratico relativo
a morte.
Nesse
código Divino revela-se que cada passo foi tomado em consideração aos
sentimentos e emoções naturais e as necessidades humanas, para a família
enlutada há uma consolação completa justa, para o morto (mayt), encontramos
no código, o respeito e a honra total acima de tudo, o meio para a aquisição
da Paz e do sossego eternos, ensinamentos simples e honrosos, e até hoje
insuperáveis por qualquer outra civilização do mundo. Os
Sahabas (companheiros do profeta), aprenderam esse código, aplicaram-no durante
a sua vida e transmitiram-no oralmente e na prática aos outros, conservando-se
integralmente até hoje nos livros de ahadith (ditos e praticas).
O
Salatul Janaza (oração fúnebre); é um Fardh Kifayah, uma obrigação imposta
a todos os muçulmanos presentes, isto é que tomarem conhecimento do
falecimento de um muçulmano. No
Salatul Janaza, o ato específico é o Duá para o morto, que confere grandes
recompensas a quem o prática e inúmeros
benefícios ao morto, e também é uma forma de prestarmos a nossa ultima
homenagem para o morto.
Entre
alguns costumes banidos pelo islam esta o de chorar, lamentar e demonstrar pesar
excessivo pelos mortos. Os ensinamentos do Islam sobre a morte é de que ela não
é a aniquilação do individuo, que o elimina da existência, e sim que é uma
passagem de uma vida para outra’e por mais que se possa lamentar, nada trará
os mortos de volta à vida ou modificara o decreto de Deus, Altíssimo. Aquele
que crê deve receber a morte, do mesmo modo como recebe qualquer outra
calamidade que possa atingi-lo, com paciência e dignidade, repetindo o versículo
alcorânico: ‘’Somos de Deus e a Ele retornaremos.’’ (2:156)
A
certos atos de se prantear os mortos que são terminantemente proibidos para os
muçulmanos, não se permite ao muçulmano usar faixas de luto, desfazer-se de
adereços ou modificar as suas vestes habituas para representar o pesar e a
tristeza, como por exemplo, o uso de roupas negras (ou de qualquer outra cor, a
qual a intenção seja representar o luto), como sinal de luto é proibido pelo
islam, mesmo no caso de uma viúva por seu marido. Em contra-partida,
entretanto, a esposa deverá observar um período de luto (‘iddah) de 4 meses
e 10 dias, em memória de seu finado esposo por lealdade aos sagrados laços do
casamento, esse período é considerado uma extensão de seu anterior e não é
permitido a ela receber novas propostas de casamento durante esse período. Caso
contrario o luto não pode ser maior do que 3 dias.
O
Luto é uma demonstração sublime de tristeza e magoa que afeta alguém, homem
ou mulher, pela morte de outro, como conseqüência das suas relações
naturais, no Islam o luto é regulamentado, e o luto por um período maior do
que 3 dias, seja por quem for, foi rigorosamente proibido pelo Profeta Muhammad
(que a Paz e Benção de Deus estejam sobre ele); com a exceção da mulher a
quem foi conferido o direito de guardar um período maior pela morte de seu
marido como foi mencionado acima.
As
condolências de acordo com a sunnah do Profeta Muhammad (que a Paz e Benção
de Deus estejam sobre ele); ‘’As condolências são dadas aos familiares
enlutados dentro de três dias e três noites depois do falecimento.’’ E
fórmula usada é: "Possa Deus dar-vos recompensa abundante e grande
consolo, e concessão d e perdão para o falecido." O
qual a resposta deve ser: ‘’Que Deus ouça a vossa prece, e tenha piedade
de nós e vós.’’
Os
costumes comuns na realização da reunião, durante a qual o alcorão é
recitado nas três noites a seguir a morte, e do arranjo da celebração do luto
e reuniões especiais no dia da morte, ou no terceiro dia depois dela, ou no
quadragésimo dia, ou no aniversário da morte, são todos proibidos e praticas
de inovação que o povo tem introduzido, e não tem qualquer base no alcorão,
na sunnah do Profeta, ou na prática do Sahabas, evidentemente não é proibido
fazermos ‘’duás’’ (preces), todos os dias pela alma dos de nossos
parentes já falecidos, de modo simples, sem reuniões ou celebrações
espalhafatosas.
