A Esperança na Misericórdia de Deus


Não pense, nem por um instante, que os exemplos dados anteriormente não são aplicáveis à religião, convencida como está de que Deus, Louvado e Altíssimo, é imensamente indulgente, perdoa infinitamente, e que Sua misericórdia está sempre próxima e abrange todas as coisas, estando a dois dedos de nós, sobretudo daqueles que têm fé n’Ele, Altíssimo, mesmo que sua obra não seja particularmente meritória.

Estou totalmente de acordo consigo e o apóio plenamente quando diz que Deus é capaz infinitamente, de absolver e é Clementíssimo, e que Sua misericórdia é imensa, a ponto de conter os céus e a terra e tudo o que houver neles, que o oceano de Sua graça e generosidade é interminável e que não mais que uma única gota dele é suficiente para cobrir todas as pessoas como Suas mercês e com Seus dons transbordantes.

Afirmo isto com plena convicção; porém, queria que içasse um instante a ponderar comigo a respeito de alguns dos versículos do Sagrado Alcorão, e tentasse compreender algumas coisas das tradições do Profeta (Deus o abençoe e lhe dê paz), para ver se a misericórdia de Deus é tão acessível e se Ele a distribui assim, gratuitamente, a quem a pedir, e até a quem não a pede, nem a espera, e ainda mais àquela que nem sequer a percebeu nem lhe veio à mente apelar para ela ou procurar obtê-la.

Estou convencido de que o bom senso comum e a razão prudente, assim como a chari’a eterna, não aceitam que misericórdia divina seja depreciada, a ponto de ser dada ao primeiro que aparece, ainda mais se essa pessoa for alguém por cujas más obras as montanhas se estejam a fundir, o céu a romper-se ou a terra a estremecer. Por renegar o Misericordioso e não reconhecer as Suas mercês faz sofrer os demais com suas injustiças e com as humilhações a que os submete, desobedecendo a Ele e ao Seu Mensageiro, já que contraria os Seus mandamentos, Assim, age opondo-se a tudo que lhe determina a jurisdição d’Ele (chari’a), à qual diz pertencer.

Pensa que merece a misericórdia divina, obtendo, assim, tão digno grau? Certamente está distante dela que, sem duvida, permanece muito perto dos benfeitores.

Deus o Altíssimo, disse:

“A misericórdia de Deus está ao alcance dos benfeitores”. (7º Surata, vers. 56)

E disse ainda:

“Muitas clemência abrange tudo, e a concederei aos tementes, que pagam o zakat e crêem em Nossos versículos”. (7ª Surata, vers. 156)

E entre as Tradições Sagrados, enunciadas pelo Mensageiro de Deus, das quais me recordo, há uma em que Deus disse: “Que falta de pudor é a daquele que espera conseguir alcançar o Meu Paraíso, sem fazer nada para merecê-lo! Como posso agraciar como a Minha misericórdia quem foi tão avaro ao Me obedecer?”.

Com certeza, a misericórdia de Deus só se consegue por meio das obras virtuosas, da piedade e da bondade, juntamente com a dedicação, bem-intencionada, a Ele.

A verdadeira fé n’Ele é aquela que esta confirmada pela prática dos preceitos de acordo com as regras que a refletem. A fé não se consegue pelo vão desejo de tê-la, mas por aquilo que se enraíza no coração e é confirmado pelas ações.

Al-Bukhari relatou uma Tradição autêntica, na qual o mensageiro de Deus disse:

“A fé não consiste em um vago desejo, e sim no que se enraíza no coração e é confirmado pela ação. Houve indivíduos que foram seduzidos pelas vãs ilusões, até que deixaram esta vida sem levar nenhum crédito por boas abras. Disseram: Temos um bom conceito de Deus, o Altíssimo! Mentiram, porque se tivessem tido um bom conceito de Deus, teriam realizado boas obras”.

Depois disto, espero que você não se desespere para ter a misericórdia de Deus, o Altíssimo, porque ela, efetivamente, está muito próxima de si, ao alcance das mãos. Arrependa-se diante de Deus, retorne a Ele, seja um dos que se prostram diante d’Ele para adorá-lo, e obterá, então o que o sei coração almeja, ou seja, a Sua misericórdia, a Sua indulgência e a Sua complacência. É aí que se encontra a sua salvação nesta vida e na outra.

Vá a Deus e Deus irá a você e o apoiará, para que consiga êxito em tudo. Observe os seus deveres religiosos e dirija-se a Ele humildemente, pleno de adoração e prostrado. Deus perdoará o seu pecados, apagarão as suas más ações, introduzi-lo-á em Sua misericórdia e lhe reservará jardins e palácios no Paraíso. Apresse-se em observar corretamente a oração, que, entre outras virtudes, tem à de preveni-lo da abominação e da reprovação e a de aproximá-lo de deus. A oração de nada servirá se não for feita com humildade e de dedicada, absolutamente, ao Senhor do Universo. Se ela for apenas aparente, anular-se-á seu efeito e os esforços daquele que orou terão sido em vão.