A HORA

Já fui estúpido demais

Para não ser sábio agora

Que a Hora se aproxima

Com uma calma assustadora
Vou. Revejo meus malfeitos
Não tento ser mais perfeito
Que me permitiu Allah
Pois agora estou sozinho,
Lentamente a caminho
Com o Destino me encontrar.
Um dia temi a morte
E se tu presumes que
É diante deste fato
Que ando a estremecer,
Não há mais disso
Porque fazer caso, falar muito,
Pois já ora morto estou.
A Hora que se aproxima
É a de pesar os feitos
E os malfeitos, e os delitos...
Para Allah dar o veredicto.
É um medo inevitável
Pleno, imenso, irreprimível.
Nunca seria possível mascará-lo em fingimento
Pois agora não há mascara que resista a este vento
Que oculte coisa dita mesmo de lábios cerrados.
Ai chegou!
Vejo Jesus, o Profeta,
Issa o Filho da Maria
Com um ar bondoso e nobre
Numa mão carrega o Alcorão
E na outra empunha um sabre.