A
visita das sepulturas é louvável, o profeta Muhammad(que a Paz e Benção de
Deus estejam sobre ele); costumava visitar as sepulturas e recomendava aos seus
companheiros que fizessem o memso a fim de se lembrarem da sua morte com uma lição.
A
visita (ziarat) das sepulturas foi instituído com o fim de nos dar lições, de
nos fazer meditar sobre o nosso fim, enternecer os nossos corações, para que
possamos fazer preces em favor do falecido, pois a melhor prenda que um vivo
pode dar a um morto é o duá (prece) e o pedido de perdão (isthighfar) que por
ele faz à Deus.
A
pessoa que visita a sepultura deve dizer: ‘’ A Paz esteja contigo, ó
crentes muçulmanos que morais aqui, nós estaremos, se Deus quiser, reunidos
convosco. Rogamos a Deus que a nós e a vós conceda o bem-estar e o perdão.’’
Ë
recomendado orar pelo perdão e clemência de Deus para os mortos, contudo é
absolutamente proibido desejar que o morto responda sr orações de alguém, ou
invocar o seu auxilio, ou solicitar a intercessão, acariciar o tumulo, com as
suas mãos, andando em volta deles, e praticas similares de superstição, também
são proibidos, todas estas ações são abomináveis e heréticas, as quais
conduzem a idolatria e a negação da absoluta unicidade de Deus.
Para
aquele que deseja visitar as campas deve saber que a sua visita deve estar
enquadrada pelos limites prescritos no Islam:
Não
circundar ;
não
se inclinar em sinal de respeito ;
não
se prostrar ;
não
beijar os túmulos, jazigos ou qualquer parte deles ;
não
pedir absolutamente nada ao defunto, seja ele quem for o tumulo, pois isso é
haram(ilícito) e idolatria ;
não
ornamentar as campas ;
depois
de visitar as campas, não sair recuando para evitar dar as costas ao tumulo,
como forma de respeito ;
não
colocar comidas ou bebidas junto as campas; não realizar festas de comemoração
(da morte) junto as campas, evitar
todas as formas de (Bid’ats) inovações. O
Islam ensina que as sepulturas devem ser simples, infelizmente, nos nossos dias,
contra a Chari’ah Islâmica, verificamos que na maior parte dos casos, não há
grande diferença entre um cemitério islâmico e outro não-islâmico, a não
ser o da cruz sobre o tumulo.
O
Duá é um ato unanimemente aceito, pois consta explicitamente no Alcorão e no
hadith e ninguém pode conscientemente recusa-lo, o Salatul Janaza em sé também
é um duá e o Profeta Muhammad (que a Paz e Benção de Deus estejam sobre
ele); considera a sua realização como um dos deveres de um muçulmano para com
outro.
‘’O
que devemos fazer a favor de outro morto a todo momento, consoante a capacidade
e possibilidade individual, é o que lhe trará beneficio e Sawab(recompensa), são
os ibdah’s e atos virtuosos como por exemplo o duá,(prece), o istighfar(perdão)
em favor do morto, o Tilawat do Alcorão (individualmente), a oferta de Sawab a
ele em qualquer dia, a prática da caridade e do hajj por ele e etc..., com a
esperança de que isso chegue a ele na sua vida de Barzakh (a vida intermediaria
entre esta vida e a outra.’’ (Hassanain Muhammad Makhluf; Mufti do Egito- já
falecido)
Além
do duá e das obras atrás mencionados, outras narrativas do hadith, vêm
esclarecidas outras ações benéficas das quais um morto pode beneficiar-se,
como é o caso do Hajj, da Umra e da caridade que praticados e se queira
dedica-los em sufrágio á alma de alguém.
As
narrações aqui mencionadas são pontos unânimes em que não transparecem
quaiquer dúvidas, pois estão esclarecidos no hadith, que é o critério que
deve se seguido depois do Alcorão.
Quanto
a recitação do Alcorão para o beneficio de um morto, é incontestavelmente
uma prática estranha e não consta no Alcorão e nem no hadith, isto é não
foi recomendado nem praticado pelo Profeta Muhammad (que a Paz e Benção de
Deus estejam sobre ele); e nem pelo seus Sahabas (companheiros), que são o critério
da verdade.
‘’De
entre as boas ações (que fez nesta) que vão se juntar (beneficiar) ao crente
depois de sua morte, constam:
O
Ilm(conhecimnto) que ensinou e expandiu;
Um
filho piedoso que deixou;
A
herança em exemplares do Alcorão que deixou;
Uma
Mesquita que construiu;
Uma
estalagem para viajantes que construiu;
Um
canal de água que fez correr;
A
caridade durante a sua vida e enquanto gozou de saúde, praticou com a sua
riqueza.’’ (Dito do profeta Muhammad; que a Paz e Benção de Deus estejam
sobre ele).
‘’Quando
o ser humano morre, cessam todas as suas ações exceto em três casoso, se em
vida tiver deixado:
Sadaka
Jariah; obras de utilidade pública;
Ilm
benéfico; Um filho piedoso, que constantemente faça duá a seu favor.’’ (Dito do profeta Muhammad; que a Paz e Benção de Deus estejam sobre ele).
A
VIDA APÓS A MORTE A Morte
Antes
de iniciar a falar da morte propriamente dita, vamos observar o sono que, na
verdade, se assemelha demais à morte, tanto que os sábios muçulmanos a chamam
de "a morte pequena". Deus diz no Alcorão Sagrado: "Deus
recolhe as almas, no momento da morte e, dos que não morreram, ainda, (recolhe)
durante o sono. Ele retém aquelas cujas mortes tem decretadas e deixa em
liberdade outras, até um término prefixado. Em verdade, nisto há sinais para
os sensatos." (39ª
Surata, versículo 42) Por esse versículo podemos verificar que Deus recolhe as nossas almas durante o sono, retornando-a ao nosso corpo, caso ainda não tenha chegado a hora da nossa morte, fazendo com que reassumamos as nossas funções nesta vida. Como os Muçulmanos Vêem a Morte? Os
muçulmanos crêem que a presente vida é apenas uma prova e preparação para o
próximo reino da existência. Os artigos básicos da fé incluem: O Dia do Juízo
Final, a Ressurreição, o Paraíso e o Inferno. Quando um muçulmano morre, ele
ou ela é lavado/a usualmente por um membro da família, enrolado num tecido
limpo branco, e enterrado com uma simples prece, preferivelmente no mesmo dia,
Os muçulmanos consideram isso um dos atos finais que podem fazer por seus
parentes, e uma oportunidade para se lembrarem da sua breve existência aqui na
terra. O Profeta Muhammad Todo ser criado por Deus experimentará o sabor da morte.
"Toda
alma provará o sabor da morte e, no Dia da Ressurreição, sereis recompensados
integralmente pêlos vossos atos; quem for afastado do fogo infernal e
introduzido no Paraíso, triunfará. Que é a vida terrena, senão um prazer
ilusório?" (3ª
Surata, versículo 185)
"Tudo
quanto existe na terra perecerá. E só subsistirá o Rosto do teu Senhor, o
Majestoso, o Honorabilíssimo."
(55ª
Surata, versículos 26-27)
A
hora em que o ser humano morre se dá no exato momento em que foi decretado por
Deus, o Altíssimo, sem se antecipar nem adiar em nada. "Não
é dado a nenhum ser morrer sem a vontade de Deus; é um destino prefixado. E a
quem desejar a recompensa terrena, conceder-lhe-emos; e a quem desejar a
recompensa da outra vida, conceder-lha-emos, igualmente; também recompensaremos
os agradecidos." (3ª
Surata, versículo 145) "Cada
nação tem o seu termo e, quando se cumprir, não poderá atrasá-lo nem adiantá-lo
uma só hora." (7ª
Surata, versículo 34) "Se
Deus castigasse os humanos, por sua iniquidade, não deixaria criatura alguma
sobre a terra; porém, tolera-os até ao término prefixado. E quando o seu
prazo se cumprir, não poderão atrasá-lo nem adiantá-lo numa só hora."
(16ª
Surata, versículo 61) "Ó
fiéis, que vossos bens e os vossos filhos não vos alheiem da recordação de
Deus, porque aqueles que tal fizerem, serão desventurados. Fazei caridade de
tudo com que vos agraciamos, antes que a morte surpreenda qualquer um de vós, e
este diga: Ó Senhor meu, porque não me toleras até um término próximo, para
que eu possa fazer caridade e ser um dos virtuosos? Porém Deus jamais adiará a
hora de qualquer alma, quando ela chegar, porque Deus está bem inteirado de
tudo quanto fazeis." E de nada valerá todos os nossos esforços em tentar
fugir ou impedir a morte, porque ela nos alcançará aonde quer que nos
encontremos e se dará no exato momento destinado por Deus, independente da
nossa vontade, quer queiramos ou não."
(63ª
Surata, versículos 9-11) "Nós
vos decretamos a morte, e jamais seremos impedidos."
(56ª
Surata, versículo 60) "Dize-lhes:
Sabei que a morte, da qual fugis, sem dúvida vos surpreenderá; logo
retornareis ao Conhecedor do cognoscível e do incognoscível, e Ele vos
inteirará de tudo quanto tiverdes feito?"
(62ª
Surata, versículo 8) "Onde
quer que vos encontrardes, a morte vos alcançará, ainda que vos guardeis em
fortalezas inexpugnáveis..." E não nos foi dado o conhecimento de quando
iremos morrer nem aonde. Este conhecimento é exclusivo de Deus o Altíssimo.''
(4ª
Surata, versículo 78) "Em
verdade, Deus possui o conhecimento da Hora, faz descer a chuva e conhece o que
encerram os ventres maternos, Nenhum ser sabe o que ganhará amanhã, tampouco
nenhum ser saberá em que terra morrerá, porque (só) Deus é Sapiente,
Inteiradíssimo!" (31ª
Surata, versículo 34)
Quando
chega a hora da morte o anjo da morte aparece para o crente numa forma bela
dando-lhe a boa notícia do perdão de Deus para com ele. E para o descrente e o
hipócrita, numa forma assustadora, anunciando a eles a ira de Deus para com
eles. E então se dá a retirada da alma da pessoa pelos anjos da morte. "Ele
é o Soberano absoluto dos Seus servos, e vos envia anjos da guarda para que, se
a morte chegar a algum de vós, os Nossos mensageiros o recolham, sem
negligenciarem o seu dever."
(6ª
Surata, versículo 61)
A
morte da alma se dá pela sua separação do corpo humano. No entanto, ela
permanece inteira, não se desintegra, como ocorre com o nosso corpo físico
quando somos enterrados.
Na
hora da morte o diabo aparece para algumas pessoas, a fim de tentar levá-las
para o inferno, aparecendo para o morto na figura de seus pais ou de pessoas próximas
e queridas a ele, dizendo para que siga outra religião que não o Islam que ele
será salvo. No entanto, caso ele aceite, nesse momento encontrar-se-á entre os
desventurados. Por isso que o muçulmano sempre após as suas orações fazem Duás
(súplicas, pedidos) a Deus para que Ele não nos faça passar por essa prova. "(Que
dizem:) Ó Senhor nosso, não desvieis os nossos corações, depois de nos teres
iluminado, e agracia-nos com a Tua misericórdia, porque Tu és o Munificente
por excelência." (3ª
Surata, versículo 8) O Que Acontece No Túmulo Após Sermos Enterrados?
"Deus
afirmará os fiéis com a palavra firme na vida terrena, tão bem como na outra
vida; e deixará que os iníquos se desviem, porque procede como Lhe
apraz." (14ª
Surata, versículo 27) Quando morrermos, ficaremos num local ou estado chamado Barzack, que na língua árabe significa uma barreira, um obstáculo ou uma partição. É um local ou estado intermediário entre esse nosso mundo e o mundo definitivo, onde ficaremos após o julgamento do Dia do Juízo Final. "A fim de eu praticar o bem que negligenciei! Pois sim! Tal será a frase que dirá! E ante eles haverá uma barreira, que os deterá até o dia em que forem ressuscitados." (23ª Surata, versículo 100) Nós acreditamos que determinadas pessoas sofrerão o castigo no túmulo por assim merecerem. Esse castigo é sofrido tanto pela alma como pelo corpo. Mesmo aquelas pessoas que não foram enterradas por terem morrido queimadas, afogadas, ou coisas similares, caso estejam entre as pessoas merecedoras do castigo no túmulo sofrer-lo-ão.
Vida
Após A Morte
A
questão de haver vida após a morte não pode ser compreendida sob a ótica
da ciência, já que esta é concernente apenas à classificação e análise
dos dados da razão. Além disso, o homem tem-se ocupado com as investigações
e pesquisas científicas, no sentido moderno do termo, somente nos poucos últimos
séculos, conquanto esteja familiarizado com o conceito da vida depois da morte,
desde tempos antigos.
Todos
os Profetas (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre eles), conclamaram
seus povos para adorarem a Deus e crerem na vida após a morte. Imprimiam tanta
ênfase na crença quanto à vida após a morte, a ponto de a mais leve dúvida
a esse respeito significar a negação de Deus e fazer com que todas as outras
crenças ficassem sem sentido. O próprio fato de que todos os profetas de Deus
apresentaram essa questão metafísica, tanto confidencial quanto uniformemente,
sabendo-se que o intervalo havido entre as suas épocas foi de milhares de anos,
serve de prova de que a fonte do seu conhecimento da vida após a morte, como
foi proclamado por todos eles, é a mesma, isto é, a revelação divina.
Sabemos,
também, que todos esses profetas de Deus sofreram grande oposição de seus
povos, principalmente por causa da colocação de que há vida após a morte,
pois seus povos julgavam ser isso impossível. Porém, apesar da oposição, os
profetas granjearam muitos seguidores sinceros. A questão que se levanta é: o
que fez esses seguidores esquecerem as crenças, as tradições e os costumes de
seus ancestrais, além de correrem o risco de serem totalmente alienados de sua
própria comunidade?
A
resposta simples é: eles fizeram uso das suas faculdades mentais e dos seus
corações, e perceberam qual era a verdade. Por acaso, perceberam eles a
verdade através da consciência perceptiva? Não foi assim, já que a experiência
perceptiva da vida após a morte é impossível. Realmente, Deus concedeu ao
homem, além da consciência perceptiva, a racional, a estética e a moral. São
essas consciências que guiam o homem no que diz respeito às realidades que não
podem ser verificadas através dos dados sensoriais.
É
por isso que todos os profetas, de Deus, quando conclamavam seus povos para
acreditarem em Deus e na vida após a morte, apelavam para as consciências estética,
moral e racional do homem. Por exemplo, quando os idólatras de Makka negaram até
mesmo a possibilidade de haver vida após a morte, o Alcorão expôs a fraqueza
das suas posições, apresentando argumentos bastante, lógicos e racionais em
seu favor: "E
Nos propõe comparações e esquece sua própria criação, dizendo: Quem poderá
recompor os ossos quando já estiverem decompostos? Dize: Recompô-los-á Quem
os criou a primeira vez, porque é Conhecedor de todas as criações...
Porventura, Quem criou os céus e a terra não será capaz de criar outros seres
semelhantes a eles? Sim! Porque Ele é o Criador por excelência,
Onisciente!"
(36ª Surata, versículos 78-81).
Numa
outra ocasião, o Alcorão diz, claramente, que os incrédulos não têm nenhuma
base sólida para negarem a vida após a morte. Essa negação acha-se baseada
em puras conjecturas: "E
dizem: Não há outra vida além da terrena. Vivemos e morremos e não nos
aniquilará senão o tempo! Porém, com respeito a isso, carecem de conhecimento
e não fazem mais do que conjecturar. E quando lhes são recitados Nossos lúcidos
versículos, seu único argumento é dizer: Ressuscitai nossos pais se sois
verazes!"
(45ª Surata, versículos 24-25).
Certamente,
Deus vai ressuscitar todos os mortos. Todavia, Deus tem o Seu próprio plano
para as coisas. Virá o dia em que todo o Universo será destruído e novamente
os mortos serão ressuscitados para comparecerem perante Deus. Esse dia será o
princípio da vida que jamais findará, e nesse dia toda e qualquer pessoa terá
a retribuição de Deus a quem fizer jus, de acordo com o que ele ou ela fizer
de bom ou de mal. "Os
incrédulos dizem: Nunca nos chegará a hora! Dize- lhes: Sim, por meu Senhor!
Chegar-vos-á, do Conhecedor do incognoscível, de Quem nada escapa, nem mesmo
do peso de um átomo, quer seja nos céus ou na terra, ou (nada há) menor ou
maior que isso que não esteja registrado no Livro lúcido. Isso para certificar
os fiéis, que praticam o bem, que obterão indulgência e magnífico sustento.
Mas, aqueles que lutam contra os Nossos versículos, sofrerão um castigo e uma
dolorosa punição."
(34ª Surata, versículos 3-5).
A
explanação que o Alcorão fornece acerca da necessidade de haver vida após a
morte é aquela que a consciência moral do homem exige. Na verdade, se não
houver vida após a morte, a própria crença em Deus torna-se irrelevante; ou
até mesmo se alguém acreditasse em Deus, Este seria um Deus injusto e
indiferente, uma vez que, tendo criado o homem, não Se preocupou com a sua
sorte. Com certeza, Deus é Justo. Ele punirá os tiranos cujos crimes são
incontáveis: matança de centenas de pessoas inocentes, criação de grandes
corrupções na sociedade, escravidão de numerosas pessoas para servirem a seus
caprichos etc.
O
homem, tendo um curto período de vida neste mundo e, também, este mundo físico
não sendo eterno, as punições ou as recompensas iguais às más ou boas ações
das pessoas não são possíveis aqui. O Alcorão declara muito enfaticamente
que o Dia do Juízo Final deverá vir e que Deus decidirá sobre a sorte de cada
alma de acordo com o registro das suas ações.
O
Dia da Ressurreição será o dia em que os atributos da justiça e misericórdia
de Deus se manifestarão em toda a sua plenitude. Deus derramará Sua misericórdia
sobre aqueles que sofreram por Sua causa na vida deste mundo, e creram que uma
eterna bem-aventurança estaria à sua espera. No entanto, aqueles que
injuriarem a generosidade de Deus, não ligando a mínima para a vida vindoura,
estarão no estado mais miserável que houver. Fazendo uma comparação entre
eles, o Alcorão diz: "Acaso,
aquele a quem temos feito uma boa promessa e que, com certeza a alcançará,
poderá ser equiparado àquele a quem agraciamos com o gozo da vida terrena? Aliás
este, no Dia da Ressurreição, contar-se-á entre os que serão julgados."
(28ª Surata, versículo 61).
O
Alcorão também declara que esta vida terrena é uma preparação para a vida
eterna após a morte. Mas aqueles que a negam tornam-se escravos de suas paixões
e de seus desejos, e zombam das pessoas virtuosas que são cônscias de Deus.
Tais pessoas somente perceberão a sua estupidez quando chegar a sua hora de
morrerem, e desejarão que lhes seja dada mais uma chance neste mundo; todavia,
será em vão. O seu estado miserável na hora da morte, o horror do Dia do Juízo
e a eterna bem-aventurança, que será garantida aos fiéis sinceros, estão
admiravelmente mencionadas nos seguintes versículos do Alcorão Sagrado: "Quando
a morte surpreender algum deles, este dirá: Senhor meu, manda-me de volta (à
terra), a fim de eu poder praticar o bem que eu negligenciei! Pois sim! Tal será
a frase que dirá! E ante eles haverá uma barreira que os deterá até o dia em
que forem ressuscitados. Porém, quando for soada a trombeta, nesse dia não
haverá mais linhagem entre eles, nem se consultarão entre si. Quanto àqueles
cujas ações pesarem mais serão os bem- aventurados. Em troca, aqueles cujas ações
forem leves serão desventurados e permanecerão eternamente no Inferno.''
(23ª Surata, versículos 99-104).
A
crença na vida após a morte não só garante o sucesso no mundo do além, mas,
também, faz com que este mundo seja mais cheio de paz e de sucesso, tomando os
indivíduos mais responsáveis e mais cumpridores de suas obrigações em suas
atividades.
Pensemos
no povo da Arábia: jogatina, vinho, feudos tribais, pilhagens e assassinatos
eram as suas principais normas, quando não tinham nenhuma crença na vida após
a morte. Porém, tão logo aceitaram a crença em Um só Deus e na vida após a
morte, transformaram-se na mais disciplinada nação do mundo.
Abandonaram
seus vícios, ajudaram-se uns aos outros nas horas da necessidade e resolveram
todas as suas disputas na base da justiça e da igualdade. Semelhantemente, a
negação da vida após a morte tem as suas conseqüências não apenas no mundo
do além, mas, também, neste mundo. Quando uma nação, como um todo, a nega,
todos os tipos de malignidades e corrupções passam a grassar, desenfreada-
mente, na sociedade que mais tarde será destruída. O Alcorão menciona o fim
terrível de Ad, de Samud e do Faraó, com certos detalhes: "Os
povos de Samud e de Ad desmentiram a calamidade. Quanto ao povo de Samud, foi
fulminado pela centelha! E quanto ao povo de Ad, foi exterminado por um furioso
e impetuoso furacão, que Deus desencadeou sobre eles durante sete noites e oito
nefastos dias, em que poderias ver aqueles homens jacentes como se fossem
troncos de tamareiras caídos. Porventura, viste algum sobrevivente, entre eles?
E o Faraó, os seus antepassados e as cidades nefastas disseminaram o pecado. E
desobedeceram ao mensageiro de seu Senhor, pelo que Ele os castigou rudemente.
Em verdade, quando as águas transbordaram, levamo-vos na arca, para fazermos
disso um memorial para vós, e para que o recordasse qualquer mente atenta. Porém,
quando soar um só toque da trombeta, e a terra e as montanhas forem
desintegradas e trituradas de um só golpe, nesse dia acontecerá o evento
inevitável. E o céu se fenderá, e estará frágil... Então, aquele a quem
for entregue o seu registro na destra, dirá: Ei-lo aqui! Lede o meu registro;
sempre soube que prestaria contas! E ele gozará de uma vida prazenteira, em um
jardim sublime, cujos frutos estarão ao seu alcance. Comei e bebei com satisfação
pelo bem que propiciasses em dias pretéritos! Em troca, aquele a quem for
entregue seu registro na sinistra, dirá: Ai de mim! Oxalá não me tivesse sido
entregue meu registro; nem jamais tivesse conhecido o meu cômputo; oh! Oxalá a
minha primeira (morte) tivesse sido a anulação! De nada me servem os meus
bens; minha autoridade se me desvaneceu!"
(69ª Surata, versículos 4-29).
Portanto,
há muitas razões convincentes para crer na vida após a morte: 1)
Todos os profetas de Deus conclamaram seus povos para acreditarem nela. 2)
Toda
vez que uma sociedade humana foi construída, tendo essa crença como base, ela
passou a ser a mais ideal e pacífica das sociedades, e ficou livre das maldades
sociais e morais. 3)
A história serve de testemunho: toda vez que essa crença foi rejeitada
coletivamente por um grupo de pessoas, apesar dos repetidos alertas dos
profetas, o grupo como um todo, foi punido por Deus até mesmo neste mundo. 4)
As faculdades morais, estéticas e racionais do homem endossam a possibilidade
de haver vida após a morte 5)
Os atributos da justiça e da misericórdia de Deus não têm sentido se não
houver vida após a morte. O Homem: Corpo e Alma
O
ser humano possui um corpo, com o qual se move e experimenta sensações. E
possui uma alma, com a qual percebe, pensa, adquire conhecimentos, ama, odeia,
entre outros. A origem do corpo é a terra, esta é uma afirmativa inequívoca,
pois o ser humano logo ao morrer, tem o corpo decomposto em seus elementos
originais, que não são diferentes dos demais elementos químicos que compõem
o solo. Se tomarmos uma amostra de terra fértil e a analisarmos quimicamente,
observaremos que a mesma é constituída de vários elementos.
Se
fizermos a mesma experiência, utilizando, desta vez, uma amostra do corpo
humano, concluiremos que este se compõe dos mesmos elementos. Os cientistas
enumeraram os elementos que compõem o corpo humano, afirmando que o mesmo contém
carbono em quantidade suficiente para fabricar nove mil lápis, fósforo
suficiente para fazer duas mil cabeças de fósforo, além de ferro, potássio,
sal, manganês, açúcar. Todos esses compostos estão presentes na crosta
terrestre, quanto à alma, a sua natureza era e continua a ser objeto de controvérsias
entre cientistas c filósofos, que não chegaram, ainda, a uma opinião
definitiva! O Alcorão, o Livro Sagrado, dá uma resposta à polêmica,
considerada um dos seus milagres: "Perguntam-te
(ó Mensageiro) a respeito do espírito. Responde-lhes: O espírito é assunto
exclusivo de meu Senhor e só vos foi concedido (ó seres humanos) uma ínfima
parte do saber ."
(17ª Surata, Versículo 85)
A
alma é, portanto, do conhecimento exclusivo de Deus, e ao homem não foram
dados meios para chegar a este tipo de conhecimento, pois o seu horizonte de
conhecimentos é muito limitado, e não conhece sequer a natureza da matéria;
como poderia, então, aspirar ao conhecimento de um dos mistérios de Deus?
Tudo
que podemos saber, a respeito do espírito, é que o mesmo, ao ser insuflado no
corpo, dá-lhe vida, percepção, consciência, pensamento, saber, vontade,
livre-arbítrio, os faz experimentar sentimentos como o amor, o ódio, etc.
E
que o mesmo, ao abandonar o corpo, na hora da morte, o faz transformar-se em matéria
inerte, exatamente como as demais materiais. É pelo espírito que o ser humano
se diferenciou das demais criaturas do Universo e criou para si um mundo à
parte. É por ele que Deus fez os anjos reverenciarem à Adão, e pôs a seu
serviço muitas de Suas criaturas, e fez dele o seu legatário na terra. "Recorda-te
de quando teu Senhor disse aos anjos. Criarei um ser humano de argila, de barro
modelável. E, ao tê-lo terminado e insuflado nele de Meu Espírito.''
(15ª
Surata, Versículo 28-29)
Os
sábios muçulmanos definem o espírito como uma essência que transcende a matéria
e não é susceptível de análise ou decomposição, é a fonte da vida e o que
dela decorre. A Ciência Moderna
Todos
os homens, independentemente de sua religião, acreditavam, de uma forma ou de
outra, na existência do espírito. Esta era a situação, até que surgiu a
ideologia materialista que reinou nos últimos três séculos, negando a
dualidade da natureza humana e afirmando, com toda a força, que não há outro
mundo além daquele ao alcance dos sentidos, e não há nada além da matéria,
e que o espírito é uma utopia. Esta ideologia ganhou muitos adeptos e contou com militantes entusiastas em todos os lugares, a ponto de apagar qualquer crença religiosa e eliminar todos os ensinamentos divinos, levando consigo as ciências. Mas Deus colocou, a serviço da verdade, sábios, que se dedicaram a desmistificar a verdade e a demonstrar, com provas irrefutáveis, a existência de um mundo espiritual, que os sentidos não alcançam. O Espírito No Alcorão
Mencionado
em muitas passagens do Alcorão e nos mais diversos contextos: "Deus
recolhe os espíritos na hora da morte e , ainda, (recolhe) os que não morrem
durante o sono. Então Ele retém aquele contra o qual decretou a morte,
enquanto que libera o outro até um prazo prefixado."
(39ª Surata, Versículos
42)
O
Alcorão menciona o espírito que ordena a obscenidade, o espírito que se
auto-repreende, o espírito que se compraz, etc... Não se trata de divisões
entre os espíritos, mas sim de estado de espírito. Assim, a alma, no caso da
predominância das concupiscências o dos instintos naturais, ela se torna
propensa ao mal. Mas quando a alma é alimentada e educada conforme os ensinamentos e princípios ideais, cria uma auto-consciência, que impulsiona o ser humano para a prática do bem e o afasta do mal. Quando o espírito alcança este nível de consciência e de auto- controle, apraz-se com o bem e detesta o mal. O Espírito Após a Morte
Ao
se separar do corpo, na hora da morte, o Espírito permanece consciente, ouve as
palavras de quem visita o seu túmulo e o reconhece, responde à saudação e
experimenta a sensação de felicidade do Paraíso ou o sofrimento do Inferno.
Os sábios muçulmanos são unânimes em afirmar que o ser humano, imediatamente após a morte, é interpelado pelos anjos em seu túmulo: Tenha ele sido enterrado, consumido por algum animal feroz, cremado, transformado em pó ou afogado no mar, será interpelado sobre a sua obra. Ele é recompensado de acordo com ela: O bem pelo bem e o mal pelo mal. A felicidade ou a desgraça recaem sobre ambos, corpo e espírito. A
nossa fé nisso é baseada na informação dada pelo Mensageiro de Deus, e pelo
Alcorão Sagrado. O fato de não termos condições de comprová-lo com experiências,
ou que esteja além do alcance dos nossos sentidos não é motivo para
descrermos do mesmo. A nossa fé, nesse caso, decorre do fato de termos plena
convicção de que o Profeta Muhammad(que a Paz e a Bênção de Deus
estejam sobre ele) é verídico e de que o Alcorão é a revelação de Deus, é
o caso da nossa crença no Paraíso, no Inferno, na Ressurreição e nos demais
artigos da fé, classificados como incognoscíveis: "Eis o Livro que é indubitavelmente a orientação dos tementes a Deus; que crêem no incognoscível, observam a oração e praticam a caridade com o que lhes agraciamos; que crêem no que te foi revelado (à Muhammad), no que foi revelado antes de ti e estão persuadidos da outra vida." (2ª Surata, Versículo 2-4) |